Alternativa em movimento

Posted on 14 January 2011 by editor

Grupo América Latina, Filosofia Social e Axiologia (Galfisa) de Cuba. Crédito: Galfisa.

Ivet González

Havana, Cuba, 14/1/2011, (IPS TerraViva) – Com variadas experiências acumuladas, os movimentos sociais propõem alternativas de desenvolvimento capitalista na América Latina, na esteira da crise do neoliberalismo, das mudanças políticas e de uma incidência maior da cidadania, segundo especialistas e ativistas reunidos na capital cubana.

A América Latina vive um momento favorável para estabelecer vias diferentes ao capitalismo graças aos avanços em matéria de justiça social e integração regional, bem como maior independência das nações, disse o filósofo cubano Fernando Martínez Heredia no IX Painel Internacional sobre Modelos de Emancipação, realizado entre 10 e 13 deste mês.

O encontro, que acontece a cada dois anos, patrocinado pelo Grupo América Latina, Filosofia Social e Axiologia (Galfisa) de Cuba, se propôs, desde sua primeira edição, em 1995, a ser um espaço de intercâmbios de experiências, diálogo e articulação entre as iniciativas da sociedade civil da América Latina e do mundo.

Estes movimentos se consolidaram na região desde a década de 1990 e representam lutas sociais, armadas ou não, que se opõem ao modelo neoliberal, perseguem a reivindicação de setores tradicionalmente marginalizados por pobreza, gênero, cor da pele, idade ou cultura, e respeito ao meio ambiente. Uma das metas buscadas consiste em “manter um bloco histórico de movimentos populares, combativos e conscientes, críticos, mas unidos aos poderes” do povo, disse à IPS Fernando, diretor do Instituto Cubano de Pesquisa Cultural Juan Marinello.

Para este sociólogo, “as alternativas para a América Latina, tirando Cuba, são garantir os poderes populares”, sobretudo em países como Venezuela, Bolívia e Equador, sócios, junto com outros quatro países, na Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América. São necessárias “alianças muito diversas com setores que defendem seus interesses e sua autonomia dentro do capitalismo mundial”, insistiu.

Estes movimentos sociais apresentam semelhanças, apesar de terem como princípio o reconhecimento da diversidade. Segundo a pesquisadora Ana Esther Ceceña, da Universidade Nacional Autônoma do México, um elemento comum está em sua “tentativa para romper a essência do capitalismo, que se centra no domínio da natureza, incluindo a humanidade”, afirmou.

Uma das muitas alternativas podem ser as “propostas do bem viver”, que recuperam as heranças das culturas originárias da América em sua forma de vida respeitosa do meio ambiente. Nelas, “a natureza e o outro homem não são o inimigo a vencer e dominar, mas o complemento que precisamos para construir o futuro”, afirmou Ana Esther à IPS. Entretanto, esta economista considera que certas expressões da sociedade civil, como “os movimentos estudantis ou de direitos humanos, podem ser muito complicados porque estão, em alguns casos, muito criminalizados”, disse Ana Esther, que defende a ampliação do conceito de política.

Entre os desafios da cidadania latino-americana aparecem o de ir além e armar redes em todas as latitudes. “Os movimentos nos quais mais avançamos são justamente aqueles com uma convergência da luta em vários países, fato que pode mudar a correlação de forças”, disse à IPS Nalu Faria, líder brasileira da organização Marcha Mundial de Mulheres.

As propostas de movimentos como o camponês, o indígena e o feminista mostram caminhos a seguir, sobretudo pela experiência na “descolonização cultural”, soberania alimentar, demanda por reforma agrária integral e emancipação da mulher, disse a ativista argentina Claudia Korol, da não governamental Equipe de Educação Popular Desenvolvimento ao Dia. Mas os níveis de incidência política dos movimentos sociais na América Latina variam em cada país.

“Hoje há processos onde o movimento social está muito presente e, em outros, está quase ausente”, explicou à IPS José Miguel Hernández, membro do Comitê Cubano do Fórum Social Mundial (FSM). O FSM acontece anualmente desde 2001 e é considerado um espaço democrático para o intercâmbio entre organizações não governamentais, da sociedade civil e redes, que têm um caráter não capitalista. A edição deste ano será em Dacar, entre 6 e 11 de fevereiro.

No caso de Cuba, também são valorizadas alternativas a seguir, sobretudo em um contexto de mudanças econômicas e políticas. Desde dezembro de 2010, foram realizados debates nas seções sindicais e comunidades cubanas sobre o Projeto de Diretrizes da Política Econômica e Social do Partido e da Revolução. Essas propostas, que serão discutidas no próximo mês, centrarão o VI Congresso do Partido Comunista de Cuba (PCC), que acontecerá em abril.

Esta máxima instância do PCC pretende ampliar a participação cidadã com estas análises como antecedente e traçar estratégias para melhorar a economia, em crise desde a dissolução, no começo da década de 1990 da União Soviética e seu bloco socialista da Europa oriental, então principal sócio comercial. “Planejamos elevar a qualidade do processo revolucionário, temos necessariamente que levar em conta algumas destas experiências”, destacou Fernando. Suas formas para “compartilhar os saberes, os métodos de educação popular participativos” devem ser incorporados ao cenário cubano, estimou.

“Não basta realizar processos de discussão maciços se exatamente esses conhecimentos ou essas experiências depois não são totalmente levadas em conta”, disse o também ativista do Departamento Internacional da Central de Trabalhadores de Cuba. Segundo Fernando, a partir de organizações sociais cubanas são apresentadas posições mais horizontais e participativas. Envolverde/IPS

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