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	<title>IPS - TerraViva World Social Forum 2011 &#187; Português</title>
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	<description>During 2011, IPS-TerraViva reports from many of the thematic and geographic forums planned throughout the year</description>
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		<title>Seguir em frente com esperanças renovadas</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Feb 2011 07:14:08 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Começou com uma marcha pelas ruas de Dacar, cresceu com o chamado de uma nova era global e está terminando com o desafio para os ativistas de levar esse clamor além dos corredores do Fórum Social Mundial.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Por Correspondentes da IPS</span><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"></p>
<div id="attachment_2578" class="wp-caption alignright" style="width: 250px"><span><a href="http://www.ips.org/TV/wsf/library/20110206_MarcheALOuverture_AbdullahVawdaIPS.jpg"><img class="size-medium wp-image-2578  " title="20110206_MarcheALOuverture_AbdullahVawdaIPS" src="http://www.ips.org/TV/wsf/library/20110206_MarcheALOuverture_AbdullahVawdaIPS-300x199.jpg" alt="Kutoka kwa: Abdullah Vawda/IPS" width="240" height="159" /></a></span><p class="wp-caption-text">Marcha nas ruas de Dacar. Crédito: Abdullah Vawda/IPS</p></div>
<p>Dacar, Senegal, 11/2/2011  (IPS/TerraViva)  &#8211; Começou com<a href="http://www.ips.org/TV/wsf/%e2%80%9csinais-de-mudanca%e2%80%9d-diz-evo-morales-na-abertura-do-forum-social-mundial/" target="_blank"> uma marcha pelas ruas de Dacar</a>, cresceu com o chamado  de uma nova era global e está terminando com o desafio para os ativistas   de levar esse clamor além dos corredores do Fórum Social Mundial (FSM).<span id="more-3010"></span></p>
<p></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Falando para os milhares que  marcharam pela capital senegalesa no início do Fórum, o presidente  boliviano Evo Morales fez um apelo para que haja programas de luta  social  para construir um novo mundo.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">“Precisa haver conscientização  e mobilização para colocar um ponto final no capitalismo e mandar  embora invasores, neocolonialistas e imperialistas. [...] Eu apoio o  levante popular na Tunísia e no Egito. São sinais de mudanças”,  disse Morales.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Foi uma oportuna coincidência  que, depois de trinta anos no poder no Egito, Hosni Mubarak finalmente  cedeu às quase duas semanas de protestos das massas e renunciou no  mesmo dia em que o Fórum chega ao seu final.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">A luta no Egito chamou a  atenção  para muitas questões importantes em Dacar, como o agravamento da pobreza   devido à crise financeira mundial, os conflitos religiosos que ameaçam  uma minoria, as questões de desigualdade de gênero reforçadas pela  cultura e pela lei, os povos alienados de seus direitos democráticos  e das suas liberdades individuais, em grande parte por causa dos bilhões   de dólares que os Estado Unidos deram como apoio para um aparelho de  segurança opressivo.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">O ex-presidente brasileiro  Luiz Inácio Lula da Silva disse aos delegados que as doutrinas liberais  impostas aos países pobres no mundo <a href="http://www.ips.org/TV/wsf/fsm-lula-e-wade-em-cantos-opostos/" target="_blank">não têm mais lugar na sociedade  moderna</a>. “Na América do Sul, e acima de tudo nas ruas de Túnis e  do Cairo e em muitas outras cidades africanas, está nascendo uma nova  esperança. Milhões de pessoas estão se erguendo contra a pobreza  à qual estão sujeitas, contra o domínio de tiranos e contra a submissão  dos seus países a uma política dos grandes poderes”, disse Lula. </span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Na sua sexta edição, o Fórum  permanece como um espaço de debate aberto e honesto. O presidente  senegalês  Abdoulaye Wade não hesitou ao declarar seu apoio à economia de mercado,  que a maioria dos participantes rejeita, e deixou um desafio para os  participantes no que diz respeito ao estabelecimento de uma instituição  global como as Nações Unidas.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">“Se vocês que estão aqui,  se tivessem apoiado essa ideia, então a África já estaria no Conselho  de Segurança. Desde 2000 eu segui o movimento de vocês, mas continuo  – e me desculpem a franqueza – me fazendo a mesma pergunta: Vocês  já obtiveram sucesso em mudar o mundo em nível global?”</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">É um desafio que os  participantes  do Fórum levaram muito à sério. O ativista queniano por justiça  social, Onyango Oloo, peça fundamental na organização de 2007 em  Nairóbi, e que não pode ir na edição deste ano, sugeriu que a construção   de um novo mundo está acontecendo, porém longe da atenção da mídia.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">O FSM é um local onde  aqueles que o constroem podem falar diretamente uns aos outros.  Organizadores  disseram que 75 mil pessoas de 132 países compareceram para compartilhar   suas experiências de injustiças e resistências, para conhecer outros  pontos de vista e retornar para casa com novas inspirações.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Para a ativista Beverley Keene,   de Buenos Aires, ir ao Fórum na África foi importante. “É nosso  tempo de aprender uns com os outros e avaliar o impacto que a crise  financeira e a <a href="http://www.ips.org/TV/wsf/petroliferas-devem-sair-da-nigeria-dizem-ativistas/" target="_blank">exploração de minerais</a> tem na vida das pessoas”.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">O participante libanês Ounsi  Daif disse que fez trocas importantes com pessoas da Tunísia e da  Palestina,  assim como com estudantes da universidade que abrigou o FSM. “Eu  descobri  algumas realidades da Árica ocidental, que não tinha ideia. Eu descobri  as desigualdades, descobri também as políticas do neo-liberalismo,  descobri um monte de coisas”, disse.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Anietie Ewang, do Delta do  Rio Niger, disse que foi uma experiência que a fez acordar. “Uma  oportunidade para rever estratégias, de pegar as estratégias de todos  os outros participantes, aquelas que você aprendeu dos testemunhos  e ir em frente, continuar a luta com todo o entusiasmo do mundo”,  contou.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">“A primeira coisa e mais  importante que alguém pode aprender com o que houve na Tunísia é  que quando o povo diz não para a opressão tudo é possível”, disse  Azza Chamkhi, da Tunísia.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">O otimismo aparente na  declaração  de Chamkhi mostra tanto o apelo do Fórum Social Mundial quanto o que  é frustrante sobre isso.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">“O FSM tem uma tendência  de girar em círculos, por assim dizer, por causa dos limites inerentes  em seus slogans e lema”, afirmou o estudante americano Joel Kovel,  co-autor do Manifesto Ecossocialista. “Outro mundo é possível”,  repetido diversas vezes, acaba sendo desencorajador porque nunca se  diz o formato desse novo mundo.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Agora as pessoas da Tunísia  e do Egito – talvez como os sul-africanos, iranianos, chilenos e  afro-americanos  antes de tudo – se encontram no limiar de um novo mundo.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">“O ditador se foi, mas a  ditadura ainda está lá”, disse Chamkhi</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Milhares de ativistas estão  indo embora de Dacar para colocar em prática o que aprenderam.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">(FIM/2011)</span></p>
</div>
</div>
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		<title>&#8216;Mulheres e crianças africanas são as principais vítimas dos conflitos&#8217;</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Feb 2011 00:11:04 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Uma das líderes feministas e filha da África, a estudiosa nigeriana Amina Mama disse que o militarismo está à espreita, principalmente em países como Serra Leoa e Libéria.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Por Thandi Winston</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><strong>DACAR, Senegal, 10/2/2011  (IPS/TerraViva)  &#8211; Uma das líderes feministas e filha da África, a estudiosa nigeriana  Amina Mama disse que o militarismo está à espreita, principalmente  em países como Serra Leoa e Libéria. Ela diz que a guerra e os conflitos   estão afetando especialmente as mulheres e as crianças, que são  vulneráveis.</strong><span id="more-2913"></span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Amina falou à IPS durante  o Fórum Social Mundial, sobre o militarismo no continente e sobre os  debates feministas deste ano no Fórum.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">“As mulheres e as crianças  se tornaram as principais vítimas dos conflitos, não importa se é  chamado de conflito pós-colonização ou não, e eu acredito que os  interesses corporativos insuflaram os conflitos”, disse ela.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"></p>
<div id="attachment_2848" class="wp-caption alignleft" style="width: 250px"><span><a href="http://www.ips.org/TV/wsf/library/20110209_QAMama_KristinPalitzaIPS.jpg"><img class="size-medium wp-image-2848  " title="20110209_QAMama_KristinPalitzaIPS" src="http://www.ips.org/TV/wsf/library/20110209_QAMama_KristinPalitzaIPS-300x198.jpg" alt="Rape survivor in Malawi's Dzaleka camp for Congolese refugees: every month, seven to ten cases of gender-based violence are reported; few perpetrators are brought to justice. Credit: Kristin Palitza/IPS" width="240" height="158" /></a></span><p class="wp-caption-text">Sobrevivente de estupros no campo Dzaleka para refugiados congoleses em Malaui. Todo mês, são denunciados de sete a dez casos de violência de gênero, mas poucos violentadores são levados à justiça. Crédito: Kristin Palitza/IPS</p></div>
<p>As violações dos direitos  humanos inflingidas às mulheres durante os conflitos foram devastadoras.   Em uma pesquisa de 1999, realizada com as mulheres de Ruanda como parte  da iniciativa militarista do Fundo Global para Mulheres (GFW), 39%  declararam  terem sido estupradas durante o genocídio de 1994, e 72% disseram que  conheciam alguém que havia sido estuprada.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Em uma pequena amostra das  388 refugiadas liberianas vivendo nos acampamentos em Serra Leoa, três  quartos delas declararam terem sofrido abusos sexuais antes de serem  expulsas de suas casas na Libéria. O GFW acredita que mais da metade  delas sofreram violências sexuais desde a expulsão.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Das mulheres deslocadas na  África, entre 50 mil e 64 mil foram alvos de violência sexual durante  o longo conflito armado de Serra Leoa.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Amina, que é fundadora do  primeiro jornal acadêmico feminista africano, “Feminist Africa”,  atualmente preside o conselho do Fundo Global para as Mulheres, que  faz doações para organizações mundiais lideradas por mulheres.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">“Houve algumas mudanças  na natureza dos conflitos e das guerras em algumas partes da África”,  ressaltou ela, e “estas mudanças estão levando a um tipo particular  de policiamento, vigilância e de violência contra a mulher. Estão  se acumulando com o passar do tempo”.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">“O Congo é um exemplo, se  você rastrear no passado a violência e os estupros, verá que começaram  durante o período colonial. Era prática corrente”, explicou.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">“E hoje os homens absorveram  essa cultura e a missogenia que o militarismo ocidental lhes ensinou.”</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Amina está atualmente  trabalhando  com ativistas africanas na Nigéria, Serra Leoa e Libéria para  desenvolver  um entendimento claro sobre o impacto dos conflitos armados nas mulheres   e crianças. Envolverde/IPS</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">(FIM/2011)</span></p>
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		<title>Petrolíferas devem sair da Nigéria, dizem ativistas</title>
		<link>http://www.ips.org/TV/wsf/petroliferas-devem-sair-da-nigeria-dizem-ativistas/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Feb 2011 11:31:31 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Grupos nigerianos de direitos ambientais estão fazendo campanha, no Fórum Social Mundial (FSM) que acontece em Dacar, para expulsar as companhias de petróleo da região do Delta do Rio Níger, no sudeste do país.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Por Ebrima Sillah</span></strong></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"><strong>DACAR, Senegal, 9/2/2011  (IPS/TerraViva)  &#8211; Grupos nigerianos de direitos ambientais estão fazendo campanha,  no Fórum Social Mundial (FSM) que acontece em Dacar, para expulsar  as companhias de petróleo da região do Delta do Rio Níger, no sudeste  do país.</strong><span id="more-2876"></span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<div id="attachment_2819" class="wp-caption alignleft" style="width: 280px"><span><a href="http://www.ips.org/TV/wsf/library/20110209_NigerDeltaFlaring_IsraelAlojaEnvironmentalRightsActionFriendsOfTheEarthNigeria.jpg"><img class="size-medium wp-image-2819 " title="20110209_NigerDeltaFlaring_IsraelAlojaEnvironmentalRightsActionFriendsOfTheEarthNigeria" src="http://www.ips.org/TV/wsf/library/20110209_NigerDeltaFlaring_IsraelAlojaEnvironmentalRightsActionFriendsOfTheEarthNigeria-300x206.jpg" alt="Gas flare at Rumuekpe, Rivers State. Credit: Israel Aloja / Environmental Rights Action Friends Of The Earth Nigeria" width="270" height="185" /></a></span><p class="wp-caption-text">Legenda: Queima de gás em Rumuekpe, Estado de Rivers, na Nigéria. Crédito: Israel Aloja/Environmental Rights Action, Amigos da Terra Nigéria</p></div>
<p>Falando em um encontro  organizado  por mulheres nigerianas ativistas, que fazem parte de um grupo por  direitos  ambientais, Goodison Jim Dorgu, diretora executiva da oraganização  não governamental Environmental Health and Safety Network, baseada  no Estado produtor de petróleo Bayelsa, ela disse que a sociedade civil  nigeriana chegou à conclusão de que as companhias de petróleo são  responsáveis por diversas degradações ambientais e por isso devem  ir embora logo.</p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">“Nós achamos que as companhias  petroleiras devem deixar as margens do Rio Niger. São necessárias  novas negociações sobre a extração de petróleo e as comunidades  devem estar no diálogo para terem voz nas negociações”, afirmou  Goodison.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Outros palestrantes ressaltaram   que as indústrias provocaram violência na rica região do Delta do  Niger, sendo as mulheres as principais vítimas dos ataques.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Emem Okon, a líder do Centro  de Desevolvimento e Recursos para Mulheres na cidade de Port Harcourt,  alegou que os próprios seguranças das empresas petroleiras estão  envolvidos em ataques às mulheres. Ela também disse que o Exército  nigeriano cometeu violações graves dos direitos humanos.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">“Existem casos específicos  em Akwa-Ibom onde a Shell trouxe capangas e eles atacaram mulheres.  Uma grávida foi morta à tiros. Também existem casos em Ogoniland,  onde o governo criou forças tarefa de segurança interna e tudo o que  esses soldados fizeram foi usar as mulheres como armas de guerra”,  disse Emem.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">“Muitas mulheres foram  estupradas,  e muitas adolescentes foram transformadas em escravas sexuais”,  denunciou  Emem.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">O líder da Amigos da Terra  Internacional, Nnimmo Bassey, disse que será uma longa batalha  essa luta por justiça ambiental no Delta do Niger.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">“Nós estamos fazendo muitos  treinamentos para os habitantes locais e mobilizações, e estão surgindo  vários novos grupos”, disse Nnimmo, que é do Delta do Niger.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">“O regime de responsabilidade  tem sido tão bem escondido que até o Exército está acobertando o  que as companhias de petróleo têm feito. O governo está por trás  delas”, afirmou Nnimmo</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">O ativista disse ainda que  existem muitas restrições. “Um monte de trabalho ainda precisa ser  feito, mas um dia, quando ninguém esperar&#8230; o povo vai prevalecer.”</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">(FIM/2011</span>)</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>FSM &#8211; Lula e Wade em cantos opostos</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Feb 2011 14:40:34 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[“A ordem econômica mundial não será mais moldada por algumas economias dominantes”, disse o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2803" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.ips.org/TV/wsf/library/20110208_Lula_AbdullahVawdaIPS-300x2141.jpg"><img class="size-full wp-image-2803" title="20110208_Lula_AbdullahVawdaIPS-300x214" src="http://www.ips.org/TV/wsf/library/20110208_Lula_AbdullahVawdaIPS-300x2141.jpg" alt="" width="300" height="214" /></a><p class="wp-caption-text">Ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Crédito: Pepe Petos / WSFTV).</p></div>
<p>Por Koffigan E. Adigbli</p>
<p>Dacar, Senegal, 8/2/2011 (IPS/TerraViva) – As doutrinas do liberalismo impostas aos países mais pobres não têm mais espaço na sociedade moderna, disse o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.</p>
<p>Lula, como é conhecido popularmente, apareceu ao lado do presidente senegalês, Abdoulaye Wade, no Fórum Social Mundial em Dacar, onde está participando de um encontro com altermundistas de todo o mundo. Lula declarou no seu discurso que está otimista diante dos dados econômicos atuais.</p>
<p>“A ordem econômica mundial não será mais moldada por algumas economias dominantes”, disse ele.</p>
<p>“Na América do Sul, mas acima de tudo nas ruas de Túnis e do Cairo, e em muitas outras cidades africanas, está nascendo uma nova esperança. Milhões de pessoas estão se erguendo contra a pobreza à qual estão sujeitas, contra o domínio de tiranos e contra a submissão dos seus países a uma política dos grandes poderes”, afirmou Lula.</p>
<p>Ele também fez um apelo para que a África tome conhecimento do potencial que o continente tem e do futuro extraordinário que o espera, com seus 800 milhões de habitantes e seu território imenso e rico, que permitiriam que seja a primeira no mundo a atingir uma independência na produção de alimentos.</p>
<p>“Por muito tempo, os países ricos nos consideraram um problema e uma ameaça marginal, mas aqueles que nos deram lições de forma arrogante sobre como deveríamos conduzir nossas economias não foram capazes, eles mesmos, de escapar da crise que nasceu no centro do mundo capitalista”, destacou Lula.</p>
<p>Por outro lado, o presidente Wade se apresentou como um defensor da liberalização econômica. Ele chegou ao ponto de revelar que não estava tão de acordo com os movimentos antiglobalização, e que, mesmo compartilhando da ideia de que o mundo precisa de mudanças, o que ele acredita é na necessidade de reformas.</p>
<p>“Sou um apoiador da economia de mercado e não da economia gerida pelo Estado, que já falhou em todos os lugares ou está perto disso”, disse ele, acrescentando que não está mais fazendo campanha pela África por um lugar no Conselho de Segurança das Nações Unidas.</p>
<p>“Se vocês que estão aqui, se tivessem apoiado essa ideia, então a África já estaria no Conselho de Segurança. Desde 2000, eu segui o movimento de vocês, mas continuo – e me desculpem a franqueza – me fazendo a mesma pergunta: Vocês já obtiveram sucesso em mudar o mundo em nível global?”, questionou Wade. Envolverde/IPS</p>
<p>(FIM/2011)</p>
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		<title>Tunísia e Egito inspiram delegações no Fórum Social Mundial</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Feb 2011 14:28:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Revolução do Jasmin na Tunísia e o levante popular para derrubar três décadas de governo do presidente egípcio Hosni Mubarak motivaram delegações no Fórum Social Mundial que acontece em Dacar, no Senegal.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div>
<p><strong><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">By Thandi Winston</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Dacar, Senegal, 8/2/2011  (IPS/TerraViva)  – A Revolução do Jasmin na Tunísia e o levante popular para derrubar  três décadas de governo do presidente egípcio Hosni Mubarak motivaram  delegações no Fórum Social Mundial que acontece em Dacar, no Senegal.<span id="more-3021"></span></span></strong></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">No meio de uma cena caótica,  cheia de participantes buscando pelos locais dos seminários depois  do cancelamento da reserva de salas na Universidade Cheikh Anta Diop,  algumas delegações fizeram os seus debates em campos abertos e salas  fora do campus.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Os locais improvisados não  conseguiram diminuir a paixão dos aproximadamente 60 mil delegados  que viajaram de todos os cantos do mundo para participar do evento  anual.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Uma das mesas que mobilizaram  centenas dos participantes foi o depoimento de um tunisiano que estava  na primeira linha da Revolução do Jasmin, em janeiro. O ativista.  do partido comunista, de 55 anos, falava no evento Diálogo People to  People´s, organizado por Pambazuka, African People´s Dialogue e pela  Rede de Justiça Climática, no Centro Rosa Luxemburgo, em Dacar.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Fathi Chankhi, ativista há  30 anos, disse aos presentes no Diálogo People to People´s que a  revolução  na Tunísia foi iniciada pelos camponeses das áreas rurais.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Mohamed Bouazizi, o vendedor  ambulante que ateou fogo em si mesmo após os seus pertences terem sido  confiscados arbitrariamente pela polícia no dia 17 de dezembro, cresceu  em um vilarejo chamado Sidi Salah, e assim como muitas outras, sua  família  se mudou para a cidade mais próxima na procura por uma vida melhor.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Milhares se inspiraram com  esse ato trágico e desafiador, e no dia 4 de janeiro, quando ele morreu  devido aos ferimentos, a frustração que tanto ele quanto milhões  de outros sentiam se liberou com uma força que já derrubou um presidente   autocrático e ameaça muitos outros.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">“No atual momento, estamos  tentando criar a revolução e entender o que significa essa nova situação   no país.” contou Fathi para a platéia.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Ele afirmou que: “a  (norte-africana)  região é um dos pilares do sistema capitalista, o coração do  capitalismo,  e era um lugar onde floresciam diversos ditadores”. Foram as pessoas  que acabaram com isso, disse ele, quando ficaram cansadas desses  ditadores.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Fathi contou que a revolução  foi liderada pelos jovens e trabalhadores que queriam ser livres. “A  revolução na Tunísia foi a vontade do povo que queria se ver livre  dos ditadores.”</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Membros da platéia, que  aplaudiam  e gritavam “viva a Tunísia!” durante a fala, ficaram cheios de  orgulho de Fathi.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">O ativista costarriquenho,  Carlos Aguilar, disse: “Essa fala foi motivadora”.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Outro ativista da África do  Sul disse que as revoluções na Tunísia e no Egito são uma inspiração  para todos os africanos. Virginia Setshsedi, de Soweto, disse que “nós  devíamos aprender com esse depoimento e voltar para casa para organizar  os trabalhadores”.</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Fathi destacou que o povo da  Tunísia está trabalhando junto agora, e alertou que as diferentes  classes não devem lutar umas contra as outras. “Os jovens estão  se movimentando e o povo trabalhando junto.”</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">“Esperamos que outros na  América Latina e Europa possam aprender com nossa revolução. Estamos  caminhando para um futuro de ouro. Estou muito feliz.”, acrescentou  Fathi.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">(FIM/2011) </span></p>
</div>
</div>
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		<title>Caos com cancelamento de reservas na Universidade Cheikh Anta Diop</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Feb 2011 00:19:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O primeiro dia de encontros e discussões no Fórum Social Mundial foi marcado pelo caos sobre onde seriam realizados os inumeráveis seminários.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-small;"><strong>Por Thandi Winston e Ebrima Sillah</strong></span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-small;"><strong>Dacar, Senegal, 7/2/2011 (IPS/TerraViva) – O primeiro dia de encontros e discussões no Fórum Social Mundial foi marcado pelo caos sobre onde seriam realizados os inumeráveis seminários.</strong><span id="more-2689"></span></span></span><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-small;"> </span></span></span></p>
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_2682" class="wp-caption alignright" style="width: 310px;">
<dt class="wp-caption-dt"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-small;"><span><span><span><a href="http://www.ips.org/TV/wsf/library/20110207_VenueChaosUCAD_Edited.jpg"><img class="size-medium wp-image-2682 " title="20110207_VenueChaosUCAD_Edited" src="http://www.ips.org/TV/wsf/library/20110207_VenueChaosUCAD_Edited-300x256.jpg" alt="WSF organisers have set up tents to accommodate sessions. Credit: Abdullah Vawda/IPS" width="300" height="256" /></a></span></span></span> </span></span></span></dt>
<dd class="wp-caption-dd"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-small;"><span><span><span>o vice-reitor da Universidade Cheikh Anta Diop (Ucad) cancelou as reservas de salas no campus para o Fórum. Crédito: Abdullah Vawda/IPS</span></span></span> </span></span></span></dd>
</dl>
</div>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-small;">Uma fonte do comitê organizador do FSM disse à IPS que o vice-reitor da Universidade Cheikh Anta Diop (Ucad) cancelou as reservas de salas no campus para o Fórum. Um acordo garantiu apenas 40 das 200 salas inicialmente reservadas para os seminários do FSM, com estudantes tendo aulas regularmente nas restantes. </span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;">“<span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-small;">Nós estamos tentando montar, o mais rápido possível, barracas no local, de modo a acomodar os seminários.” disse a mesma fonte.</span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-small;">São cerca de duas mil discussões planejadas para esta semana. Os participantes do FSM que chegaram ao campus na manhã do dia 7 encontraram muitas das salas ocupadas por estudantes tendo suas aulas normalmente.</span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-small;">Um grupo brasileiro que luta pelo direito a terra prontamente se acomodou na sombra de uma árvore para conduzir a discussão sobre grilagem de terras no Brasil e na África. Outros iniciaram um protesto barulhento até o prédio da administração da Universidade. </span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-small;">Um dos manifestantes, o chileno Carolos Morales, disse que “talvez alguém da Universidade não esteja feliz porque seus estudantes vão acordar para muitas questões do neocapitalismo e como são gastos recursos do estado em benefício próprio”.</span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-small;">Grupos de organização dos paineis estavam procurando por alternativas locais durante o dia e fazendo o possível para avisar aos participantes onde estavam ocorrendo cada uma das discussões. Muitas das sessões originalmente marcadas para o dia 7 tiveram que ser canceladas. Envolverde/IPS</span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-small;">(FIM/2011)</span></span></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>“Sinais de mudança”, diz Evo Morales na abertura do Fórum Social Mundial</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Feb 2011 21:54:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dezenas de milhares de pessoas marchavam pelas ruas de Dacar no dia 6, para marcar o início do Fórum Social Mundial de 2011. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2711" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.ips.org/TV/wsf/library/marchawsf.jpg"><img class="size-medium wp-image-2711" title="marchawsf" src="http://www.ips.org/TV/wsf/library/marchawsf-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Marcha de abertura do Fórum Social Mundial em Dacar. Crédito: Abdullah Vawda/IPS TerraViva</p></div>
<p>Por Thandi Winston e Souleymane Faye*</p>
<p><strong>Dacar, Senegal, 7 feb (IPS/TerraViva) – Dezenas de milhares de pessoas marchavam pelas ruas de Dacar no dia 6, para marcar o início do Fórum Social Mundial de 2011. Ativistas carregam cartazes coloridos denunciando a grilagem de terras, as leis de imigração restritivas, os subsídios da agricultura na Europa e nos Estados Unidos, entre muitas outras questões.<span id="more-2659"></span><br />
</strong></p>
<p>Outros entoam gritos de liberdade e tocam tambores enquanto seguem pacificamente por um caminho que começa perto do escritório da emissora pública do Senegal, a RTS, e termina na Universidade de Cheikh Anta Diop, o centro desse encontro de uma semana.</p>
<p>O presidente boliviano Evo Morales, que esteve na marcha, convidou seus contemporâneos dos países pobres para fazer parte desse evento.</p>
<p>“Precisa haver uma conscientização e mobilização para colocar um ponto final no capitalismo e vencer os invasores, neocolonialistas e imperialistas […]. Apoio o levante popular na Tunísia e no Egito. São sinais de mudança.”, disse Morales, um antigo líder sindical que é participante regular dos encontros que envolvem movimentos antiglobalização.</p>
<p>“Precisamos resistir e conscientizar. Precisa haver um programa de luta social para construir um novo mundo,” disse ele.</p>
<p>“Nós precisamos salvar a humanidade e, para conseguir isto, precisamos conhecer nossos inimigos. Os inimigos do povo são os neocolonialistas e imperialistas. Nós devemos acabar com o modelo capitalista e colocar outro no lugar. É necessário dar um basta nos ricos e mudar o mundo.”</p>
<p>O prefeito de Dacar recepcionou os participantes, mas outros membros mais importantes do governo senegalês estavam ausentes. O presidente Abdoulaye Wade está fora do país, mas é esperado para tomar parte em um evento ao lado da presidente do Brasil ainda essa semana.</p>
<p>O Fórum Social Mundial se define como um espaço aberto, onde aqueles que são “opositores do neoliberalismo e de um mundo dominado pelo capital ou por qualquer outra forma de imperialismo se juntam para perseguir suas ideias”.</p>
<p>Como o evento desse ano foi levado para o Senegal, muitas das discussões devem girar em torno do que os organizadores chamam de crise da civilização e do capitalismo que atinge a África e o resto do mundo.</p>
<p>“Esta edição do Fórum deve contribuir para mudar o mundo. É uma chance para que os oprimidos deste mundo tenham uma voz própria”, disse o historiador senegalês, Boubacar Diop Buuba, professor da Universidade Cheikh Anta Diop.</p>
<p>Philip Kumah, um assistente social de Gana que trabalha para a Anistia Internacional, declarou que “nós estamos clamando por um fim às injustiças no nosso país, onde o governo rouba a terra das comunidades. Este Fórum é uma chance de o nosso governo ouvir nossas queixas”.</p>
<p>Para o ativista Beverley Keene, de Buenos Aires, realizar o Fórum na África é um marco muito importante. “É nossa vez de trocar experiências e avaliar o impacto que a crise financeira e a exploração dos minerais têm sobre os meios de subsistência das pessoas.”</p>
<p>A crise financeira se destaca dentre os temas dos debates a serem realizados no sexto dia, que procuram alternativas para “a crise do sistema capitalista”.</p>
<p>A feminista italiana, Sabrina Viche, disse que o evento é também uma oportunidade para ouvir as mulheres africanas. “Eu vim para Dacar dar meu apoio a todas as mulheres da África, que lutam para garantir que suas vozes sejam ouvidas, e eu quero ouvir o que elas têm a dizer, quais são suas lutas e como nós, do norte, podemos ajudá-las.”</p>
<p>No entanto, não é o suficiente conhecer. Canet Raphael, um sociólogo de Montreal, Canadá, disse à IPS que “as pessoas precisam saber para que serve um fórum social. O espírito do Fórum Social Mundial tem suas raízes nos movimentos sociais”.</p>
<p>Thierry Tulasne, que trabalha com assuntos de imigração para uma organização canadense, afirmou: “Eu não tenho certeza que os movimentos sociais possam mudar o mundo tão rapidamente. Mas estou certo de que pequenas gotas de água podem, eventualmente, se transformar em rios”. Envolverde/IPS</p>
<p>* Ebrima Sillah e Koffigan Adigbli, em Dacar, contribuíram para essa reportagem.</p>
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		<title>Medo do desconhecido</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Feb 2011 21:52:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A revolta popular iniciada por jovens no Egito contra o regime de Hosni Mubarak ganhou proporções históricas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 13.3333px;"> </span></p>
<div id="attachment_2411" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.ips.org/TV/wsf/library/5393020324_8e7afa5183.jpg"><img class="size-medium wp-image-2411" title="5393020324_8e7afa5183" src="http://www.ips.org/TV/wsf/library/5393020324_8e7afa5183-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">A policia contro os manifestantes. Crédito: Mohammed Omer/IPS TerraViva.</p></div>
<p>Cam McGrath</p>
<p><strong>Cairo, Egito, 4/2/2011, (IPS TerraViva) &#8211; A revolta popular iniciada por jovens no Egito contra o regime de Hosni Mubarak ganhou proporções históricas, e agora muitos deles se perguntam quem o substituirá se finalmente conseguirem derrubá-lo.<span id="more-2410"></span><br />
</strong></p>
<p>“No começo só pensávamos em como tirar Mubarak”, disse o ativista Seif Abdallah, que se considera um muçulmano moderado. “Queremos eleições livres e justas, mas temos medo, tanto cristãos quanto muçulmanos, de tirar um ditador para substituí-lo por um Estado islâmico como o Irã”, acrescentou.</p>
<p>Organizações populares como Kefaya, Movimento Juventude 6 de Abril e o Dia da Ira, celebrado em 25 de janeiro, são reações a décadas de governos opressivos, à corrupção e à miséria absoluta, disse Mina Rizqallah, ativista e advogado da União de Egípcios por um Pensamento Liberal. Mina é favorável às reclamações, mas teme que um governo islâmico radical surja do confuso panorama político que reina no Egito.</p>
<p>“Os organizadores dos protestos querem a saída de Mubarak, mas não têm claro como a história continuará”, afirmou o advogado à IPS. “Empregam palavras vazias como democracia e liberdade”, acrescentou. “Foi uma democracia que levou os nazistas ao poder na Alemanha e o Hamas em Gaza, e pode ocorrer o mesmo aqui com a Irmandade Muçulmana”, ressaltou Mina. Fundada em 1928, esta organização é a maior e mais organizada força de oposição e defende um Estado baseado na shariá (lei islâmica).</p>
<p>Esta organização proscrita renunciou à violência nos anos 1970 e optou pela participação política, mas seus membros são frequentemente detidos e enviados à prisão. Candidatos da Irmandade Muçulmana, que se apresentaram como independentes nas eleições legislativas de 2005, obtiveram 88 cadeiras, cerca de 20%, no parlamento. O êxito sem precedentes foi de curta duração. Após o governo usar de uma artimanha, a organização não conseguiu nenhuma cadeira nas eleições de 2010, marcadas pela violência e consideradas fraudulentas pelos observadores.</p>
<p>A Irmandade não começou a revolta popular, atribuída a jovens egípcios, a maioria laicos, mas será a primeira a se beneficiar for alcançada uma mudança política. “A oposição é fraca, está dividida e não tem experiência”, explicou Moustafa Kamel el-Sayed, professor de ciências políticas da Universidade do Cairo. A Irmandade Muçulmana é a única organização com quantidade de gente capaz de assumir o controle político, disse, lembrando que, “no caso de haver eleições, será a que terá maior influência”.</p>
<p>A possibilidade de uma organização islâmica poder assumir o governo levou alguns manifestantes a repensarem sobre sua determinação de expulsar Mubarak já. “Estive na Praça Tahrir desde o começo, dia 25 de janeiro, mas agora tento convencer meus amigos a não continuar e aceitar a promessa de Mubarak de deixar o poder em setembro”, afirmou a universitária Amina Ghanem. “Precisamos de mais tempo para fortalecer a oposição com vistas às eleições, do contrário a Irmandade Muçulmana obterá uma grande maioria”, acrescentou.</p>
<p>Os cristãos coptos, que são 10% dos 82 milhões de habitantes, estão especialmente nervosos quanto ao futuro político do país. Seu temor tem base nos últimos episódios de violência sectária no Egito e os repetidos ataques contra igrejas no Oriente Médio, cometidos por organizações islâmicas. Uma igreja na cidade de Alexandria foi bombardeada no Ano Novo, o que custou a vida de 23 pessoas e ferimentos em mais de uma centena. A Irmandade Muçulmana condenou o ataque, cometido – segundo as autoridades – por grupos vinculados à rede extremista Al Qaeda no território palestino de Gaza.</p>
<p>O destacado empresário copto Naguib Sawiris expressou sua preocupação de que o Islã político cresça à custa do mal-estar que reina no Egito. “O movimento não foi manipulado por políticos. É uma mobilização juvenil e faremos o que pudermos para garantir que as forças religiosas radicais que querem nos levar de volta à Idade Média não se aproveitem dela”, acrescentou.</p>
<p>A Irmandade Muçulmana “ficou à margem” do levante, mas sua participação foi vital para o êxito da Marcha do Milhão, no Cairo, realizada no dia 1º, disse a analista política Dina Shehata. A organização mobilizou suas bases para a manifestação histórica. Seus partidários pediam a saída de Mubarak e distribuíam panfletos nos quais diziam que “o Islã é a solução”.</p>
<p>A organização também não apresentou nenhum presidenciável, o que a deixaria exposta, segundo analistas. Entretanto, apoiou Mohammad el Baradei, ex-diretor geral da Agência Internacional de Energia Atômica e bem visto pela imprensa ocidental. Baradei é um reformista laico e liberal, mas reconheceu que o apoio da Irmandade Muçulmana é crucial para reunir votos, especialmente entre os mais pobres. “São conservadores do ponto de vista religioso, mas estão dispostos a trabalhar em um Estado com sociedade civil”, disse Baradei, ganhador do Nobel da Paz. Envolverde/IPS</p>
<p>(FIN/2011)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Pobreza sem fronteiras</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Feb 2011 21:04:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os Estados Unidos são símbolo de esperança por séculos, mas por trás desta imagem de riqueza há uma história poucas vezes contada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2346" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.ips.org/TV/wsf/library/020311.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-2346" title="DSC_0722" src="http://www.ips.org/TV/wsf/library/020311-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Ativistas na marcha inaugural do Fórum Social dos Estados Unidos no passado em Detroit. Crédito: Cortesia do USSF. </p></div>
<p>By Andra Lunt</p>
<p><strong>Nova York, Estados Unidos, 4/2/2011, (IPS TerraViva) &#8211; É a terra da liberdade, dos grandes luminosos e dos hambúrgueres, onde aventureiros de todo o planeta chegam em busca de fama e fortuna.<span id="more-2400"></span><br />
</strong></p>
<p><strong> </strong>Os Estados Unidos são símbolo de esperança por séculos, mas por trás desta imagem de riqueza há uma história poucas vezes contada. A insegurança alimentar, a falta de acesso a água e o desemprego parecem problemas de um país do Sul em desenvolvimento, mas estão bem documentados nesta “terra dos livres”.</p>
<p>Às vésperas do Fórum Social Mundial (FSM), que acontecerá na capital do Senegal entre os dias 6 e 11, grupos da sociedade civil dos Estados Unidos exortam seus líderes políticos a recordarem que os problemas sociais estão presentes em todo o mundo, seja em um subúrbio de Detroit ou em uma comunidade de Dacar.</p>
<p>“De certo modo, há um erro de conceito ao redor do mundo de que, como vivemos nos Estados Unidos, não temos pobreza. Mas esta é real, especificamente no Estado de Michigan”, disse Oya Amakisi, ativista social que viajará ao FSM de Dacar. “Nossas vidas são muito precárias neste momento. Tem gente vivendo em automóveis”, disse à IPS. Oya participou da organização do Fórum Social Mundial dos Estados Unidos (USSF) no ano passado, que reuniu mais de 20 mil participantes de todo o mundo por cinco dias em Detroit. Também está filiada à iniciativa Detroit a Dacar (D2D), destinada a traçar paralelos entre as lutas sociais da América do Norte e dos países da África.</p>
<p>Oya disse esperar que o próximo FSM seja uma instância em que ativistas de todo o mundo possam estar presentes para compartilhar experiências e buscar soluções concretas, e não apenas discutir. “Realmente, queremos aprender como criar um ambiente efetivo e uma transformação de longo prazo. Outro mundo é possível. Esta não é nossa única opção. Lutar a cada dia não deve ser nossa única alternativa. Tentar ver como podemos pôr um teto sobre nossas cabeças e dar de comer aos nossos filhos não deve ser nossa única opção. O que queremos é ser tratados como seres humanos e que nossas vozes sejam ouvidas”, afirmou.</p>
<p>Do FSM também participará outro colaborador da iniciativa D2D, William Copeland, do Conselho de Ação Ambiental de Michigan Oriental. Como coordenador de jovens, William conhece as lutas diárias das famílias em Detroit, uma das cidades mais afetadas pela crise financeira mundial. Como em muitas comunidades na África, os moradores dessa cidade norte-americana são obrigados a lutar por seus direitos a terra, por segurança alimentar e por um acesso justo a água.</p>
<p>“Detroit é considerada um deserto de comida, isto é, onde os alimentos frescos são difíceis de se conseguir dentro dos limites da cidade”, disse William. “É entre quatro ou cinco vezes mais fácil encontrar uma loja que venda álcool ou uma rede de fast food do que qualquer alimento fresco e nutritivo. Agora as pessoas cultivam alimentos em prédios abandonados e no quintal de suas casas. Também há muita luta sobre água, propriedade da água e acessibilidade a ela”, acrescentou.</p>
<p>Desde o USSF do ano passado, vários grupos comunitários de Detroit lançaram programas destinados a enfrentar os problemas sociais da cidade. Entre estes estão a Coalizão pela Justiça Digital de Detroit, que pressiona os meios de comunicação para que ajudem as pessoas desempregadas a desenvolverem habilidades empresariais, e a Força de Tarefas por Justiça Alimentar, dedicada a reconstruir a cadeia de alimentos da cidade para ajudar mais fazendeiros locais e garantir melhor acesso a comida saudável.</p>
<p>Embora estes programas potencializem os cidadãos de Detroit, Nunu Kidane, da Rede Prioridade África, com sede no Estado da Califórnia, disse que a delegação da D2D no FSM tentará aprender outros modelos de desenvolvimento comunitário de ativistas do resto do mundo. “É preciso construir alianças e solidariedade, se queremos uma solução alternativa ao problema da pobreza em diferentes partes do mundo”, disse a ativista.</p>
<p>“As pessoas sempre têm a ideia de que a África é um lugar onde há necessidades e para onde temos de enviar dinheiro e ajuda. Mas estamos tentando traçar um paralelo aqui nos Estados Unidos, onde também há bolsões de pobreza, enquanto na África há lugares diferentes onde as pessoas são muito ricas”, acrescentou. “Todos estamos unidos no atual modelo, um sistema econômico que parece beneficiar os que exploram os recursos do mundo, à custa dos que não o fazem”, ressaltou.</p>
<p>Nunu afirmou que, embora muitos acusem o FSM de ser apenas uma instância de diálogo e debates sem resultados concretos, para ela continua sendo uma das plataformas mais importantes para que os líderes comunitários possam fazer ouvir suas vozes. “Eu diria que, no contexto do que ocorreu nos últimos anos, é fenomenal o tipo de novas conexões que se conseguiu. Apesar de todos os problemas, o Fórum pode proporcionar muitas contribuições”, disse. Envolverde/IPS (FIN/2011)</p>
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		<title>Golpes, pela paz</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Feb 2011 23:18:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O sinal ecoa por todo o abrigo antibombas convertido em clube de boxe, na parte ocidental de Jerusalém. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2293" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><a href="http://www.ips.org/TV/wsf/library/86119.jpg"><img class="size-full wp-image-2293" title="86119" src="http://www.ips.org/TV/wsf/library/86119.jpg" alt="" width="200" height="133" /></a><p class="wp-caption-text">Israelenses e palestinos combatem a intolerância no ringue. Crédito: Pierre Klochendler/IPS TerraViva</p></div>
<p>Pierre Klochendler</p>
<p><strong>Jerusalém, Israel, 28/1/2011, (IPS) &#8211; O sinal ecoa por todo o abrigo antibombas convertido em clube de boxe, na parte ocidental de Jerusalém.<span id="more-2292"></span><br />
</strong></p>
<p>Um pugilista palestino salta rapidamente saindo de seu corner, movimenta-se pelo ringue e troca golpes com seu oponente israelense. Em meio a uma cidade etnicamente dividida, este recinto é bem mais do que uma anomalia.</p>
<p>Escondidos sob a terra, israelenses e palestinos compartilham o mesmo amor por um esporte difícil de ser associado à paz, tolerância e coexistência. Judeus e árabes, religiosos e seculares, imigrantes russos e trabalhadores estrangeiros, moços e moças, todos treinam no Clube de Boxe de Jerusalém, trocando golpes no ringue e aprendendo a abster-se de dar socos na vida.</p>
<p>Dois deles lutam com frequência no lugar. À direita, o meio peso Ismail Jaafari, caminhoneiro de 36 anos de Jabel Muqabber, bairro palestino na ocupada Jerusalém oriental. À esquerda, o peso leve Akiva Finkelstein, judeu de 17 anos, estudante de um seminário religioso, residente no assentamento israelense de Beit El, na ocupada Cisjordânia e a mais nova estrela do clube, pois há pouco tempo venceu o campeão europeu. “Dentro do ringue somos todos boxeadores, e não importa de onde viemos”, disse Akiva. “Aqui somos todos iguais, sem importar qual a nossa religião ou qual o nosso povo”, acrescentou Ismail.</p>
<p>Na frente do clube estão os irmãos Eli e Gershon Luxemburg. “Todo ser humano tem um lado ruim. Por isso existe hostilidade e violência”, explica Eli, o mais velho. “Alguém lê notícias sobre a situação nos jornais e se exalta. Depois vem aqui e pratica. Dentro do ringue, coloca para fora toda sua raiva”, resume. “Mas, jogar limpo é uma obrigação. Ninguém vem aqui acertar contas”, acrescenta Gershon, o mais novo. “Nós observamos estes rapazes muito de perto. Se um deles luta com ódio, é expulso. Aceitamos somente o espírito de luta. Os boxeadores devem ser soldados e cavaleiros. Têm de se respeitar entre si”, acrescenta.</p>
<p>Os Luxemburg obtiveram suas credenciais de boxe no começo dos anos 1960 na ex-União Soviética, ambos na categoria peso pesado. Eli foi duas vezes campeão soviético e Gershon campeão do Uzbequistão. “Quando crianças, tivemos que aprender boxe para nos defendermos dos ataques antissemitas. Foi pura sobrevivência”, recorda Eli. Em 1972, recém-chegados a Israel, Gershon foi várias vezes campeão indiscutível do país, convertendo-se em fervoroso nacionalista. “Antes de começar a treinar outros lutadores, pensava que os árabes eram um obstáculo para nós neste país, e que não poderíamos viver juntos. Mas o boxe nos uniu”, assegura.</p>
<p>Ismail treina no clube desde os 14 anos, e já atuou como árbitro em torneios israelenses. Para ele, “o esporte não tem fronteiras. Colocamos as luvas e deixamos a situação política fora do ringue”. É mais fácil falar do que fazer: durante os piores anos do conflito, Ismail se manteve afastado para evitar encontros incômodos com outros membros do clube. “A quem importa a situação política. Estamos aqui. Somos mais do que amigos, eles são como uma família”, afirmou.</p>
<p>Em Jerusalém, israelenses e palestinos vivem vidas separadas, paralelas. Casa e educação separadas, aspirações políticas separadas, tudo contribui para uma crescente alienação mútua. No clube, além da paixão pelo boxe, o que parece unir estes israelenses e palestinos é seu contexto social. A maioria procede de bairros pobres, incentivados pelos Luxemburg para criar uma alternativa à vida de rua para os mais jovens, Ismail abriu um clube de boxe em sua própria comunidade. Os lutadores treinados por ele conquistaram colocações importantes nos acampamentos palestinos.</p>
<p>Outro palestino, Git Zakhalka, lidera uma seção de aquecimento, trotando pelo ringue, seguido por jovens israelenses aspirantes a boxeadores. Akiva reconhece que, além dos limites seguros do clube, não se encontra com palestinos. O boxe o mudou. “Antes, pensava que os árabes eram estúpidos, terroristas”, admite, envergonhado. “Mas conheci palestinos aqui e todos são legais. Somos amigos. Este é um grande lugar para adquirir certa perspectiva. Se ouço um amigo falar mal dos árabes, digo: você não conhece os árabes, eu conheço”, afirmou.</p>
<p>Ao soar a campainha, termina outra sessão de treinamento. Akiva e Ismail se cumprimentam amistosamente. Em tempos bíblicos, Davi e Golias lutaram até a morte, disse Akiva. Por outro lado, “aqui fazemos séries e ganhamos pontos”, acrescentou. Marcar pontos em séries de combate é exatamente o que israelenses e palestinos fazem há quase 63 anos. O gongo os salvará? “Há guerra, mas também há vida. Podemos lidar com isto”, disse Gershon. Envolverde/IPS</p>
<p>(FIN/2011)</p>
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