Categorized | Português, WSF 2010

Malaui perde apoio na luta contra a aids

Posted on 05 January 2011 by editor

Lameck Masina

Blantyre, Malaui, 5/1/2011, (IPS TerraViva) – Ativistas no Malaui expressaram preocupa√ß√£o pelo fato de o Fundo Mundial de Luta contra a Aids, a Tuberculose e a Mal√°ria rejeitar o pedido deste pa√≠s de US$ 600 milh√Ķes para o per√≠odo 2011-2016

Contudo, o governo insiste que não há necessidade de se preocupar. A secretária-executiva para o Comitê Coordenador do Malaui junto ao Fundo Mundial, Edith Mkawa, anunciou, no dia 28 de dezembro, que a proposta do país novamente fora rechaçada.

O pedido de apoio financeiro tinha o objetivo específico de enfrentar a transmissão vertical (de mãe para filho) do HIV (vírus da deficiência imunológica humana), causador da aids, dando tratamento a todas as grávidas infectadas. O Malaui esperava estender seus tratamentos com antirretrovirais de 287 mil para 537 mil pacientes até o final deste ano fiscal.

Este pa√≠s da √Āfrica austral tamb√©m queria continuar promovendo a circuncis√£o masculina volunt√°ria para reduzir a preval√™ncia da doen√ßa, que permanece em 12% desde 2007. Cerca de um milh√£o de homens foram circuncidados no per√≠odo de execu√ß√£o do √ļltimo programa. Edith informou que n√£o foram dadas raz√Ķes para a rejei√ß√£o ao pedido de ajuda. ‚ÄúEsperamos para saber o motivo da rejei√ß√£o‚ÄĚ, disse aos jornalistas.

Para alguns m√©dicos, a negativa n√£o foi uma surpresa. A organiza√ß√£o M√©dicos Sem Fronteiras (MSF) j√° alertara, em um artigo em seu site no dia 8 de dezembro, que, devido a d√©ficits or√ßamentais dos organismos internacionais, v√°rios pa√≠ses africanos ‚Äúpoderiam ser desqualificados do financiamento contra o HIV/aids no futuro pr√≥ximo‚ÄĚ. O ‚ÄúMSF est√° seriamente preocupado porque v√°rios pa√≠ses de baixa renda e com alta preval√™ncia de HIV, como Malaui, Zimb√°bue, Mo√ßambique, Suazil√Ęndia e Lesoto, correm o risco de terem negado financiamento contra o HIV e a tuberculose‚ÄĚ, dissera o MSF.

A diretora-executiva da Rede pela Igualdade em Sa√ļde do Malaui, Martha Kwataine, qualificou a not√≠cia de decepcionante. ‚ÄúO impacto √© enorme. Cerca de 90% das atividades contra o HIV no pa√≠s s√£o financiados por doadores. Isto significa que ser√° interrompida‚ÄĚ a luta contra a doen√ßa, alertou.

Martha disse que isto deveria servir de advert√™ncia ao governo para que deixasse de depender excessivamente do financiamento de doadores. ‚ÄúN√£o podemos continuar dependendo de doadores. √Č nossa gente que precisa de antirretrovirais. Sempre disse que o povo do Malaui n√£o √© povo do Fundo Mundial. O Estado √© o respons√°vel por oferecer cuidados m√©dicos aos seus cidad√£os‚ÄĚ, acrescentou.

S√£o atribu√≠das √† aids, 59% das mortes de pessoas entre 15 e 59 anos de idade no Malaui, pa√≠s com 13 milh√Ķes de habitantes. Segundo Martha, a rejei√ß√£o do Fundo Mundial coloca em risco a vida de muitas pessoas. ‚ÄúIsto √© muito perigoso, porque as pessoas que deixam de tomar os antirretrovirais por dois ou tr√™s meses desenvolvem uma resist√™ncia e acabam morrendo‚ÄĚ, afirmou.

A diretora-executiva da Associa√ß√£o Nacional para Pessoas que Vivem com HIV/aids no Malaui, Amanda Manjolo, alertou que a negativa do Fundo ter√° consequ√™ncias perniciosas. ‚ÄúJ√° que o principal objetivo da proposta eram os medicamentos antirretrovirais, isto definitivamente significar√° sua escassez no futuro pr√≥ximo‚ÄĚ, afirmou. Por√©m, a secret√°ria principal no Escrit√≥rio do Presidente e encarregada do gabinete para programas de nutri√ß√£o e aids, Mary Shawa, disse que a situa√ß√£o n√£o √© dram√°tica.

‚ÄúEmbora seja uma not√≠cia triste, a rejei√ß√£o n√£o ter√° efeitos imediatos, pois atualmente temos recursos suficientes para chegar a 2012. Entretanto, consideramos isto um alerta, j√° que devemos continuar fornecendo antirretrovirais a quem tem HIV‚ÄĚ, ressaltou Mary, informando que o governo busca doadores n√£o tradicionais.

Como outros pa√≠ses da Comunidade para o Desenvolvimento da √Āfrica Austral, o Malaui come√ßou a tratar gr√°vidas com HIV seguindo as recomenda√ß√Ķes da Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde. ‚ÄúSeguiremos as diretrizes da OMS. Temos suficiente financiamento com o dinheiro que recebemos de outros doadores, como Banco Mundial e DEID (Departamento para o Desenvolvimento Internacional)‚ÄĚ da Gr√£-Bretanha, assegurou.

O Fundo Mundial informou que apenas 79 das 150 propostas de subven√ß√Ķes foram aceitas este ano. Outros pa√≠ses que n√£o receberam financiamento s√£o Suazil√Ęndia, Mo√ßambique, Rep√ļblica Democr√°tica do Congo e Zimb√°bue. Este √ļltimo, como o Malaui, recebe assist√™ncia do Fundo Mundial desde 2002. Amanda pediu uma nova considera√ß√£o dos pedidos. Envolverde/IPS

(FIN/2011)

Share

Leave a Reply

Advertisement - CAIXA

World Assembly of Migrants
TerraViva - 9 February 2011
TerraViva - 9 February 2011   TerraViva - 8 February 2011   TerraViva - 7 February 2011

Key Global Coverage on IPS NEWS

IPSNews Pictures on www.flickr.com
 

			Nnimmo Bassey - Friends of the Earth, Nigeria   
			Seminar on Migration   
			Traders at the WSF   
 

			The People Need to Take Leadership   
			WSF attracts global participation   
			Representatives from Western Sahara at the WSF   
Multimedia content Partners

Flamme d'Afrique     Panos Institute West Africa

World Social Forum