Medo do desconhecido

Posted on 04 February 2011 by editor

A policia contro os manifestantes. Crédito: Mohammed Omer/IPS TerraViva.

Cam McGrath

Cairo, Egito, 4/2/2011, (IPS TerraViva) – A revolta popular iniciada por jovens no Egito contra o regime de Hosni Mubarak ganhou propor√ß√Ķes hist√≥ricas, e agora muitos deles se perguntam quem o substituir√° se finalmente conseguirem derrub√°-lo.

‚ÄúNo come√ßo s√≥ pens√°vamos em como tirar Mubarak‚ÄĚ, disse o ativista Seif Abdallah, que se considera um mu√ßulmano moderado. ‚ÄúQueremos elei√ß√Ķes livres e justas, mas temos medo, tanto crist√£os quanto mu√ßulmanos, de tirar um ditador para substitu√≠-lo por um Estado isl√Ęmico como o Ir√£‚ÄĚ, acrescentou.

Organiza√ß√Ķes populares como Kefaya, Movimento Juventude 6 de Abril e o Dia da Ira, celebrado em 25 de janeiro, s√£o rea√ß√Ķes a d√©cadas de governos opressivos, √† corrup√ß√£o e √† mis√©ria absoluta, disse Mina Rizqallah, ativista e advogado da Uni√£o de Eg√≠pcios por um Pensamento Liberal. Mina √© favor√°vel √†s reclama√ß√Ķes, mas teme que um governo isl√Ęmico radical surja do confuso panorama pol√≠tico que reina no Egito.

‚ÄúOs organizadores dos protestos querem a sa√≠da de Mubarak, mas n√£o t√™m claro como a hist√≥ria continuar√°‚ÄĚ, afirmou o advogado √† IPS. ‚ÄúEmpregam palavras vazias como democracia e liberdade‚ÄĚ, acrescentou. ‚ÄúFoi uma democracia que levou os nazistas ao poder na Alemanha e o Hamas em Gaza, e pode ocorrer o mesmo aqui com a Irmandade Mu√ßulmana‚ÄĚ, ressaltou Mina. Fundada em 1928, esta organiza√ß√£o √© a maior e mais organizada for√ßa de oposi√ß√£o e defende um Estado baseado na shari√° (lei isl√Ęmica).

Esta organiza√ß√£o proscrita renunciou √† viol√™ncia nos anos 1970 e optou pela participa√ß√£o pol√≠tica, mas seus membros s√£o frequentemente detidos e enviados √† pris√£o. Candidatos da Irmandade Mu√ßulmana, que se apresentaram como independentes nas elei√ß√Ķes legislativas de 2005, obtiveram 88 cadeiras, cerca de 20%, no parlamento. O √™xito sem precedentes foi de curta dura√ß√£o. Ap√≥s o governo usar de uma artimanha, a organiza√ß√£o n√£o conseguiu nenhuma cadeira nas elei√ß√Ķes de 2010, marcadas pela viol√™ncia e consideradas fraudulentas pelos observadores.

A Irmandade n√£o come√ßou a revolta popular, atribu√≠da a jovens eg√≠pcios, a maioria laicos, mas ser√° a primeira a se beneficiar for alcan√ßada uma mudan√ßa pol√≠tica. ‚ÄúA oposi√ß√£o √© fraca, est√° dividida e n√£o tem experi√™ncia‚ÄĚ, explicou Moustafa Kamel el-Sayed, professor de ci√™ncias pol√≠ticas da Universidade do Cairo. A Irmandade Mu√ßulmana √© a √ļnica organiza√ß√£o com quantidade de gente capaz de assumir o controle pol√≠tico, disse, lembrando que, ‚Äúno caso de haver elei√ß√Ķes, ser√° a que ter√° maior influ√™ncia‚ÄĚ.

A possibilidade de uma organiza√ß√£o isl√Ęmica poder assumir o governo levou alguns manifestantes a repensarem sobre sua determina√ß√£o de expulsar Mubarak j√°. ‚ÄúEstive na Pra√ßa Tahrir desde o come√ßo, dia 25 de janeiro, mas agora tento convencer meus amigos a n√£o continuar e aceitar a promessa de Mubarak de deixar o poder em setembro‚ÄĚ, afirmou a universit√°ria Amina Ghanem. ‚ÄúPrecisamos de mais tempo para fortalecer a oposi√ß√£o com vistas √†s elei√ß√Ķes, do contr√°rio a Irmandade Mu√ßulmana obter√° uma grande maioria‚ÄĚ, acrescentou.

Os crist√£os coptos, que s√£o 10% dos 82 milh√Ķes de habitantes, est√£o especialmente nervosos quanto ao futuro pol√≠tico do pa√≠s. Seu temor tem base nos √ļltimos epis√≥dios de viol√™ncia sect√°ria no Egito e os repetidos ataques contra igrejas no Oriente M√©dio, cometidos por organiza√ß√Ķes isl√Ęmicas. Uma igreja na cidade de Alexandria foi bombardeada no Ano Novo, o que custou a vida de 23 pessoas e ferimentos em mais de uma centena. A Irmandade Mu√ßulmana condenou o ataque, cometido ‚Äď segundo as autoridades ‚Äď por grupos vinculados √† rede extremista Al Qaeda no territ√≥rio palestino de Gaza.

O destacado empres√°rio copto Naguib Sawiris expressou sua preocupa√ß√£o de que o Isl√£ pol√≠tico cres√ßa √† custa do mal-estar que reina no Egito. ‚ÄúO movimento n√£o foi manipulado por pol√≠ticos. √Č uma mobiliza√ß√£o juvenil e faremos o que pudermos para garantir que as for√ßas religiosas radicais que querem nos levar de volta √† Idade M√©dia n√£o se aproveitem dela‚ÄĚ, acrescentou.

A Irmandade Mu√ßulmana ‚Äúficou √† margem‚ÄĚ do levante, mas sua participa√ß√£o foi vital para o √™xito da Marcha do Milh√£o, no Cairo, realizada no dia 1¬ļ, disse a analista pol√≠tica Dina Shehata. A organiza√ß√£o mobilizou suas bases para a manifesta√ß√£o hist√≥rica. Seus partid√°rios pediam a sa√≠da de Mubarak e distribu√≠am panfletos nos quais diziam que ‚Äúo Isl√£ √© a solu√ß√£o‚ÄĚ.

A organiza√ß√£o tamb√©m n√£o apresentou nenhum presidenci√°vel, o que a deixaria exposta, segundo analistas. Entretanto, apoiou Mohammad el Baradei, ex-diretor geral da Ag√™ncia Internacional de Energia At√īmica e bem visto pela imprensa ocidental. Baradei √© um reformista laico e liberal, mas reconheceu que o apoio da Irmandade Mu√ßulmana √© crucial para reunir votos, especialmente entre os mais pobres. ‚ÄúS√£o conservadores do ponto de vista religioso, mas est√£o dispostos a trabalhar em um Estado com sociedade civil‚ÄĚ, disse Baradei, ganhador do Nobel da Paz. Envolverde/IPS

(FIN/2011)

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