Os que perderam constroem pontes

Posted on 06 January 2011 by editor

Crédito: Cortesia PCFF web.

Mel Frykberg

Jerusal√©m, Israel, 5/1/2010, (IPS TerraViva) – As conversa√ß√Ķes de paz no Oriente M√©dio continuam paralisadas, mas ativistas se negam a esperar sentados.

O C√≠rculo de Pais – F√≥rum de Fam√≠lias, integrado por israelenses e palestinos que perderam familiares no conflito, tenta construir pontes entre os dois lados. ‚ÄúEsperar que nossos respectivos l√≠deres fa√ßam a paz demorar√° muito‚ÄĚ, disse √† IPS o diretor do escrit√≥rio israelense da organiza√ß√£o, Rami Elchanan.

‚Äú√Č por meio das pessoas comuns que podemos criar um futuro diferente. Queremos prevenir mais sofrimento, influenciando o p√ļblico e os pol√≠ticos para que prefiram o caminho da paz ao da guerra, bem como educando sobre a paz e a reconcilia√ß√£o‚ÄĚ, afirmou Rami. ‚ÄúTamb√©m queremos promover o fim de todo ato de hostilidade e o √™xito de um acordo pol√≠tico, impedindo o uso da dor como meio para expandir a inimizade entre os dois povos‚ÄĚ, ressaltou.

A cada semana, membros da organiza√ß√£o d√£o palestras em escolas, universidades, hot√©is e outros centros para israelenses, palestinos e estrangeiros. O grupo tamb√©m organiza acampamentos de ver√£o, oferece semin√°rios de lideran√ßa e realiza document√°rios para o r√°dio e a televis√£o. Tamb√©m organiza confer√™ncias na comunidade aut√īnoma espanhola do Pa√≠s Basco e na Irlanda do Norte.

A entidade √© formada por 13 palestinos e israelenses que trabalham em dois escrit√≥rios,¬†um em Tel Aviv e outro na cidade palestina de Aram, ao norte de Jerusal√©m. O pessoal tem apoio de um grande grupo de volunt√°rios capacitados e experientes, procedentes de fam√≠lias afetadas, e por uma rede de organiza√ß√Ķes internacionais. Wilhem Verwoerd, neto do ex-primeiro-ministro da √Āfrica do Sul e arquiteto do apartheid nesse pa√≠s, Hendrik Verwoerd, expressou sua admira√ß√£o pelo C√≠rculo depois que este visitou a Irlanda do Norte, onde reside atualmente.

Aziz Sara, um palestino membro da organiza√ß√£o, perdeu seu irm√£o mais velho, Tayseer, depois que este foi torturado pelas for√ßas de seguran√ßas israelenses, h√° 15 anos. ‚ÄúMe tornei extremamente ressentido e furioso. Apesar de ter dez anos, sabia que sua morte n√£o fora natural e que algu√©m era respons√°vel. Cresci com raiva em meu cora√ß√£o. Queria justi√ßa e vingan√ßa‚ÄĚ, recordou Aziz.

Com o passar dos anos e gra√ßas ao seu envolvimento com o C√≠rculo, foi mudando de pensamento. ‚ÄúMe senti na obriga√ß√£o de utilizar minha dor para propagar a paz, em lugar de us√°-la para alimentar o √≥dio, que acabaria me consumindo. Creio que todos estamos obrigados a dar o melhor de n√≥s para criar a paz‚ÄĚ, acrescentou Aziz.

Outra integrante do grupo, Moira Julani, de 43 anos, m√£e de tr√™s filhas, tamb√©m processa sua dor. ‚ÄúAlguns dias me sinto furiosa e quero vingan√ßa, mas a maior parte dos dias penso na situa√ß√£o de maneira racional e quero educar as pessoas sobre a situa√ß√£o no terreno na Palestina ocupada‚ÄĚ, contou. ‚ÄúN√£o desejo que outros sofram o que estou sofrendo, n√£o importa sua religi√£o ou nacionalidade‚ÄĚ, disse √† IPS. ‚ÄúN√£o estamos discutindo a quem culpar, quem come√ßou o conflito ou quem sofreu mais. Reconhecemos a outra parte como seres humanos iguais que sofrem da mesma forma que sofremos‚ÄĚ, destacou.

O israelense Rami, de 61, tem hoje tr√™s filhos. H√° 13 anos, perdeu sua filha adolescente, Smadar. ‚ÄúEstava dirigindo para o aeroporto de Tel Aviv quando recebi um telefonema desesperado da minha mulher em Jerusal√©m dizendo que havia ocorrido um atentado suicida palestino e que Smadar estaria perto‚ÄĚ, recordou. ‚ÄúAs horas seguintes passei contatando delegacias e hospitais, tentando desesperadamente saber sobre minha filha. Por fim, fomos identificar seu corpo. No dia em que Smadar morreu, uma grande parte de mim tamb√©m morreu‚ÄĚ, disse Rami. No atentado morreram cinco israelenses, incluindo Smadar, e centenas ficaram feridos quando tr√™s jovens palestinos da Cisjord√Ęnia se explodiram em um mercado, em setembro de 1997. Smadar ia com amigos comprar livros.

Moira Julani perdeu o amor de sua vida devido √† viol√™ncia do conflito. Mas sua perda ocorreu do outro lado da fronteira. H√° v√°rios meses, seu marido, palestino, Ziad, foi assassinado a queima-roupa por um policial israelense. ‚ÄúEra um dia bonito, e Ziad me dissera que preparasse as meninas porque ao regressar ir√≠amos ao Mar Negro. Ele se preparava para as ora√ß√Ķes isl√Ęmicas da sexta-feira‚ÄĚ, contou Moira √† IPS.

Quando Ziad dirigia por Jerusal√©m oriental, ficou preso no meio de pedradas e fogo cruzado entre jovens palestinos e soldados israelenses. Virou para evitar as pedras e acidentalmente esbarrou nos policiais, que abriram fogo contra ele. Assustado, saiu do carro e tentou fugir, mas caiu no ch√£o gravemente ferido. Um dos policiais se aproximou e disparou v√°rias vezes contra sua cabe√ßa. Morreu pouco depois no hospital. O policial mudou sua vers√£o do caso em v√°rias ocasi√Ķes. Nenhum dos uniformizados envolvidos foi levado √† justi√ßa. ‚ÄúMeu marido n√£o tinha nenhuma atividade pol√≠tica‚ÄĚ, afirmou Moira √† IPS. Envolverde/IPS TerraViva

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