Pobreza sem fronteiras

Posted on 04 February 2011 by editor

Ativistas na marcha inaugural do Fórum Social dos Estados Unidos no passado em Detroit. Crédito: Cortesia do USSF.

By Andra Lunt

Nova York, Estados Unidos, 4/2/2011, (IPS TerraViva) – É a terra da liberdade, dos grandes luminosos e dos hambúrgueres, onde aventureiros de todo o planeta chegam em busca de fama e fortuna.

Os Estados Unidos são símbolo de esperança por séculos, mas por trás desta imagem de riqueza há uma história poucas vezes contada. A insegurança alimentar, a falta de acesso a água e o desemprego parecem problemas de um país do Sul em desenvolvimento, mas estão bem documentados nesta “terra dos livres”.

Às vésperas do Fórum Social Mundial (FSM), que acontecerá na capital do Senegal entre os dias 6 e 11, grupos da sociedade civil dos Estados Unidos exortam seus líderes políticos a recordarem que os problemas sociais estão presentes em todo o mundo, seja em um subúrbio de Detroit ou em uma comunidade de Dacar.

“De certo modo, há um erro de conceito ao redor do mundo de que, como vivemos nos Estados Unidos, não temos pobreza. Mas esta é real, especificamente no Estado de Michigan”, disse Oya Amakisi, ativista social que viajará ao FSM de Dacar. “Nossas vidas são muito precárias neste momento. Tem gente vivendo em automóveis”, disse à IPS. Oya participou da organização do Fórum Social Mundial dos Estados Unidos (USSF) no ano passado, que reuniu mais de 20 mil participantes de todo o mundo por cinco dias em Detroit. Também está filiada à iniciativa Detroit a Dacar (D2D), destinada a traçar paralelos entre as lutas sociais da América do Norte e dos países da África.

Oya disse esperar que o próximo FSM seja uma instância em que ativistas de todo o mundo possam estar presentes para compartilhar experiências e buscar soluções concretas, e não apenas discutir. “Realmente, queremos aprender como criar um ambiente efetivo e uma transformação de longo prazo. Outro mundo é possível. Esta não é nossa única opção. Lutar a cada dia não deve ser nossa única alternativa. Tentar ver como podemos pôr um teto sobre nossas cabeças e dar de comer aos nossos filhos não deve ser nossa única opção. O que queremos é ser tratados como seres humanos e que nossas vozes sejam ouvidas”, afirmou.

Do FSM também participará outro colaborador da iniciativa D2D, William Copeland, do Conselho de Ação Ambiental de Michigan Oriental. Como coordenador de jovens, William conhece as lutas diárias das famílias em Detroit, uma das cidades mais afetadas pela crise financeira mundial. Como em muitas comunidades na África, os moradores dessa cidade norte-americana são obrigados a lutar por seus direitos a terra, por segurança alimentar e por um acesso justo a água.

“Detroit é considerada um deserto de comida, isto é, onde os alimentos frescos são difíceis de se conseguir dentro dos limites da cidade”, disse William. “É entre quatro ou cinco vezes mais fácil encontrar uma loja que venda álcool ou uma rede de fast food do que qualquer alimento fresco e nutritivo. Agora as pessoas cultivam alimentos em prédios abandonados e no quintal de suas casas. Também há muita luta sobre água, propriedade da água e acessibilidade a ela”, acrescentou.

Desde o USSF do ano passado, vários grupos comunitários de Detroit lançaram programas destinados a enfrentar os problemas sociais da cidade. Entre estes estão a Coalizão pela Justiça Digital de Detroit, que pressiona os meios de comunicação para que ajudem as pessoas desempregadas a desenvolverem habilidades empresariais, e a Força de Tarefas por Justiça Alimentar, dedicada a reconstruir a cadeia de alimentos da cidade para ajudar mais fazendeiros locais e garantir melhor acesso a comida saudável.

Embora estes programas potencializem os cidadãos de Detroit, Nunu Kidane, da Rede Prioridade África, com sede no Estado da Califórnia, disse que a delegação da D2D no FSM tentará aprender outros modelos de desenvolvimento comunitário de ativistas do resto do mundo. “É preciso construir alianças e solidariedade, se queremos uma solução alternativa ao problema da pobreza em diferentes partes do mundo”, disse a ativista.

“As pessoas sempre têm a ideia de que a África é um lugar onde há necessidades e para onde temos de enviar dinheiro e ajuda. Mas estamos tentando traçar um paralelo aqui nos Estados Unidos, onde também há bolsões de pobreza, enquanto na África há lugares diferentes onde as pessoas são muito ricas”, acrescentou. “Todos estamos unidos no atual modelo, um sistema econômico que parece beneficiar os que exploram os recursos do mundo, à custa dos que não o fazem”, ressaltou.

Nunu afirmou que, embora muitos acusem o FSM de ser apenas uma instância de diálogo e debates sem resultados concretos, para ela continua sendo uma das plataformas mais importantes para que os líderes comunitários possam fazer ouvir suas vozes. “Eu diria que, no contexto do que ocorreu nos últimos anos, é fenomenal o tipo de novas conexões que se conseguiu. Apesar de todos os problemas, o Fórum pode proporcionar muitas contribuições”, disse. Envolverde/IPS (FIN/2011)

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