Seguir em frente com esperanças renovadas

Posted on 12 February 2011 by admin

Por Correspondentes da IPS

Kutoka kwa: Abdullah Vawda/IPS

Marcha nas ruas de Dacar. Crédito: Abdullah Vawda/IPS

Dacar, Senegal, 11/2/2011 (IPS/TerraViva) – Começou com uma marcha pelas ruas de Dacar, cresceu com o chamado de uma nova era global e está terminando com o desafio para os ativistas de levar esse clamor além dos corredores do Fórum Social Mundial (FSM).

Falando para os milhares que marcharam pela capital senegalesa no início do Fórum, o presidente boliviano Evo Morales fez um apelo para que haja programas de luta social para construir um novo mundo.

“Precisa haver conscientização e mobilização para colocar um ponto final no capitalismo e mandar embora invasores, neocolonialistas e imperialistas. [...] Eu apoio o levante popular na Tunísia e no Egito. São sinais de mudanças”, disse Morales.

Foi uma oportuna coincidência que, depois de trinta anos no poder no Egito, Hosni Mubarak finalmente cedeu às quase duas semanas de protestos das massas e renunciou no mesmo dia em que o Fórum chega ao seu final.

A luta no Egito chamou a atenção para muitas questões importantes em Dacar, como o agravamento da pobreza devido à crise financeira mundial, os conflitos religiosos que ameaçam uma minoria, as questões de desigualdade de gênero reforçadas pela cultura e pela lei, os povos alienados de seus direitos democráticos e das suas liberdades individuais, em grande parte por causa dos bilhões de dólares que os Estado Unidos deram como apoio para um aparelho de segurança opressivo.

O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse aos delegados que as doutrinas liberais impostas aos países pobres no mundo não têm mais lugar na sociedade moderna. “Na América do Sul, e acima de tudo nas ruas de Túnis e do Cairo e em muitas outras cidades africanas, está nascendo uma nova esperança. Milhões de pessoas estão se erguendo contra a pobreza à qual estão sujeitas, contra o domínio de tiranos e contra a submissão dos seus países a uma política dos grandes poderes”, disse Lula.

Na sua sexta edição, o Fórum permanece como um espaço de debate aberto e honesto. O presidente senegalês Abdoulaye Wade não hesitou ao declarar seu apoio à economia de mercado, que a maioria dos participantes rejeita, e deixou um desafio para os participantes no que diz respeito ao estabelecimento de uma instituição global como as Nações Unidas.

“Se vocês que estão aqui, se tivessem apoiado essa ideia, então a África já estaria no Conselho de Segurança. Desde 2000 eu segui o movimento de vocês, mas continuo – e me desculpem a franqueza – me fazendo a mesma pergunta: Vocês já obtiveram sucesso em mudar o mundo em nível global?”

É um desafio que os participantes do Fórum levaram muito à sério. O ativista queniano por justiça social, Onyango Oloo, peça fundamental na organização de 2007 em Nairóbi, e que não pode ir na edição deste ano, sugeriu que a construção de um novo mundo está acontecendo, porém longe da atenção da mídia.

O FSM é um local onde aqueles que o constroem podem falar diretamente uns aos outros. Organizadores disseram que 75 mil pessoas de 132 países compareceram para compartilhar suas experiências de injustiças e resistências, para conhecer outros pontos de vista e retornar para casa com novas inspirações.

Para a ativista Beverley Keene, de Buenos Aires, ir ao Fórum na África foi importante. “É nosso tempo de aprender uns com os outros e avaliar o impacto que a crise financeira e a exploração de minerais tem na vida das pessoas”.

O participante libanês Ounsi Daif disse que fez trocas importantes com pessoas da Tunísia e da Palestina, assim como com estudantes da universidade que abrigou o FSM. “Eu descobri algumas realidades da Árica ocidental, que não tinha ideia. Eu descobri as desigualdades, descobri também as políticas do neo-liberalismo, descobri um monte de coisas”, disse.

Anietie Ewang, do Delta do Rio Niger, disse que foi uma experiência que a fez acordar. “Uma oportunidade para rever estratégias, de pegar as estratégias de todos os outros participantes, aquelas que você aprendeu dos testemunhos e ir em frente, continuar a luta com todo o entusiasmo do mundo”, contou.

“A primeira coisa e mais importante que alguém pode aprender com o que houve na Tunísia é que quando o povo diz não para a opressão tudo é possível”, disse Azza Chamkhi, da Tunísia.

O otimismo aparente na declaração de Chamkhi mostra tanto o apelo do Fórum Social Mundial quanto o que é frustrante sobre isso.

“O FSM tem uma tendência de girar em círculos, por assim dizer, por causa dos limites inerentes em seus slogans e lema”, afirmou o estudante americano Joel Kovel, co-autor do Manifesto Ecossocialista. “Outro mundo é possível”, repetido diversas vezes, acaba sendo desencorajador porque nunca se diz o formato desse novo mundo.

Agora as pessoas da Tunísia e do Egito – talvez como os sul-africanos, iranianos, chilenos e afro-americanos antes de tudo – se encontram no limiar de um novo mundo.

“O ditador se foi, mas a ditadura ainda está lá”, disse Chamkhi

Milhares de ativistas estão indo embora de Dacar para colocar em prática o que aprenderam.

(FIM/2011)

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  1. Seguir em frente com esperanças renovadas | Placedelamode Says:

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