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AGRICULTURA-CHADE
Agricultores e Pastores em Conflito nos Campos de Refugiados no Sul do País
David Axe

GORE, 15 de Julho, (IPS) - Picture Crédito:David Axe/IPS Refugiados centro-africanos com uma nova charrua, campo de Gondje, no sul do Chade Clarisse Larlombaye ficou quase arruinada quando uma manada de vacas entrou no seu arrozal uma noite. O minúsculo terreno com 900 metros quadrados, fora do campo de refugiados de Gondje, gerido pelas Nações Unidas, na luxuriante zona sul do Chade, representa a única fonte de rendimento para Larlombaye e para os outros dois refugiados centro-Africanos com quem ela o partilha.

Nos últimos anos, Larlombaye e os seus co-agricultores conseguiram produzir cada um uma média de 225 quilogramas de arroz por ano a partir do seu pequeno terreno. Larlombaye declarou que ela e a família normalmente consomem dois terços; o outro terço é vendido por cerca de 75 cêntimos por quilo nos mercados locais. Mas as vacas saqueadoras deixaram-lhe apenas 70 quilos no ano passado, quantidade que mal é suficiente para alimentá-la e à sua família.

O contacto de Larlombaye com a catástrofe é demasiado comum no sul do Chade, onde 60.000 refugiados centro-africanos competem com os residentes locais, e uns com os outros, por terra. A crescente crise assemelha-se às tensões que se agravam no Chade oriental entre 250.000 refugiados do Darfur e residentes locais sobre escassos recursos hídricos e lenha.

O gado faminto que invade os terrenos agrícolas não é um problema novo no Chade. Mas os incidentes estão a tornar-se cada vez mais frequentes e contenciosos, especialmente nos campos de refugiados do sul, e ainda em seu redor.

Apesar da tensão, as Nações Unidas apontaram os seus quatro campos no sul do Chade -- que albergam refugiados fugindo da agitação na República Centro-Africana -- como modelos de auto-suficiência agrícola, especialmente quando comparados com os campos a oriente, ainda extremamente dependentes dos donativos alimentares canalizados através do Programa Mundial Alimentar das Nações Unidas.

O carácter de relativa abundância do sul do Chade comparado com o oriente árido é a chave. "O sul do Chade não é uma zona saariana. É um local onde pode haver agricultura," disse Serge Male, o representante do Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados no Chade.

Male afirmou que, nos três anos desde que foram criados os campos no sul, os programas agrícolas administrados pelas Nações Unidas reduziram ao mínimo o auxílio alimentar externo. Num campo situado perto da cidade de Gore, 40 quilómetros a norte da fronteira com a República Centro-Africana, cerca de 4.300 agricultores e 1.700 pastores refugiados alimentam cerca de 24.000 outros refugiados.

Muitos dos agricultores e dos pastores até têm suficiente para vender comida e gado no mercado aberto, chegando a ganhar 25 dólares por uma caixa de amendoim de 100 quilos e 150 dólares por cabeça de gado, num país onde 25 cêntimos compram uma carcaça de pão.

No sul, o auxílio alimentar é reservado para os que estão doentes e para os idosos, mães solteiras e outras "populações vulneráveis."

Mas a auto-suficiência alimentar dos refugiados centro-africanos é ameaçada pela falta de terra… e pelas relações medíocres entre agricultores e pastores dentro e fora dos campos. O arrozal de Larlombaye não é o único a ser devastado por manadas no último ano. Para muitos agricultores em Gore, incluindo residentes não refugiados, é a queixa número um.

Etienne N'Doubatar, presidente não refugiado de uma cooperativa agrícola de arroz, afirmou que os animais vagueiam à noite quando os pastores estão a dormir. O que é que N'Doubatar e os outros agricultores podem fazer? Encolheu os braços quando lhe colocaram essa pergunta. "Apanhá-los e libertá-los," disse. Com faltas de materiais e de ferramentas de toda a espécie, é pouco prático construir vedações.

Os pastores têm as suas próprias queixas. Dizem que as suas manadas têm fome. Com o crescente aumento de refugiados e animais -- o Chade aceitou mais 10.000 refugiados centro-africanos este ano --, os pastores têm agora de andar 15 quilómetros com os seus animais para encontrar forragem. E não existem quaisquer recintos nos campos ou em seu redor, novamente devido à falta de ferramentas e animais -- e de espaço.

Pior ainda, de acordo com Ali Moussa, pastor refugiado, são as acusações. Diz que quando há uma disputa sobre animais soltos, devia ser resolvida como se fosse "entre amigos." Mas quando os agricultores descobrem que as suas colheitas foram mastigadas de um dia para o outro até pouco ficar, têm tendência para fazerem "acusações falsas," apontando os pastores mais próximos, independentemente das provas.

As Nações Unidas encorajam a mediação. "Há mecanismos locais - comités mistos compostos por locais e refugiados - para reconciliar os problemas existentes com as manadas," asseverou Boubacar Amadou, técnico agrícola que trabalha para o ACNUR em Gore. Referiu que os comités patrocinados pelas Nações Unidas conseguiram evitar a violência motivada pelos animais saqueadores.

Mas os comités não podem resolver as causas subjacentes do conflito. Não há terra aproveitável suficiente. Boubacar sublinhou o termo " aproveitável ". O sul do Chade não parece sobrepovoado, mas as densas florestas fazem com que uma grande parte das terras não seja apropriada para a agricultura, incluindo a criação de animais.

Uma solução consiste em trazer tractores para ajudar a desbravar mais terra. Mas com os agricultores locais a endividarem-se para conseguirem adquirir simples charruas puxadas por animais, que podem custar mil dólares localmente, ninguém tem os meios necessários para adquirir tractores.

O grupo de assistência Africare, que oferece conhecimentos técnicos agrícolas aos escritórios locais das Nações Unidas, tem tractores que oferece a título de empréstimo - mas não há tractores suficientes para todos. No dia 8 de Julho, N'Doubatar, o agricultor de arroz, conseguiu obter os serviços de um tractor para revolver um velho arrozal, mas noutros sítios na zona, os agricultores preparavam os campos manualmente, nalguns casos esperando em filas de dez pessoas de lado a lado para utilizar um número insuficiente de enxadas.

A solução do agricultor refugiado Kondjom Joker é mais simples mas, em última análise, menos sustentável. Disse que, mesmo depois de um longo dia de trabalho, não dorme durante a noite, passeando pelo seu campo de 18 hectares plantado recentemente, vigiando para ter a certeza que as vacas não entram nele. (FIN/2008)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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