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MULHERES-PAQUISTÃO
Enterrá-las vivas, “um velho costume”
Zofeen Ebrahim

Carachi, Paquistão, 17/09/2008, (IPS) - Ativistas pelos direitos humanos cobram do governo do Paquistão medidas contra os responsáveis por terem enterrado vivas cinco mulheres na província de Baluchistão.

Três delas foram executadas por pretenderem escolher com quem se casar. Políticos locais defendem esta prática como um “velho costume”. Três mulheres adolescentes e duas adultas foram enterradas vivas no dia 14 de julho na aldeia de Babakot, supostamente por ordem de Abdul Sattar Umrani, irmão de Sadiq Umrani, ministro provincial que pertence ao oficialista Partido do Povo do Paquistão (PPP).

Segundo a denúncia da Comissão Asiática de Direitos Humanos, com sede em Hong Kong, Umrani e seis cúmplices bateram nelas e dispararam contra as mulheres. Ainda estavam vivas quando as jogaram em um buraco e as sepultaram jogando sobre elas pedras e terra. A Comissão disse que as duas adultas eram mãe e tia de uma das adolescentes. Quando protestaram pelo que estavam sofrendo as moças, elas também foram jogadas na fossa e enterradas vivas. Ao que parece, as adolescentes foram “castigadas” por pedirem permissão para se casarem com os homens que haviam escolhido.

No dia 30 de agosto, a senadora opositora Yasmin Shah expressou sua preocupação pelo caso e acusou o governo de ignorá-lo. Seu colega do Baluchistão, Israrullah Zehri, respondeu que se trata de “um velho costume”, e teve o apoio do senador Jan Mohammad Jamili, que se queixou da “desnecessária politização” do caso. Os comentários de Zehir são “abomináveis” e “doentios”, disse à IPS Ali Dayan Hasan, da organização Human Rights Watch (HRW), com sede em Nova York.

“Argumentar no parlamente que o assunto não deve ser apresentado porque se politiza as tradições é desonesto e representa um desprezo do Senado para com a Constituição pela qual esse senador foi eleito”, acrescentou. “Estas bestas com forma humana não têm lugar em uma sociedade moderna”, disse à IPS o ativista Pervez Hoodbhoy. Os senadores Zehri e Jamali têm a lógica dos “homens das cavernas”, ressaltou. Samar Minallah, que lutou contra práticas tribais brutais no Paquistão, alertou que há muitos Zehris e Jamalis no parlamento, que compartilham as mesmas idéias que “perpetuam a opressão dos poderosos contra os fracos, dos homens contra as mulheres”.

Minallah ressaltou que a única diferença é que eles tiveram a honestidade de expressar publicamente seu pensamento. Hasan exigiu a imediata renúncia de Zehri. “Como estão as coisas, está se propagando o assassinato em nome dos costumes tribais”, afirmou. “Apoiando estes atos cruéis, esses legisladores demonstram ser violentos, perigosos demônios que devem ser removidos de imediato de qualquer posto público”, disse Hoodbhoy.

“Há muitas pessoas nesta sociedade que cometem múltiplos homicídios e se livram usando sua influência política. Vivemos na vergonha por sermos parte de uma nação que tolera esta barbárie”, afirmou. A. H. Nayyar, acadêmico e ativista humanitário de Islamabad. Não é a primeira vez que estes assassinatos se justificam em nome das tradições tribais, recordou. “Alguns de nossos exaltados senadores inclusive justificaram o assassinato a sangue frio de uma mulher, cometido por um sicário contratado pelos parentes da vítima no escritório de seu advogado na cidade de Lahore”, afirmou.

Nayyar se referia à morte em 1999 de Samia Sarwar, de 29 anos, baleada por querer se divorciar. A Constituição do Paquistão permite que toda mulher maior de 18 anos se case com quem quiser, mas, na prática, são severamente punidas se o fazem, inclusive com a morte, “afastando-se da tradição” de casamentos acertados, segundo a qual os pais entregam suas filhas a homens que só vão conhecer no dia do casamento.

Segundo a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, cerca de 636 mortes de mulheres em 2007 foram em razão dos chamados “assassinatos de honra”, mas calcula-se que muitas outras do mesmo tipo não constam das estatísticas. Os “assassinatos por honra” (em que uma família entrega a um sicário uma de suas filhas por tentar, por exemplo, se casar com o homem que ama mas que seus pais desaprovam) são castigados com a pena de morte desde 204. Mas, os criminosos raramente enfrentam a justiça. A pena máxima só vigora para as mulheres.

Umrani “se move com grande pompa, rodeado por guardas armados, sem medo de nada no mundo”, disse à IPS um ativista do Partido Republicano Baloch, que pediu para não ser identificado por razões de segurança. “Os corpos das adolescentes foram desenterrados e enterrados novamente em outro local para que a polícia não pudesse fazer a investigação”, acrescentou. Também disse que Sattar Umrani assassinou mais de duas dezenas de pessoas, fundamentalmente para se apropriar de suas terras, mas, jamais foi acusado por seus crimes. “Se pensam que o farão desta vez, é um erro. Isto é Paquistão: os poderosos podem assassinar com impunidade, não uma vez, mas quantas quiserem”, afirmou o ativista. (IPS/Envolverde)

(FIN/2008)

 
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