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Contra o trabalho escravo
Marcela Valente

Buenos Aires, 21/5/2010, (IPS) - Cooperativas têxteis da Argentina e da Tailândia criadas por ex-trabalhadores escravizados lançarão juntas, em junho, uma nova marca de roupas contra a exploração e a favor do trabalho decente na indústria do vestuário.

A organização argentina La Alameda e a tailandesa Dignity Returns colocarão à venda, no dia 4 de junho, milhares de camisetas com diversas estampas da marca “No Chains” (sem correntes) e esperam produzir outras peças em associação com outras cooperativas.

“É um grito a favor do trabalho decente e uma forma de mostrar que se pode produzir roupa de boa qualidade sem necessidade de escravizar os trabalhadores”, disse à IPS um dos promotores da ideia, Gustavo Vera, da La Alameda. Esta organização nasceu no final de 2001 como restaurante comunitário, onde chegavam numerosos trabalhadores bolivianos sem documentos que conseguiam fugir das oficinas clandestinas de costura, que se espalharam por Buenos Aires nos últimos anos.

As constantes denúncias desta organização, mais um grave acidente em uma das oficinas no qual morreram seis pessoas, cinco delas crianças, chamaram a atenção para o trabalho escravo baseado na mão-de-obra de imigrantes ilegais na Argentina. Estes cumpriam nessas oficinas longas jornadas sem descanso, amontoados no mesmo lugar onde viviam com suas famílias, sem documentos, dinheiro, e tinham apenas permissão para sair.

Essas oficinas clandestinas forneciam para grandes marcas multinacionais do vestuário como Puma, Bensimon, Lecoq, Soho ou Kosiuko, segundo denúncia de ex-trabalhadores perante a justiça, que expropriou o maquinário, mas sem condenar os responsáveis. Com alguns dos operários que deixaram essas oficinas, foi formada a cooperativa têxtil que tem sua própria marca, “Mundo Alameda”, e que trabalha com apoio da não governamental Fundação Avina.

Por outro lado, na Tailândia, um grupo de mulheres demitidas sem indenização da firma Bed and Bath, quando esta fechou, formaram a cooperativa Solidarity Factory que depois virou Dignity Returns. Suas integrantes asseguram que na fábrica faziam roupas para marcas como Nike, Gap e outras, e que eram obrigadas a trabalhar durante jornadas extenuantes, sendo multadas quando demonstravam cansaço. Os dois grupos se conheceram em 2009, durante um encontro internacional do Centro de Monitoramento de Recursos Trabalhistas, com sede em Hong Kong, e decidiram unir forças para que suas denúncias fossem ouvidas. A nova marca será lançada simultaneamente em Buenos Aires e Bangcoc.

Em seu site, a No Chains marca sua posição. “As roupas que vemos comumente, aquelas de importantes marcas, são majoritariamente produzidas em uma indústria que acorrenta os trabalhadores”. Por isso, a ideia não é só lançar uma marca ou iniciar uma empresa autogerenciada, mas, sobretudo, chamar a atenção para a necessidade de que a produção industrial seja feita com respeito à dignidade dos trabalhadores, sem exploração nem escravidão.

“Queremos denunciar por meio de um fato positivo a persistência do trabalho escravo, que tem mercados globais e que leva grandes marcas a se aproveitarem de situações sociais vulneráveis e de legislações fracas para impor o trabalho forçado em diferentes partes do mundo”, explicou Vera. Para as estampas, as cooperativas fizeram um concurso internacional e seis foram as ganhadoras: duas da Argentina, uma da Coreia do Sul, uma dos Estados Unidos, outra da Indonésia e uma da Hong Kong.

As cooperativas começaram a produção para o lançamento, e a ideia é colocar as roupas em consignação em diversos locais, de organizações não governamentais a sindicatos. Segundo informou Vera, a ideia é ampliar a sociedade em uma rede de cooperativas que se somem à campanha. De fato, há conversações para a incorporação de duas, das Filipinas e da Indonésia, que também denunciam o trabalho escravo. “Queremos chegar em poucos anos a englobar 20 a 30 cooperativas de diversos países do mudo em desenvolvimento”, afirmou. Também existem planos de diversificar a marca para outros produtos.

O projeto, segundo os observadores não tem antecedentes. Houve uma campanha de incentivo à venda da chamada “roupa limpa”, livre de trabalho escravo, propiciada por organizações de consumidores, mas nunca de produtores independentes. “Esta é a primeira vez que se unem trabalhadores procedentes de situações de escravidão para denunciar a exploração e mostrar que é possível produzir em condições trabalhistas dignas, decentes”, ressaltou Vera. IPS/Envolverde

(FIN/2010)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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