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Vidas virtuais prosperam sob o olhar do governo chinês
Kit Gillet

Pequim, 2/7/2010, (IPS) - Li Jun, de 24 anos, senta-se todas as noites diante de um computador do cibercafé de seu bairro, no leste da capital chinesa, para jogar na Internet.

É mais de meia-noite de um dia típico, embora quase todos os computadores do lugar estejam em uso. Não é uma façanha menor, já que centenas de computadores povoam este pequeno espaço que fica no segundo andar de um prédio. A cena se repete a cada noite em milhares de cibercafés de centenas de cidades na China, país que no final de 2009 tinha 384 milhões de usuários, número que aumenta 31,95 milhões por ano, segundo o Livro Branco sobre a Internet, divulgado em junho pelo governo chinês.

Esse ano, o site de buscas Google redirecionou seu serviço em chinês para o de Hong Kong, após se negar a continuar com a autocensura. Agora, os usuários que visitam o site http://www.google.cn são desviados para o http://www.google.com.hk. Apesar disso e das restrições impostas por Pequim a algumas buscas de conteúdo, a China é, de longe, o país onde se concentram mais usuários da Internet. O país tem 1,2 bilhão de habitantes. Mais de cem milhões de chineses fazem compras regularmente pela Internet. O comércio eletrônico do país fatura US$ 530 bilhões ao ano. Os equipamentos necessários para navegar na rede representam 10% das vendas totais da China no ano passado, segundo o Livro Branco. Além disso, estima-se que atualmente existam 220 milhões de blogueiros chineses.

Muitos elogiam esta situação, bem como a abundância de fóruns chineses na Internet, como um sinal de que a rede pode fornecer um espaço de liberdade para que a população do país se expresse sem medo das repercussões. “Os cidadãos chineses comuns veem a Internet como um canal para se manifestar, e o que publicam em um site frequentemente é visto por outros”, disse Kuang Wenbo, professor de jornalismo e comunicações na chinesa Universidade de Renmin e autoridade em matéria de Internet em seu país. Kuang descreve a popularidade da rede entre os chineses como “esmagadora”. Entretanto, nem todos concordam que esta liberdade de expressão na Internet seja tão benéfica para os direitos humanos nesta emergente nação asiática.

“A pessoa média com acesso à Internet ou à telefonia celular tem um senso de liberdade muito maior, e inclusive pode sentir que tem a capacidade de falar e ser ouvida, de um modo que não era possível sob o autoritarismo clássico”, escreveu a analista Rebecca MacKinnon pouco depois que o governo divulgou seu Livro Branco. “Isto também faz com que a maioria das pessoas tenha muito menos probabilidades de se unir a um movimento que exija uma mudança política radical”, explicou. “Em muitos sentidos, o regime usa a Internet não apenas para estender seu controle, como também para potencializar sua legitimidade”, acrescentou.

Apesar de suas próprias sugestões em contrário, o governo chinês claramente não está pronto para conceder uma liberdade total aos usuários da Internet. Sites como a rede social Facebook e o portal de vídeos YouTube são tradicionais vítimas da censura chinesa na Internet. De maneira semelhante, o Livro Branco apresenta uma longa lista do que são consideradas atividades ilegais na rede, entre as quais “subverter o poder do Estado e colocar em risco a unificação nacional; prejudicar a honra e os interesses do Estado, colocar em perigo a unidade étnica”.

Declarações feitas aos meios de comunicação chineses indicaram que logo será introduzido um sistema no qual será necessário usar os nomes reais nos fóruns da Internet, bem como para jogar on line, ou para definir a quem pertence um site. Esta medida eliminará o anonimato e tornará mais fácil rastrear quem diz o que o governo quer saber. Embora milhões de chineses tenham blogs, é, na realidade, a paixão pelos jogos o que faz com que Li e seus amigos frequentem os cibercafés da China.

No ano passado, os jogos pela Internet geraram para a China quase US$ 4 bilhões, por ser um importante passatempo para os jovens. Um estudo da Academia Chinesa de Ciências Sociais concluiu que 14% dos adultos do país são viciados em Internet. É preciso “ajudar a promover um uso sadio e científico da Internet entre os jovens”, disse Shen Jie, professor da Academia e diretor de projeto do informe, durante sua apresentação, em 18 de junho.

Li não considera que as duas horas por noite que passa jogando na Internet sejam um vício, mas esse tempo supera a marca de 90 minutos para o uso recreativo que a pesquisa de Shen estabelece. Apesar da preocupação com o vício pela Internet, o governo chinês se fixa no objetivo de aumentar em 45% a acessibilidade à rede no país nos próximos cinco anos. Essa meta vai muito além da média mundial de 26,6%, disse Kuang, o que significa que Li logo terá muito mais pessoas com as quais competir em seus jogos noturnos. IPS/Envolverde

* Publicado no The Asia Media Forum (http://www.theasiamediaforum.org), um espaço para que os jornalistas compartilhem análises sobre assuntos relacionados com a mídia e sua profissão, coordenado pela IPS Ásia-Pacífico.

(FIN/2010)

 
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