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ESPANHA
As touradas separam mais a Catalunha
Tito Drago

Madri, Espanha, 29/7/2010, (IPS) - A abolição, a partir de 2012, das touradas na Catalunha, aprovada ontem pelo Parlamento dessa comunidade autônoma da Espanha, a separa ainda mais do resto do país, em resposta a postulados de suas forças nacionalistas.

A corrida de touros, chamada Festa Nacional da Espanha, cuja origem remonta aos séculos 15 e 16, é um espetáculo celebrado em praças circulares com chão de terra, na qual os toureiros se mostram na frente de animais bravos com mais de 400 quilos, que, salvo casos excepcionais, acaba com a morte dos touros, após serem provocados por homens a cavalo, que os espetam com bandarilhas (lanças enfeitadas com bandeiras), e enfrentados pelo toureiro com uma capa.

A essas apresentações comparecem desde o Rei Juan Carlos, que gosta muito da festa, ao contrário da Rainha Sofia e de seu herdeiro príncipe Felipe, até líderes políticos de todas as tendências e personalidades de todas as áreas, além de turistas, que veem na festa uma expressão cultural e uma tradição, apesar do sofrimento do animal, ferido várias vezes antes de morrer. A votação, considerada histórica pela mídia do país, atendeu uma Iniciativa Legislativa Popular em favor da abolição da tauromaquia, apoiada por 180 mil assinaturas e promovida pela plataforma cidadã Prou! (basta, em catalão). Foram 68 votos a favor, 55 contra e nove abstenções.

A maioria dos votos favoráveis foi de grupos do nacionalismo catalão: Convergência e União (CiU, 32), Esquerda Republicana da Catalunha (21) e Iniciativa pela Catalunha (12). Os votos contra foram 31 do Partido Socialista da Catalunha (PSC), a expressão na comunidade do governante Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), e 14 do Partido Popular (PP), de centro-direita, que encabeça a oposição em nível nacional. A CiU e o PSC deram liberdade de voto aos seus deputados. Do primeiro, foram sete votos contra, e dos socialistas três apoiaram a proibição e três se abstiveram. O presidente da Generalitat (governo), José Montilla, votou contra e o líder da CiU, Artur Mas, a favor.

Desde o final de 2003, a Catalunha é governada por uma aliança do PSC com a Esquerda Republicana e a Iniciativa, mas nas eleições que devem acontecer no último trimestre do ano, as pesquisas indicam o retorno da CiU ao poder que ostentou por 23 anos.

Com o fim da tauromaquia, o nacionalismo da autonomia dá outro passo adiante em sua reclamação para que a Catalunha seja reconhecida como uma nação, associada à Espanha embora não parte integrante da mesma, segundo comentários de setores políticos, integrantes do mundo das touradas e defensores da festa, que qualificam a iniciativa como um gesto de identidade. É o que pensa José María Baviano, diretor de Comunicação da Praça de Touros de Las Ventas, em Madri, a maior da Espanha. “A decisão do parlamento não é para defender os animais, mas uma questão política, para se diferenciar do resto da Espanha”, afirmou à IPS.

Sobre o sofrimento dos animais antes de sua morte, José María citou estudos científicos que invalidam o argumento, pois “sofre muito mais o gado que perde a vida nos matadouros”. E insistiu que, nas praças, os animais, excitados pelo toureiro, complementam uma arte que muitos cidadãos valorizam. Em sentido contrário se pronunciou Anna Mula, porta-voz da plataforma Prou!, para quem “a arte é um processo de criação de vida, não de tirá-la, mesmo sendo de animais”.

Do PP veio a lembrança de uma questão que preocupa muito a Catalunha e que afeta os que apoiam a proibição: o custo da medida para a comunidade. O deputado do PP catalão, Rafael Luna, destacou que cálculos feitos pelos que são favoráveis às touradas estimam entre US$ 400 milhões e US$ 650 milhões o que a Generalitat deverá pagar a empresários do setor, como indenização por cancelar contratos assinados. Na Catalunha só há uma praça de touros: a Monumental de Barcelona, com 18 mil lugares.

Contra esses argumentos se manifestou o presidente da Esquerda Republicana, Joan Puigcercós, para quem o fundamental é que os touros são torturados durante a tourada e qualificou a proibição como um progresso moral, que pode ser uma contribuição para a próxima geração. O caráter nacionalista da aprovação pelo Parlamento da Catalunha é reforçado com a evidência de que no resto da Espanha praticamente não houve apoio à proibição.

O PSOE, o PP e outras forças de alcance nacional apoiaram a festa sem pestanejar. Dentro do PP se destaca a posição da presidente da comunidade de Madri, Esperanza Aguirre, que declarou a festa de touros como um Bem de Interesse Cultural da região. O ministro de Governo e Justiça de Madri, Luis Pizarro, afirmou que “ninguém duvida que os touros são um bem patrimonial de todos os espanhóis”.

Em termos semelhantes se pronunciou o socialista José María Barreda, presidente da comunidade Castilla-La Mancha, que afirmou que as touradas são “uma fonte importante de riqueza para a economia”, além de ter “um caráter cultural, histórico, sustentável, ecológico, natural e amigável com o meio ambiente”. A referência ao meio ambiente tem a ver com as terras onde os touros são criados em liberdade, alimentando-se de pastagens naturais, o que faz com que o negócio da festa ajude a manter milhares de hectares livres de industrialização e construções. Segundo fontes oficiais, em 2009 foram mortos 10.247 touros e novilhos nas 2.684 corridas realizadas ao longo do ano, cerca de 28 animais por dia, em média.

Dessa forma, fica a discussão na Espanha sobre sua festa com a abolição na Catalunha, onde as posições estão longe de serem lineares. Entre os que defendem veementemente a tourada está o laureado escritor catalão Pere Gimferrer. Para ele, a proibição “é a mais grave agressão cultural” sofrida na Espanha desde que terminou a ditadura de Francisco Franco (1939-1975), quando foram proibidas as festas de carnaval, também de longa tradição no país. Outro argumento a favor é da veterinária Elena Montoya, que afirmou que, se forem eliminadas as corridas, será o fim da raça dos animais usados para touradas, que seria mantida apenas nos zoológicos. Envolverde/IPS

(FIN/2010)

 
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