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China invoca o passado para internar-se na África
Antoaneta Becker

Londres, Inglaterra, 29/9/2010, (IPS) - Irritada por ser acusada de ser a nova potência colonial da África, a China lança mão da penetração cultural e de evidências de vínculos ancestrais com esse continente para justificar seu avanço econômico sobre ele. Arqueólogos da África e da China buscam em águas do Quênia um navio afundado no começo do Século 15 e outras provas do comércio entre ambos. Acredita-se que este barco fez parte de uma frota comandada pelo almirante Zheng He, um eunuco muçulmano da dinastia Ming que, segundo os chineses, chegou à África oriental antes do marinheiro português Vasco da Gama.

O projeto de exploração, que vai demorar três anos, começou em julho e é um símbolo dos esforços chineses para mostrar sua conquista atual da África como uma continuação da “viagem de paz e amizade” de Zheng. Os registros chineses indicam que sua frota tinha 300 embarcações e milhares de navegantes que sulcaram os oceanos Índico e Pacífico. A partir de 1405, o marinheiro fez sete viagens a Ásia, África e Oriente Médio.

Diz-se que chegou à costa do Quênia em 1418, carregado com mercadorias e presentes do imperador chinês. Acredita-se que o barco, que os arqueólogos buscam, naufragou quando voltava à China, transportando uma girafa como presente do queniano sultão de Malindi para os governantes chineses. “A viagem é verdadeiramente simbólica sobre quais eram então as intenções da China na África e quais são as de agora”, disse He Wenping, diretor de estudos africanos no Instituto de Estudos Sociais da Ásia Ocidental e África da Academia Chinesa de Ciências Sociais.

Nesse ínterim, Pequim se prepara para financiar mais pesquisas no continente, a fim de ajudar suas empresas e seus bancos a se expandirem ali. No mês passado, nasceu o Centro de Pesquisas China-África, na órbita do Ministério do Comércio. O objetivo do Centro é “dar uma base teórica para a tomada de decisões do governo chinês em relação à África”, disse Huo Jianguo, presidente da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica, na inauguração. Também vai assessorar as empresas com planos de expansão de seus negócios na África, acrescentou.

“Durante muito tempo, nossa estratégia para a África se pareceu com nossa estratégia para o desenvolvimento econômico: cruzar o rio sentindo as pedras”, afirmou He. “Não estávamos preparados para ir à África e tivemos de pagar um alto preço, aprendendo com nossos erros. Mas agora estamos consolidando nossa estratégia e nos centraremos em aprender sobre a África e falar por nós mesmos”, acrescentou.

A China é o principal importador de matérias-primas minerais da África. Alguns críticos retratam sua incursão em países africanos como um “roubo”, o que gerou reações em seu próprio território. O projeto arqueológico destaca o desejo da China de divulgar que sua florescente relação com a África tem uma história muito mais longa do que se pensava, e que não se trata apenas de negócios, mas também de um legado histórico.

Até há poucos anos, os funcionários chineses gostavam de enfatizar o apoio da China aos movimentos de libertação africanos em sua luta pela independência e seu patrimônio comum. Mas agora os acadêmicos chineses consideram que os 60 anos de relações contemporâneas com a África não estão à altura da presença do Ocidente nesse continente desde o Século 15.

Muitos acadêmicos chineses destacam que a China carece da riqueza de conhecimento sobre a África que os países do Ocidente acumularam ao longo dos séculos. Sem os antecedentes religiosos compartilhados que vinculam os países africanos com os europeus, a China teve de lançar mão da história antiga em seus esforços para justificar sua expansão na África.

Consciente da necessidade de dar sua própria versão da história e do desenvolvimento entre os dois continentes, Pequim vem incentivando a criação de um Fundo de Pesquisas China-África que possa apoiar instituições e indivíduos em matéria de estudos africanos. Boa parte do que realizam atualmente os acadêmicos chineses é financiada por instituições internacionais e doadores do Ocidente.

Também se considera que os estudantes africanos terão um papel importante na formulação do novo discurso da China sobre a África. Nos últimos anos, o governo chinês incentivou mais estudantes africanos a estudarem no país, oferecendo milhares de bolsas de estudo. Em 2009, a China teve 120 mil estudantes africanos, dez vezes mais do que em 2000. Educados como as elites que governarão no futuro, a estes estudantes é ensinado chinês, engenharia, ciência e agricultura.

Tudo isto não passou despercebido na Europa, que a China ainda considera a África como seu “quintal dos fundos”. Segundo um informe de Chatham House de Londres, permite-se que recursos e conhecimentos sobre a África se desvaneçam nos governos, na academia e nos meios de comunicação do Ocidente.

“Sob a retórica da importância da África, os recursos diplomáticos e comerciais dedicados a ela ainda são reduzidos em muitas capitais ocidentais, o que leva a uma espiral descendente de ignorância e, portanto, de marginalização na conscientização estratégica”, escreveu o autor do informe, Tom Cargill. Se esta tendência não for revista, eliminará a vantagem comparativa dos paises ocidentais sobre a China na compreensão política e acadêmica da África. Envolverde/IPS

(FIN/2010)

 
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