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A juventude europeia, nova vítima do neoliberalismo
Mario de Queiroz

Lisboa, Portugal, 25/11/2010, (IPS) - O protesto sindical que percorre a Europa chegou ontem a Portugal, na segunda greve geral em 22 anos, em um país com as duas grandes centrais de trabalhadores separadas entre comunistas e socialistas, por suas orientações políticas irreconciliáveis.

A paralisação do país afetou serviços essenciais, como educação, justiça, transporte, comércio, turismo e bancos, e é a primeira greve geral que insiste em enfatizar a defesa dos direitos dos jovens.

A nova geração de europeus, em geral, e portugueses, em particular, foi descrita ontem pelo deputado independente Rui Tavares como “uma mão-de-obra precária e não aproveitada, vítima do neoliberalismo e da crise do neoliberalismo”. Como na paralisação geral de 1988, contra o governo conservador (1985-1995) de Aníbal Cavaco Silva, atual presidente de Portugal, o protesto foi organizado pela União Geral de Trabalhadores (UGT), de tendência socialista e socialdemocrata, e a Central Geral de Trabalhadores Portugueses (CGTP), majoritariamente comunista.

A diferença desta mobilização é que o secretário-geral da UGT, João Proença, é um destacado membro da direção do Partido Socialista (PS), que hoje governa o país. Sem papas na língua para criticar o governo de José Sócrates, o líder sindical socialista desvirtuou as críticas do executivo sobre os elevados custos para Portugal da jornada de paralisação. Proença recordou que, nos dias 19 e 20, Lisboa foi paralisada pela cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na capital, e então “ninguém do governo se preocupou em fazer os cálculos da perda econômica que isto significou para o país”.

A greve centrou seu protesto no orçamento para 2011, que inclui a redução dos salários na administração pública, o congelamento das aposentadorias e as promoções de carreiras, o aumento do imposto sobre valor agregado (IVA) de 21% para 23% e reduções na ajuda a famílias indigentes. A CGTP e a UGT representam cerca de 700 mil trabalhadores dos 5.587.300 integrantes da população economicamente ativa, em um país de 10,6 milhões de habitantes. Porém, os sindicatos conseguiram mobilizar o grosso da população, segundo análises independentes ao fim da greve.

As duas centrais concordam que os jovens são as novas vítimas do sistema, com um índice de desemprego que até duplica a taxa geral. A atual geração portuguesa conta com as maiores qualificações da história, especialmente as mulheres, que constituem 52% dos estudantes universitários. Entretanto, a juventude não se vê beneficiada pelos postos de trabalho, pelo contrário. Pelos jovens esperam empregos que nada têm a ver com suas aptidões acadêmicas, por isso decidem emigrar, situação em que se encontram 20% dos formados nas universidades, em uma tendência em aumento, segundo estatísticas do Banco Mundial. Por este êxodo crescente, em breve “seremos mais pobres, mais velhos e mais vulneráveis”, diz em seu editorial sobre a jornada de greve o influente matutino independente Público, de Lisboa.

A greve criou um caos total em Portugal. Os sindicatos afirmam que a adesão foi de 90%, enquanto o governo insistia em dizer que foi de apenas 20,1%. No entanto, estimativas dos jornalistas no terreno desmentem o otimismo do governo e avalizam as porcentagens dos sindicatos. As cidades paralisaram e todos os voos nacionais e internacionais foram cancelados nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro e no arquipélago dos Açores. Apenas funcionaram parcialmente os serviços mínimos estipulados legalmente, como urgências médicas, energia e abastecimento de combustível e água, os bombeiros e integrantes das profissões que não concedem o direito à greve: juízes, parlamentares, militares e forças de segurança.

A greve portuguesa se insere em uma onda de reivindicações que se faz sentir em vários países europeus, com um vasto movimento de protesto sindical contra a austeridade que ganhou terreno na Grécia, França, Espanha, Irlanda e recentemente Grã-Bretanha. Também estão previstos protestos para breve na Eslovênia, Polônia e Romênia. Ao expressar seu apoio à greve portuguesa, o britânico John Monks, secretário-geral da Confederação Europeia de Sindicatos, previu “muita agitação e greves gerais nos próximos meses”. Nesse contexto, anunciou para dezembro uma jornada de mobilização geral da União Europeia.

No bloco de 27 países, 502 milhões de habitantes e uma população ativa de 239,3 milhões (7,2% imigrantes), os desempregados são 23 milhões, o que deixa milhões de europeus em situação precária. No caso de Portugal, 610 mil trabalhadores estão desempregados e o futuro só piora. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) projeta que a economia lusa cairá, em 2011, -0,2% e o desemprego vai afetar 11,4% da população economicamente ativa, contra 10,6% atuais.

A estes desanimadores índices somam-se a redução de benefícios sociais e, em vários casos, redução de salário. Os sindicatos europeus afirmam que a crise não deve ser suportada apenas pelos trabalhadores e Monks alerta que os planos de austeridade fiscal provocarão “um efeito brutal sobre os indivíduos e sobre a economia”. O que não esteve em greve nesta jornada foi a inclemente pressão dos mercados sobre Portugal e Espanha, o que faz prever que o resgate à Irlanda, no dia 20, não resolveu a desconfiança sobre as finanças européias, e em particular sobre a dos países ibéricos.

Ao que parece, a sorte está lançada para Portugal sob forte pressão da especulação financeira global, que obrigaria Lisboa a recorrer ao fundo de emergência da União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional. Por outro lado, o efeito dominó também colocou a Espanha em zona de risco e teme-se o pior: uma ruptura financeira grave em toda a zona do euro. Envolverde/IPS

(FIN/2010)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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