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Oásis mexicanos golpeados pela modernidade
Emilio Godoy

CIDADE DO MÉXICO, México, 2 de abril de 2012, (IPS) - (Tierramérica).- Os oásis, ecossistemas associados à tradição desértica do Oriente Médio e norte da África, existem às dezenas no noroeste do México.


Crédito: Cortesia Micheline Cariño
Oásis de Comondú, um dos mais ameaçados na Baixa Califórnia Sul, México
Os oásis do México abrigam uma importante riqueza ambiental, cultural, social e econômica, que se deve medir e conservar, alertam especialistas. De aproximadamente 200 oásis que o México possui, 184 estão na Baixa Califórnia Sul e o restante na Baixa Califórnia Norte e em Sonora, Estados do extremo nordeste deste país, segundo o Ministério de Meio Ambiente e Recursos Naturais.

“Sua condição é de alta vulnerabilidade diante da modernidade. Todos estão ameaçados, não são cuidados porque por muito tempo não foi reconhecido seu valor patrimonial e suas práticas agrícolas”, explicou ao Terramérica a pesquisadora Micheline Cariño, da estatal Universidade Autônoma Califórnia Sul (UABCS). “São diversos entre si e seus problemas são diferentes, por isso devem ser tratados com muito cuidado”, acrescentou.

É que os oásis são sistemas complexos. Afloramentos de água em zonas desérticas, com uma variedade própria de flora e fauna, o fator que o distingue é a presença hídrica natural. Os oásis proporcionam abrigo a espécies animais de zonas do norte e temperadas tropicais, e são estações de abastecimento de aves migratórias e pontos de atração para toda a fauna próxima. Não costumam ter mais do que dois quilômetros quadrados e neles são desenvolvidos cultivos de frutas e hortaliças – tâmara, uvas, cítricos, tomate e alface – e criação de vacas e cabras. Também contribuem para a captura de dióxido de carbono, um dos gases responsáveis pelo aumento da temperatura do planeta.

O oásis e seus serviços econômicos e de sobrevivência em zonas áridas estão historicamente vinculados às culturas árabe e amazigh (bereber). Como locais físicos povoados, os oásis mexicanos foram estabelecidos por missionários jesuítas e “rancheiros” (fazendeiros), que trouxeram da Espanha essa tradição a partir do Século 17.

Micheline é fundadora da Rede Interdisciplinar para o Desenvolvimento Integral e Sustentável dos Oásis Sul-Californianos (Ridisos), formada em 2006 por cientistas da UABCS, do Centro de Pesquisas Biológicas do Noroeste, da norte-americana University of San Diego e das espanholas Universidade Miguel Hernández de Elche e Universidade de Granada, para estudar os pontos ambientais, culturais e sociais desses lugares.

Um artigo publicado em 2003 na revista Anais do Instituto de Biologia, da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), destaca a importância dos oásis “para as aves, tanto residentes, pois representam locais favoráveis para a permanência de espécies locais, como migratórias”. O texto Observações recentes de aves no oásis de La Puríssima, Baixa Califórnia Sul, México, de pesquisadores da UABCS, informa sobre a observação de 60 espécies.

Na Baixa Califórnia Sul, o governo federal investe, desde 2011, US$ 45 milhões na proteção dessa riqueza natural. Contudo, são ecossistemas “pouco identificados. São reservatórios de muitas espécies e fornecem água de qualidade às comunidades”, disse ao Terramérica o pesquisador Gerardo Rodríguez, do Instituto de Ecologia da UAM. Quando chove nessas zonas, as áreas baixas inundam. A água, ao se retirar, proporciona o surgimento de oásis que criam comunidades vegetais chamadas reténs, permitindo o surgimento de peixes, crustáceos e invertebrados.

“Acabam sendo o único lugar onde se mantêm certas espécies até a próxima época de chuvas”, explicou Rodríguez, dedicado ao estudo dos ecossistemas que se formam nas terras baixas da Península de Yucatán, no sudeste da Cidade do México. Os oásis sofrem diversas ameaças. A população humana caminha para a falta de oportunidades produtivas. Chegam os investimentos turísticos e imobiliários. A água doce é superexplorada, corta-se as espécies florestais e se introduz espécies invasoras de peixes e plantas que acabam com as endêmicas.

Segundo Rodríguez, “a principal ameaça é o pouco planejamento do uso da água. Existe um consumo exagerado e não há nenhuma iniciativa para recargas ou tratamento”. A Ridisos está concluindo uma pesquisa sobre o conhecimento, a valorização e o desenvolvimento sustentável dos oásis, centrada no município de Comondú, um dos mangues mais ameaçados da Baixa Califórnia Sul. É um dos 55 mangues inscritos na Convenção sobre Mangues de Importância Internacional, conhecida como Convenção de Ramsar, e conta com sete espécies de aves e 18 de répteis sob algum tipo de proteção nacional.

A estratégia governamental de “intervir aceleradamente não teve o efeito mais desejável para resolver a problemática concisa e precisa dos oásis. Não foi dado tempo para ser feito um diagnóstico sobre a situação de cada oásis e então definir a forma apropriada de intervir em cada um”, afirmou Micheline. Os especialistas propõem definir e tipificar os oásis e elaborar um inventário. Além disso, também querem catalogar como patrimônio cultural e natural do México as regiões serranas da Baixa Califórnia Sul.

(FIN/2012)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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