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EGITO
O cômodo exílio dos amigos de Mubarak
Cam McGrath

Cairo, Egito, 4/4/2012, (IPS) - Antigos funcionários do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak (1981-2011) continuam sendo procurados pela justiça mais de um ano após a queda do regime, e sua riqueza ilícita permanece fora do alcance dos promotores.


Crédito: Cam McGrath/IPS
O legado da era Mubarak ainda é difícil de erradicar.
No governo de Mubarak, altos funcionários e empresários com vínculos próximos ao regime ficaram com bens públicos e adquiriram monopólios em matérias-primas estratégicas.

Segundo os promotores, o grupo de elite enriqueceu graças a um capitalismo baseado no tráfico de influências. Isto incluiu acordos de privatização conseguidos graças a contatos, manipulação da bolsa de valores e tratamento preferencial nos contratos sobre a terra.

Após o levante popular que pôs fim a 30 anos de mandato de Mubarak, os promotores egípcios proibiram os antigos líderes do regime e seus sócios do setor empresarial de viajar, além de congelar seus bens. Funcionários do Ministério das Relações Exteriores também contataram vários governos pedindo que identificassem e congelassem os bens de indivíduos suspeitos de participação em atos de corrupção.

Porém, centenas de hierarcas do regime de Mubarak seguem em liberdade, muitos vivendo comodamente no exílio graças a ganhos ilegais, afirmam ativistas. Alguns desses ex-funcionários, acusados de suborno e outras condutas criminosas, ainda não foram sentenciados, enquanto sobre outros há ordens de prisão internacional.

Um deles, acusado de orquestrar algumas das privatizações mais polêmicas da história do Egito, ocupa um alto posto em uma prestigiosa instituição financeira internacional. “Os sócios de Mubarak não estão exatamente se escondendo”, disse Amir Marghany, advogado e especialista em questões anticorrupção. “Sabemos onde vivem muitos deles, bem como onde trabalham e passam seu tempo. Parece que ninguém está realmente tentando capturá-los”, acrescentou.

Em janeiro, muitos egípcios ficaram furiosos ao saberem que Youssef Boutros-Ghali, ex-ministro das Finanças de Mubarak, fora visto participando de um fórum público na London School of Economics. O pessoal de segurança da universidade escoltou o ex-funcionário fugitivo à sua saída da sala de conferências depois que um ativista egípcio que estava na audiência se dirigiu aos gritos a ele.

Boutros-Ghali, visto por muitos como o rosto público de um regime que enriqueceu à custa dos pobres, fugiu para a Grã-Bretanha pouco depois da queda de Mubarak. Um tribunal do Cairo o condenou, à revelia, a 30 anos de prisão por abuso de poder e dilapidação de fundos públicos. Seu nome está na lista vermelha da Interpol. “Sabemos que vive em Londres, mas até agora ninguém fez nada para detê-lo”, denunciou Marghany.

Cobertura da imprensa local e internacional criou a impressão de que há uma caça mundial aos colaboradores de Mubarak e um congelamento mundial de seus bens, acrescentou Marghany. Mas, na verdade, apenas uns poucos países ordenaram esse congelamento, e mesmo assim limitado à família e ao círculo íntimo de Mubarak.

Vários analistas questionam a determinação das autoridades egípcias. Os promotores colocaram sob mira o círculo de Gamal Mubarak, filho e presumível sucessor do ex-presidente, passando por altos funcionários e empresários muito ligados à junta militar governante.

“O antigo regime ainda dirige o espetáculo, e parece ter interesses financeiros nas pessoas acusadas de corrupção, e não demonstra entusiasmo por julgá-las ou recuperar o dinheiro que roubaram”, disse Amr Adly, titular da Unidade de Justiça Econômica e Social na Iniciativa Egípcia para os Direitos Pessoais.

Embora vários ex-líderes do regime tenham sido levados a julgamento, entre eles Mubarak e seus dois filhos, os vereditos são contínua e inexplicavelmente demorados. Além disso, certos indivíduos parecem ter escapado de qualquer investigação. O promotor-geral do Egito exibiu uma estranha deferência com Mahmoud Mohieldin, que foi ministro de Investimentos de Mubarak entre 2004 e 2010.

Organizações anticorrupção dizem que Mohieldin cometeu abusos quando estava no cargo e à frente do impopular programa de privatizações do país, para manipular a avaliação dos bens públicos, que eram vendidos a investidores estrangeiros por uma fração de seu valor real. Mohieldin vive nos Estados Unidos desde sua designação como gerente do Banco Mundial, em outubro de 2010. Apesar das numerosas acusações de má conduta financeira, não foi apresentada nenhuma acusação contra ele.

“Os egípcios se surpreendem por ele ainda ocupar esse posto”, disse Amr Hassanein, presidente da MERIS, sócia regional da qualificadora de risco Moody’s. “Houve escândalos de corrupção em torno das transações privatizadoras, mas não em relação a ele pessoalmente. A percepção é que o Banco Mundial o protege, mas isto pode ter mais a ver com o lado do jeito”, afirmou.

Os amigos de Mubarak cultivam um baixo perfil no exílio, obtendo documentos de residência e continuando com suas atividades empresariais, em alguns casos usando dinheiro desviado do Egito.

Vários especialistas em temas legais afirmam que os governos de outros países podem ser reticentes em agir contra ex-membros do regime de Mubarak até estarem certos de que todas as denúncias de corrupção foram confirmadas e que se garanta o devido processo aos acusados. Outros parecem ter motivos políticos para lhes dar refúgio.

As autoridades egípcias pediram que o Catar entregue Rachid Mohamed Rachid, ex-ministro de Comércio. Em junho de 2011, Rachid foi condenado, à revelia, a cinco anos de prisão, e em setembro a outros 15 anos, por dilapidar fundos públicos e por especular. A Interpol emitiu uma ordem para sua prisão. Segundo fontes próximas de Rachid, ele fugiu para o Golfo durante a revolução, ficando vários meses em Dubai antes de se instalar no Catar.

No dia 2 de março, um tribunal espanhol determinou que Hussein Salem, muito próximo a Mubarak e seu filho, fossem extraditados para o Egito. As autoridades espanholas haviam prendido em junho passado o magnata fugitivo, amplamente considerado um dos homens fortes de Mubarak, em sua mansão em Mallorca, por múltiplas acusações de corrupção e lavagem de dinheiro transferido do Cairo. Também congelaram sua conta bancária de US$ 47 milhões e confiscaram residências avaliadas em US$ 14 milhões.

Salem, que tem passaporte egípcio e espanhol, é acusado de ter usado suas ligações com Mubarak para garantir para si lucrativos acordos imobiliários e empresariais, incluindo um contrato muito criticado para exportar gás egípcio barato para Israel. Fugiu do Egito dias antes da queda de Mubarak, e esteve na lista vermelha da Interpol até sua captura.

Um tribunal penal do Cairo condenou Salem e dois de seus filhos, à revelia, a sete anos de prisão, por especulação e lavagem de US$ 2 bilhões em exportações de gás. Salem também foi condenado, em outro caso, a 15 anos de prisão por adquirir ilegalmente propriedades públicas. Apesar da ordem de extradição, continua sob custódia espanhola. Envolverde/IPS (FIN/2012)

 
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