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Nas Maurícias Falta Água Nas Torneiras
Nasseem Ackbarally

PORT-LOUIS, 19 de abril , (IPS) - Rani Murthy, funcionária pública que vive em Plaines Wilhems, no centro das Maurícias, acorda às três da manhã para esperar pelo tanque de água da Autoridade Central dos Recursos Hídricos para poder recolher água para cozinhar e outras tarefas domésticas.

"Isto não é vida. Tenho de me levantar às três da manhã, fazer as tarefas domésticas antes das sete e depois ir para o trabalho. Regresso à noite, tomo conta das crianças, preparo as refeições, janto, vou para a cama à meia-noite e levanto-me novamente às três da manhã. Se não o fizer, ficamos sem água," disse Murthy.

Mas as imagens de pessoas em fila para obterem água são recorrentes em várias partes da ilha. Quando os reservatórios locais secam, a água corrente torna-se um luxo.

A escassez tem tido implicações generalizadas por toda a ilha, visto que agora os agricultores, especialmente no norte, apenas podem cultivar uma fracção das suas terras. Kreepallou Sunghoon, secretário da Associação dos Pequenos Agricultores, diz que os agricultores que costumavam cultivar legumes em 10 ou 15 hectares de terra agora usam menos de um terço dessa terra.

"A agricultura já não é rentável," lamenta.

Kritanand Beeharry, director da Federação das Cooperativas de Comercialização Agrícola das Maurícias, diz que muitos agricultores têm recorrido à recolha da chuva nos telhados das casas, que depois usam para irrigar as explorações agrícolas.

"Alguns estão a construir reservatórios nas suas propriedades para armazenar a água da chuva. enquanto que outros compram-na de camiões privados que percorrem a área depois de recolherem a água dos rios," conta.

Antes da escassez de chuvas, as Maurícias já eram classificadas como um país com escassez de água. Segundo as normas das Nações Unidas, um país com escassez de água tem uma disponibilidade per capita inferior a 1.700 metros cúbicos. A Maurícia tem um consumo per capita de apenas 1.044 metros cúbicos.

Há muitos meses que o país tem sentido a falta de água e parece que não existem sinais de abrandamento, visto que as esperadas chuvas de verão ainda não chegaram, numa altura em que falta menos de um mês até ao fim da estação das chuvas.

Normalmente, toda a ilha recebe dois terços da sua precipitação habitual, ou 1.344mm, entre Novembro e Abril.

"Mais de metade do período do verão já passou e só caíram 373mm de chuva em toda a ilha. Chove sempre muito entre Janeiro e Março mas este ano só tivemos 88mm de chuva dos 261mm que habitualmentte caem em Janeiro," explicou Rajen Mungra, director dos Serviços Meteorológicos das Maurícias.

No centro da ilha, onde está localizado o reservatório de Mare-aux-Vacoas, o maior dos cinco existentes na ilha, com uma capacidade de 27 milhões de metros cúbicos, a precipitação média a longo prazo é de 2.173mm. Contudo, a área recebeu apenas 549mm este verão e o nível da água deste reservatório, que abastece as principais cidades do país e quase metade da sua população, situa-se agora nos 29 por cento.

A disponibilidade diária de água no reservatório Mare-aux-Vacoas baixou de 110.000 metros cúbicos para 40.000 metros cúbicos.

Noutras regiões, a disponibilidade dos reservatórios e poços também baixou mais de 50 por cento, segundo a Autoridade Central dos Recursos Hídricos. Os níveis dos rios baixaram quase 70 por cento em várias partes da ilha, de acordo com a Unidade dos Recursos Hídricos do país.

"Estamos a enfrentar uma severa seca hidrológica. Estamos preocupados," disse à IPS Prem Saddul, director da Autoridade Central dos Recursos Hídricos.

A Autoridade Central dos Recursos Hídricos está a transferir água dos reservatórios com maior capacidade para os reservatórios com menor capacidade, estando igualmente a identificar novos poços que possam entrar em funcionamento. Foram instalados cinco novos filtros em rios que anteriormente desaguavam no mar para filtrar a água e reencaminhá-la para os reservatórios.

O governo também está a oferecer um subsídio de perto de 100 doláres a cada agregado familiar com menos de 330 doláres para a compra de um tanque de água.

Entretanto, a Autoridade Central dos Recursos Hídricos procede ao racionamento do abastecimento de água para manter a distribuição à população durante o máximo tempo possível.

"Garantimos que cada agregado familiar recebe uma quantidade de água mínima diariamente," disse Jeet Munbahal, chefe de máquinas da Autoridade Central dos Recursos Hídricos.

A Autoridade Central dos Recursos Hídricos emitiu regulamentos que impedem as pessoas de desperdiçarem água com uma mangueira, aspersores ou qualquer aparelho semelhante. Os mauricianos já foram avisados para não lavarem veículos, passeios e edifícios.

Os consumidores domésticos que ignorem este regulamento podem, caso sejam condenados, receber uma multa que não excede 1.800 doláres e uma pena de prisão não excedendo os dois anos. Para outros consumidores a multa será maior, não devendo exceder os 7.200 doláres.

Apesar dos esforços da Autoridade Central dos Recursos Hídricos no sentido de se conservar a água e uma campanha pública apelando aos mauricianos que poupem este recurso precioso, Saddul afirma que a maioria da população não segue este conselho e a água continua a ser desperdiçada.

Saddul afirma que os funcionários da Autoridade Central dos Recursos Hídricos têm monitorizado as estações de serviço para assegurar que deixaram de lavar os carros.

"Os nossos funcionários fazem inspecções com regularidade. Procuramos a colaboração do público, que também nos pode informar, através da nossa linha directa, das pessoas que desperdiçam a água. Não castigamos as pessoas mas queremos desencorajá-las de desperdiçarem água," acrescentou.

Até o Comissário Nacional da Polícia ordenou aos agentes que monitorizem o desperdício de água durante as suas patrulhas.

Entretanto, Kheswar Beeharry-Panray, director da Organização de Protecção e Conservação do Meio Ambiente, acredita que a falta de chuva nas Maurícias é causada pelas alterações climáticas.

"O ciclo da água tem mudado no mundo e, portanto, as Maurícias não podem esperar ter o mesmo padrão de precipitação dos últimos 20 ou 30 anos," afirmou, explicando ainda que nas áreas de captação de água foram abatidas muitas árvores.

"Isso explica a escassez da chuva. Agora devemos aumentar a nossa capacidade de armazenamento - nos telhados, tanques, pequenas barragens, em todo o lado," assevera Beeharry-Panray.

(FIN/2012)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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