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As lagartas Mopani no Zimbabué estão a desaparecer da dieta dural
Ignatius Banda*

PLUMTREE, Zimbabué, 19 de abril, (IPS) - Job Mthombeni gosta muito de comida tradicional. Uma das suas delícias culinárias são as lagartas Mopani, localmente chamadas amacimbi, que quer dizer lagarta na língua Ndebele.

Desde muito jovem se tinha apercebido do valor nutricional das lagartas que existem na sua cidade natal, Plumtree, situada numa zona rural no sudoeste do Zimbabué.

A lagarta Mopani é uma lagarta rica em proteínas que dá origem à mariposa Imperador e que pode ser um suplemento em qualquer dieta.

Mas a falta de chuva continua a provocar estragos nas colheitas deste país da África Austral, e agora está a afectar o fornecimento de lagartas Mopani. E Mthombeni, de 49 anos, está preocupado.

"Não há lagartas Mopani este ano," queixou-se. Para já, as reduzidas colheitas deste ano em Plumtree indicam que terá de viver dos artigos de mercearia que os filhos lhe enviam do Botsuana.

"As lagartas Mopani que provei este ano não são da minha área. Sempre pensámos que as lagartas Mopani estariam disponíveis eternamente, mas agora.... as más chuvas eliminaram os nossos alimentos," disse à IPS.

O Zimbabué tem tido chuvas fracas nos últimos anos. Apesar do Departamento dos Serviços Meteorológicos do Zimbabué ter previsto que as chuvas iriam atingir o seu pico entre Outubro e Dezembro de 2011, só algumas partes do país é que receberam fortes chuvas, enquanto que o sudoeste do Zimbabué teve uma pluviosidade fraca durante este período.

Na última semana caiu chuva em todo o país. Mas chegou muito depois dos agricultores terem plantado as sementes, levando à destruição de grande parte da colheita do milho.

A situação no Zimbabué é típica da região, já que os países na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) têm sido atingidos por padrões de precipitação muito irregulares. Madagáscar e Moçambique receberam um dilúvio devido ao ciclone Giovanna, enquanto que países como a Maurícia ou o Zimbabué tiveram uma precipitação fraca ou nula nesta época.

Bradwell Garanganga, do Centro de Serviços Climatológicos da SADC, explicou que a quantidade de água disponível é um recurso finito, e se chove muito em determinada zona, a água é retirada de qualquer outro lugar.

"A quantidade de água disponível tem um fluxo praticamente constante e, portanto, se chove muito num local, isso quer dizer que num outro sítio qualquer não cai chuva. Em resumo, é isso que tem estado a acontecer na região da SADC em termos de pluviosidade," adiantou.

"Este ano não tem sido bom.... Se desenharmos uma linha desde Gwanda no Zimbabué até Francistown no Botsuana e em toda a parte do sul do Zimbabué podemos verificar que é uma área extremamente seca," disse Garanganga.

As lagartas Mopani proliferam em condições férteis e empanturram-se na vegetação fértil. Mas o desaparecimento do seu meio ambiente pode indicar que milhares de aldeões em Plumtree e noutras partes do país com fraca precipitação ficam desprovidos de uma fonte vital de nutrição nos próximos anos.

"Não se trata só da perda de vegetação e do decréscimo do número das lagartas Mopani. Também estamos a falar da perda de uma importante fonte de proteínas na dieta de muitas pessoas nas zonas rurais e urbanas, assim como uma perda de rendimentos," referiu Sobona Mtisi, investigador no domínio das alterações climáticas junto do Instituto de Desenvolvimento Ultramarino, e também a pessoa que dirige a formulação das políticas do governo zimbabueano para as alterações climáticas, conjuntamente com a Rede de Desenvolvimento de Conhecimentos Climáticos.

"Isto tem implicações adversas para a saúde e o rendimento das pessoas. Vamos assistir a um aumento de doenças ligadas a uma dieta com baixo teor de proteínas?" perguntou Mtisi.

Embora a época das chuvas tenha trazido sempre uma abundância de opções culinárias para as comunidades rurais, também contribui para as economias rurais.

Wendy Zulu é uma das comerciantes nas zonas rurais que ganham a vida a vender lagartas Mopani. Faz visitas frequentes à cidade de Bulawayo, onde vende uma variedade de produtos. Mas é o resultado da venda de lagartas Mopani que constitui uma parte substancial do seu rendimento.

"Ainda não efectuei essa visita porque que a época das chuvas devia ter começado no final do ano passado," explicou Zulu.

No passado, devido ao seu valor económico, quando havia uma abundância de lagartas Mopani, os agricultores e os proprietários fundiários cobravam uma taxa às mulheres comerciantes como Zulu para as apanhar. Agora, devido à baixa pluviosidade, muito poucas são vistas.

"As chuvas fracas traduzem-se na inexistência de vegetação verde para estas criaturas. Portanto, tenho de esperar e ver o que acontece nas próximas semanas, mesmo meses," disse Zulu à IPS. A muitos quilómetros de distância, em Bulawayo, consumidores como Moffat Bancinyane, que durante anos se deliciaram com as lagartas Mopani como preferência culinária de baixo custo, interrogam-se sobre o motivo pelo qual se tornaram raras.

"Não podemos compreender como uma coisa como as amacimbi desapareceram. Vamos lá ver, crescem nas árvores," disse Bancinyane depois de ter sido informado por um vendedor fora de uma cervejaria municipal que as lagartas Mopani não estavam disponíveis."

"É verdade o que dizem acerca das chuvas, elas dão vida a formas inesperadas de vida," disse Bancinyane.

A escassez de lagartas Mopani pode ser mais uma indicação de uma crise mais profunda estimulada pelas alterações climáticas, disse Mtisi.

Em 2005, o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas previu que as alterações climáticas iriam levar a um aumento da aridez na África Austral, uma das regiões mais povoadas do continente. Também previu que a produção alimentar em países como o Zimbabué se iria reduzir para metade em 2020.

Apesar da escassez, as lagartas Mopani continuam a ser um grande negócio noutras regiões da África Austral. No Botsuana é uma indústria que envolve muitos milhões de doláres, enquanto a África do Sul recolhe anualmente cerca de 1.6 milhões de quilos de lagartas Mopani.

*Informações adicionais fornecidas por Zukiswa Zimela em Joanesburgo. (FIN/2012)

 
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