África
  Mundo
  Economía
  Direitos Humanos
  Saúde
  Ambiente
  Globalização
  Arte e Cultura
  Energia
  Politica
  Desenvolvimento
  Colunistas
 
  RSS o que é isso?
   ENGLISH
   ESPAÑOL
   FRANÇAIS
   SVENSKA
   ITALIANO
   DEUTSCH
   SWAHILI
   MAGYAR
   NEDERLANDS
   ARABIC
   POLSKI
   ČESKY
   SUOMI
   PORTUGUÊS
   JAPANESE
   TÜRKÇE
PrintSend to a friend
 

DESTAQUES
O mar invade arrozais do delta do Rio Mekong
Marwaan Macan-Markar

BANGCOC, Tailândia, 23 de abril de 2012, (IPS) - (Tierramérica).- Arrozais do delta do Rio Mekong já sofrem a elevação do nível do mar nessa zona que é a "tigela de arroz" do Vietnã, o segundo maior exportador desse grão.


Crédito: Photostock/IPS
Mulheres plantam arroz de terras úmidas perto da baía de Lang Co, no Mar da China Meridional
Com a ameaça do mar que se eleva e as águas salgadas que adentram no fértil delta do Rio Mekong, o futuro do Vietnã como grande exportador de arroz depende em boa parte de uma pesquisa que é realizada nas Filipinas.

Cientistas do Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz (Irri) trabalham com colegas vietnamitas na localidade de Los Baños, 63 quilômetros a sudeste de Manila, desenvolvendo uma nova variedade de arroz que resista até duas semanas submerso em água salobra.

Uma variedade chamada "arroz mergulhador", pelo gene SUB 1 que lhe permite ficar completamente sob a água tanto tempo, já oferece metade da solução. "O Irri realiza experimentos para encontrar uma variedade que dê resposta aos dois problemas. Mesmo um arroz tolerante à inundação pode morrer devido à salinidade", explicou Bjoern Ole Sander, cientista desse instituto não governamental.

A busca por este arroz começou no Estado indiano de Orissa, lar de um arroz que retoma o crescimento após ter permanecido até 14 dias submerso, o que o diferencia de outras variedades que morrem se estão sob água por mais de uma semana. "Isto foi conseguido sem manipulação genética, com o fitomelhoramento da variedade SUB 1, que pode ficar submersa por 17 dias", explicou Bjoern ao Terramérica.

O arroz, domesticado há cerca de 12 mil anos, é o principal alimento de boa parte da humanidade, especialmente na Ásia, e é o terceiro grão de maior produção mundial, depois do milho e do trigo. Em sua longa história, adaptou-se a diversas condições climáticas e práticas agrícolas.

Na Ásia é muito comum seu cultivo semiaquático em áreas inundadas (conhecidas em inglês como paddy fields), tanto planas como em montanhas. Hoje é o único cereal que pode suportar submersão.

No entanto, uma coisa é esse substrato aquoso controlado, de cinco a 15 centímetros de altura, e outra são as inundações causadas pela elevação do nível do mar. Encontrar uma variedade resistente à salinidade, que possa ser combinada com o SUB 1 é mais complexo. "Demorará pelo menos quatro anos. Esta seria a resposta aos problemas que o delta do Mekong enfrenta", pontuou Bjoern.

O Mekong nasce na planície do Tibete e percorre 4.880 quilômetros serpenteando através de China, Birmânia, Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã, em cujo território desemboca no Mar da China Meridional.

Esta desembocadura, um extenso delta de 39 mil quilômetros quadrados no extremo sudoeste do Vietnã, é conhecida como a "tigela de arroz" desse país. A água marinha, que há 30 anos avançava até dez quilômetros no delta, agora penetra até 40 quilômetros.

"O futuro do delta está em jogo. Por isso trabalhamos com o Irri para desenvolver esta variedade de arroz", explicou Nguyen Van Bo, presidente da Academia de Ciências Agrícolas do Vietnã, uma entidade apoiada pelo governo de Hanói.

"Dos arrozais do delta, 7% já estão sob o efeito da elevação do mar", acrescentou. Os agricultores já começaram a mudar de ocupação: muitos passam do cultivo de arroz para a criação de camarões, contou ao Terramérica. "Existe uma mudança muito clara em relação a épocas anteriores, quando o cultivo de arroz e a criação de camarões eram estacionais", observou.

O futuro do Vietnã não é bom, particularmente no delta, alertaram especialistas asiáticos em agricultura e mudança climática reunidos nos dias 11 e 12 deste mês, em Bangcoc. É que existe a necessidade de somar os males que causam os erráticos padrões meteorológicos que prejudicam outros importantes produtores de arroz da região, como a Tailândia.

Com rendimento de três colheitas anuais, o delta fornece quase metade dos 42 milhões de toneladas de arroz em casca que o Vietnã produz, segundo maior exportador mundial depois da Tailândia.

Em 2011, o Vietnã exportou o recorde de sete milhões de toneladas de arroz, principalmente para as Filipinas e outros mercados asiáticos. O Vietnã tem 87 milhões de habitantes.

A rede de rios e riachos que forma o Mekong em seu delta é crucial para a produção de arroz da qual dependem mais de 17 milhões de pessoas que moram nessa área úmida e plana. Quatro represas construídas pela China no curso acima do Mekong foram as primeiras a afetar os produtores de arroz do delta.

Na medida em que diminuiu o fluxo do caudaloso rio, a água salgada abriu passagem terra adentro, e a sedimentação que o Mekong distribuía pelo delta durante as inundações de monções anuais também caíram, afetando a fertilidade natural da região. O certo é que as represas proporcionaram pistas sobre o possível impacto da mudança climática.

Quase um terço do delta pode ficar submerso em água salgada se o nível do mar aumentar um metro, alertava em 2009 um informe do Instituto Nacional de Hidrometeorologia e Ciência Ambiental.

Estudos do Banco Mundial sobre 87 países pobres indicam que as comunidades do delta do Mekong estão entre as mais ameaçadas pelo aumento do nível do mar. Alertas científicos indicam que 21% dos cultivos da Ásia serão afetados pelo aquecimento global até 2050.

Porém, este dado ainda não foi suficiente para que os governantes de mais de 190 países incluam a agricultura nas negociações da próxima Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática.

"A agricultura e a produção alimentar são mencionadas na Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, mas isso não se traduz em um programa específico de trabalho", alertou Bruce Campbell, diretor do Grupo Consultivo para a Pesquisa Agrícola Internacional (CGIAR), patrocinado por várias agências das Nações Unidas e pelo Banco Mundial.

"Não há uma voz comum sobre a agricultura nas negociações da Convenção Marco. A mudança climática se faz sentir nos sistemas agrícolas e coloca em risco os cultivos", disse ao Terramérica. "Os sistemas agrícolas devem se transformar para que a agricultura seja resistente ao clima", apontou.

* (FIN/2012)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
  Mais noticias
News in RSS
 Sri Lanka recorre e métodos ancestrais contra a mudança climática
 Salva-vidas afunda ainda mais a Grécia
 Ampliação de estrada atenta contra patrimônio cultural indiano
 A ignorada faceta produtiva da cannabis
 DESTAQUES: Código de barras até em colmeias
 REPORTAGEM: Estrada no Parque Nacional do Iguaçu pode acabar em impasse
 "Quando a corda da desigualdade se rompe, você tem uma crise política"
 Direitos femininos serão eixo de reunião do UNFPA em Montevidéu
 Preocupa que tensão entre Rússia e Estados Unidos afete negociação nuclear
 Trabalhadores espanhóis vítimas de disputa entre Madri e Gibraltar
MAIS>>
  Latest News
News in RSS
 Israel’s U.S.-Made Military Might Overwhelms Palestinians
 U.S. Debating “Historic” Support for Off-Grid Electricity in Africa
 U.S. Ranks Near Bottom Globally in Energy Efficiency
 Child Migrants – A “Torn Artery” in Central America
 As Winds of Change Blow, South America Builds Its House with BRICS
MORE >>
  Ultimas Noticias
News in RSS
 Poderío militar israelí “made in USA” abruma a palestinos
 Tuaregs de Malí luchan por estado secular, democrático y multiétnico
 ONU apunta a la impunidad en Medio Oriente
 Sequía o inundaciones, la oscilante realidad del Caribe
 Inédita preocupación por matrimonio infantil y mutilación genital
MÁS >>