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Abastecimento Regular de Água para Cidade do Zimbabué Continua a Ser uma Quimera
Busani Bafana

BULAWAYO, Zimbabué, 07 de maio, (IPS) - Os residentes da cidade zimbabueana de Bulawayo, onde a água é escassa, estão preocupados com a lenta resposta do governo para encontrar uma fonte permanente de água que possa satisfazer as suas necessidades.

Em Março a cidade anunciou que só tinha água para 20 meses se as chuvas sazonais não caíssem. O Zimbabué tem recebido chuvas fracas nos últimos anos.

Apesar do Departamento dos Serviços Meteorológicos do Zimbabué ter previsto que a pluviosidade iria atingir o seu pico entre Outubro e Dezembro de 2011 nalgumas zonas do país, também previu que a região de Matebeleland iria ter uma precipitação abaixo da média. Bulawayo é a segunda maior cidade do país e, embora esteja localizada na antiga província de Matebeleland, é agora tratada como uma área provincial separada.

Quatro das cinco barragens de abastecimento de água da cidade, que têm uma capacidade total de 362 milhões de litros, estão meio vazias. A quinta barragem não está operacional.

Por esse motivo, as autoridades municipais implementaram um programa de racionamento de água. Actualmente, o consumo diário de água é 145.000 metros cúbicos, quantidade que a câmara municipal insiste teria de ser reduzida para 120.000.

"Os consumidores domésticos recebem 400 e 350 litros de água por dia nas zonas de elevados e baixos rendimentos, respectivamente," disse à IPS Job Ndebele, director municipal responsável pelo planeamento urbano. "As indústrias com elevado consumo hídrico estão a ser racionadas em 80 por cento do seu consumo médio, enquanto que outras indústrias receberam autorização para utilizarem 75 por cento do seu consumo médio."

Mas os residentes como Henry Sithole estão preocupados com o facto do racionamento de água poder vir a transforma-se numa situação permanente. Muitas acreditam que os planos do governo de fazer reviver uma ideia com mais de cem anos de extrair água do Rio Zambezi para a província do Sul de Matabeleland, que inclui Bulawayo, poderá demorar demasiado tempo a implementar.

"O racionamento de água é um assunto sério e penso que os residentes já estão a sentir estas medidas há muito tempo," disse Sithole à IPS. "O projecto do Zambezi não deve constituir a única solução apontada porque não vai acabar com o racionamento de água hoje ou amanhã, embora seja a parte mais importante da solução."

O Projecto Hídrico do Zambezi em Matabeleland é um projecto de grande dimensão, sugerido inicialmente em 1912 para resolver os problemas hídricos de Bulawayo através da construção de uma conduta de água do rio Zambezi em direcção à cidade. O projecto foi adiado por sucessivos governos devido ao elevado custo da construção da conduta de água, com mais de 400 quilómetros.

Contudo, em Março o governo anunciou que tinham sido obtidos 900 milhões doláres de um banco chinês para a construção da barragem de Gwayi-Shangani, a primeira fase do projecto. Estima-se que o custo total ascenda a 1.3 mil milhões de doláres.

Mas os residentes e organizações da sociedade civil querem que o governo declare Bulawayo uma zona que conhece uma crise de água de forma a acelerar medidas correctivas.

Os representantes da sociedade civil elaboraram uma petição em Março com o objectivo de recolher um milhão de assinaturas para exercer pressão sobre o governo para que tome a iniciativa de encontrar uma fonte de água segura para Bulawayo.

O director regional da Associação Nacional das Organizações Não Governamentais, Goodwin Phiri, declarou à IPS que teria de ser encontrada brevemente uma solução.

"O governo não pode ignorar a questão da água porque é um assunto nacional... já é altura de o governo provar a sua determinação porque, sem água, é como se a região estivesse morta."

Embora o governo actualmente esteja a construir uma conduta de água de 42 quilómetros de Bulawayo até à Barragem de Mtshabezi, na província do Sul de Matabeleland, o projecto tem enfrentado a oposição das comunidades locais.

O Município de Gwanda, no Sul de Matabeleland, queixou-se do facto de não ter sido consultado, levantando a preocupação de que, caso implementado, o projecto deixaria a cidade de Gwanda sem água. Embora o projecto continue a avançar, ainda não há certeza se será concluído.

Mas parece provável que a água se transforme numa ferramenta de negociação política para a obtenção de votos, visto que o Presidente Robert Mugabe. da União Nacional Africana do Zimbabué - Frente Patriótica, um dos parceiros do Governo de Unidade Nacional, pretende que se realizem eleições gerais até ao final deste ano.

As organizações da sociedade civil vêem aqui uma oportunidade para convencer os partidos políticos a tomarem uma posição nesta matéria. No entanto, nenhuma data concreta foi avançada para a realização de eleições, enquanto o país tenta encontrar um consenso com respeito a uma nova constituição.

Eric Bloch, analista económico que esteve envolvido no Projecto Hídrico do Zambezi em Matabeleland em 1987, que se tornou numa iniciativa nacional desde essa altura, afirmou que o projecto estava finalmente a conhecer algum protagonismo porque se desejava atrair votos.

"Tendo agora consciência que é provável a realização de eleições muito contestadas, há uma crescente preocupação sobre a conquista de votos no interior de Matabeleland. Daí que a criação, pelo governo, do Fundo para as Indústrias em Dificuldades e Áreas Marginalisadas (DIMAF), e o progresso relativo ao projecto hídrico do Zambezi constituam um exercício de captação de votos. Mas será uma realidade porque, de acordo com o contrato, o início do projecto deverá ocorrer antes das eleições," disse Bloch à IPS.

Mais de 87 companhias fecharam as portas em Bulawayo em 2011, levando o governo a criar o DIMAF, com 40 milhões de doláres, nesse ano. O objectivo do DIMAF é ajudar empresas que enfrentam problemas de viabilidade, incluindo aquelas que encerraram. Porém, está mergulhado em controvérsia uma vez que nenhuma companhia beneficiou ainda desta iniciativa. (FIN/2012)

 
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