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REPORTAGEM
Olhar argentino sobre o decrescimento
Marcela Valente

BUENOS AIRES, Argentina, 7 de maio de 2012, (IPS) - (Tierramérica).- A teoria do decrescimento, que questiona a validade do desenvolvimento sustentável, é vista com outros olhos na Argentina.


Crédito: Mauricio Ramos/IPS
Povoado minerador fantasma em Coahuila, México
A ideia revulsiva do decrescimento econômico tem escassos seguidores em uma região como a América Latina. Mas há aqueles que na Argentina aderem ao debate internacional sobre um modo de vida que não tenha como meta o aumento do produto interno bruto (PIB).

Neste país, como em outros da região, o ponto de vista se diferencia do sustentado por acadêmicos e organizações sociais do mundo industrializado, segundo fontes consultadas pelo Terramérica.

A angústia por uma crise mundial sistêmica e com várias dimensões - ambiental, econômica, energética - será colocada sobre a mesa na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que acontecerá entre 20 e 22 de junho no Rio de Janeiro. Para os defensores do decrescimento, não parece que o desenvolvimento sustentável "possa evitar o colapso ecológico nem melhorar a justiça social", que eram as metas propostas há 20 anos na Cúpula da Terra de 1992, também realizada no Rio de Janeiro.

Busca-se, então, avivar as discussões na conferência internacional Decrescimento nas Américas, que acontecerá entre 13 e 19 deste mês, na cidade canadense de Montreal, e que será o terceiro fórum deste tipo, depois dos encontros em Paris e Barcelona, em 2008 e 2010, respectivamente.

Um dos ideólogos desta corrente, o filósofo e economista francês Serge Latouche, propõe que "o decrescimento tenha, sobretudo, como insistir fortemente em abandonar o objetivo do crescimento pelo crescimento". A rigor, "seria mais conveniente falar de 'acrescimento', tal com falamos de ateísmo", destacou.

Seus partidários propõem uma redução controlada e racional do consumo e da produção, permitindo respeitar o clima, os ecossistemas e os próprios seres humanos. Porém, Serge esclarece que não se trata de uma alternativa concreta, mas de uma "matriz que daria lugar à eclosão de múltiplas alternativas. Evidentemente, qualquer proposta concreta ou contraproposta é ao mesmo tempo necessária e problemática".

Na Argentina "o decrescimento não aparece na imprensa nem integra os programas acadêmicos de economia política. No entanto, existe, sobretudo agora, com vistas à Rio+20", disse ao Terramérica o doutor em ciências sociais Julio Gambina. Na América Latina, "onde o crescimento econômico foi endeusado nos anos 1990, o decrescimento é mal visto", admitiu Julio, professor de economia política na Universidade Nacional de Rosário e presidente da Fundação de Pesquisas Sociais e Políticas.Em sua opinião, "o que se deve discutir melhor é como crescer".

Nesta região, vários países conseguem manter seu PIB com base em "um modelo produtivo extrativista", que cresce em volume, mas às custas do usufruto intensivo de recursos naturais que vão se esgotando, observou Julio. Por exemplo, a mineração em grande escala, que utiliza cianureto e causa um grande impacto ambiental, ou a expansão da monocultura de soja para exportação, à custa de uma produção rural diversa, apontou.

O sociólogo citou o caso do Brasil, onde movimentos filiados à rede internacional Via Campesina questionam esse modelo e propõem recuperar a cultura produtiva dos povos originários, mais amigável com os recursos naturais. Entretanto, estes grupos "não se tornam visíveis", ponderou. Nestes países, acrescentou, não existe um balanço generalizado que resista ao crescimento. Pelo contrário, "o decrescimento é associado majoritariamente a economias que estão em crise", como as europeias, destacou.

A estatística María Elena Saludas, coordenadora nacional da Associação por uma Taxa sobre Transações Financeiras Especulativas de Ajuda ao Cidadão (Attac), recordou que "o debate sobre a impossibilidade de continuar com um crescimento econômico infinito no contexto de um planeta finito vem desde a década de 1960".

A concepção do desenvolvimento sustentável, que começou a ser promovido fortemente na Cúpula da Terra de 1992, não questiona a estrutura de poder mundial, nem o sistema capitalista cujo leitmotiv é o lucro, afirmou.

Tampouco o fará, acredita María Elena, a "economia verde", muito promovida a partir da Organização das Nações Unidas (ONU), que convocou a Rio+20. "O que devemos debater é que este modelo econômico não pode se sustentar", afirmou, questionando a expansão de monoculturas e a grande dependência das economias latino-americanas da exportação de produtos primários. Também apontou para os limites à expansão da indústria automobilística, por exemplo, na Argentina e no Brasil. "Carros para todos não parece sustentável, temos que partir para um transporte eficiente e coletivo", ressaltou María Elena. Em sua opinião, o atual crescimento do PIB latino-americano gera "uma extrema desigualdade" entre ricos e pobres. Os setores que estão na base da pirâmide "apenas sobrevivem". E, alertou, "não podemos dizer-lhes que não podem crescer".

María Elena prefere destacar experiências como a da Bolívia, onde um movimento de povos originários apela para o bem viver, em harmonia com a natureza e não às custas dos recursos naturais, nem das pessoas. "A teoria (do decrescimento) me entusiasma, mas não se trata de uma proposta de mudança individual de comportamento, mas de cada comunidade encontrar a maneira de experimentar esta forma de vida", explicou.

Por sua vez, Julio pôs reparos a um debate que, tal com está proposto, não consegue somar adeptos. "Se a discussão pelo decrescimento vai ganhar maior volume, é algo que ainda precisamos ver. Há grupos que pressionam por um desenvolvimento diferente, que questionam o modelo produtivo imperante, mas não têm um ambiente cultural favorável", afirmou.

Julio insiste em dizer que a ideia do crescimento "subsiste como ideologia de consenso, e, por isto, o debate do decrescimento está longe de ser um assunto hegemônico" na região. A seu ver, não se trata de "decrescer", mas "crescer de outra maneira". "É preciso privilegiar a produção agrícola familiar, produzir e distribuir localmente" e também questionar a forma dominante de medir o desenvolvimento por meio do PIB, detalhou.

"O PIB só conta o que é criado, deixa de lado o que é destruído", advertiu Julio. "Talvez, o PIB possa baixar, como em Cuba ou na Venezuela, mas melhorará a qualidade de vida ou a distribuição. Não necessariamente a qualidade social se compadece com o crescimento econômico", concluiu.

* (FIN/2012)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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