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Mudança de rumo na Europa?
Joaquín Roy*

Miami, Estados Unidos, maio/2012 , (IPS) - O triunfo de François Hollande no segundo turno das eleições presidenciais na França, no dia 6, abre as esperanças de regresso da social democracia a outros países.

Já tendo governado em 11 dos 15 Estados-membros da União Europeia (UE) no início deste século, hoje está à frente em somente cinco dos 27 Estados que compõem o bloco.

Preparava-se para uma longa travessia do deserto, mas o escorregão de Nicolas Sarkozy catapultou a esquerda tradicional a encarar a responsabilidade de propor políticas inovadoras. Hollande lhes abriu a porta ao opor-se às medidas de austeridade decretadas pela UE. Agora, a agenda é uma combinação de prudência no gasto e política de crescimento, mediante o investimento público e o destaque para o estado de bem-estar, ameaçado de morte.

A derrota de Sarkozy também enfraquece a posição hegemônica de Angela Merkel em uma Alemanha que deve decidir entre liderar ferreamente a Europa (tradução: insistir na austeridade) ou ceder às vozes contrárias (contemporizar com a crise). Caso suas hostes democrata-cristãs percam o poder em eleições em mais Estados, depois do tropeço Schleswig-Holstein, estes deslizes podem gerar um efeito dominó no restante da federação.

A queda do partido liberal, necessário apoio na coalizão governante, seria a gota d'água que transbordaria o copo antes das novas eleições.

No entanto, nesse roteiro um tanto rosa para os socialistas, se intrometem algumas dificuldades apresentadas por acontecimentos eleitorais simultâneos à corrida rumo ao Palácio do Eliseu.

Em primeiro lugar, não se sabe bem como se comportará o partido social democrata alemão e como poderia estar agasalhado por formações afins em outros países. Alguns deles (Espanha, Portugal, os trabalhistas no Reino Unido) ainda estão nocauteados pelas derrotas sofridas nos anos recentes. O debate interno da social democracia, tanto na evolução interna no continente quanto no esgotamento da chamada "terceira via" do Partido Trabalhista, já irreconhecível sob o comando de Tony Blair, não produzia até hoje uma agenda com credibilidade.

Em segundo lugar, se as eleições francesas devem ser corretamente interpretadas como de grande alcance europeu, então será preciso decifrar e analisar a fundo as grandes consequências de dois exercícios do mesmo 6 de maio. De um lado, é preciso prestar atenção no caso grego. Por outro, convém lançar um olhar para as eleições em países que estão batendo à porta da UE, a qual agora o grosso do continente despreza e aponta como origem dos males atuais. Na antiga Iugoslávia, a UE joga sua penúltima carta da difusão de seus valores e de suas vantagens.

No caso grego, o eleitorado estava encurralado pelas drásticas medidas de redução de gastos e evaporação de expectativas. O resultado foi contundente, expressando a rejeição não apenas às medidas redutoras, mas também ao sistema tradicional de representação democrática. Tecnicamente, o ganhador foi Antonis Samarás, da conservadora Nova Democracia, mas com apenas 20% dos votos. Junto ao seu histórico adversário, o socialista Pasok - se alternaram no governo desde a Segunda Guerra Mundial - se esbofetearam pelos eleitores. Somados, apenas colheram um terço dos votos, enquanto no passado conseguiam quase 80%.

À esquerda dos socialistas, a Coalizão da Esquerda Radical (Syriza), com quase 16% se converte no segundo partido. No outro extremo, os neonazistas da Aurora Dourada obtiveram 6,8% dos votos, insolitamente em um país que sofreu a ocupação hitleriana durante quatro anos. Juntos, complicam o cenário e as perspectivas de coalizão com um dos até agora grandes para poder governar. Para resolver o quebra-cabeça da formação do governo, com uma série de combinações entre forças ideologicamente separadas, não se descarta outra eleição imediatamente. Seria um maiúsculo desastre para o país, em quebra técnica, com um pé no euro e outro fora da UE. Contudo, enquanto a ultraesquerda se opõe às medidas da UE, os neonazistas exigem a saída imediata.

Na Sérvia, quase metade dos eleitores no primeiro turno das presidenciais e legislativas gerais ficou em casa, como aviso ambivalente. No dia 20, o atual presidente, o pró-europeísta Boris Tadic (26,7%) e o agora arrependido ultranacionalista Tomislav Nikolic (25%) disputarão a Presidência. No campo legislativo, a sorte foi ao contrário: o partido de Nikolic ganhou com 24,7%. Em segundo ficou Tadic, com 23,2% e em terceiro os socialistas do SPS com 16,6%.

Em contraste com outros países, os três ainda estão de acordo quanto a priorizar a entrada na UE. Não lhes resta outro remédio, depois que conseguiram limpar o território dos genocidas que os governavam há apenas um par de décadas. Com a Croácia entrando no próximo ano, o caso da Sérvia pode ser um teste crucial para a UE, pelo menos no que parece historicamente mais efetiva: a pacificação e a consolidação da democracia.

Concluindo, à espera de outros exercícios, a eleição francesa também gerou outro triunfo, embora seja meramente linguístico: "Vive la différence". Envolverde/IPS

* Joaquín Roy é catedrático Jean Monnet e diretor do Centro da União Europeia da Universidade de Miami (jroy@Miami.edu). (FIN/2012)

 
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