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Município Sul-Africano desesperado por água potável
Siphosethu Stuurman

JOANESBURGO, 17 de Maio, (IPS) - Milhares de residentes em Diepsloot, um município de grande dimensão a norte de Joanesburgo, na África do Sul, fazem filas durante várias horas para terem acesso a água potável limpa depois do abastecimento de água local ter sido contaminado por esgotos.

A contaminação ocorreu quando um empreiteiro que trabalhava num colector de esgoto na vizinhança destruiu a canalização que fornece água a Diepsloot. Embora os estragos tenham sido reparados, pensa-se que a bactéria E Coli tenha contaminado a água fornecida. Os residentes foram avisados pelas autoridades responsáveis pelas Águas de Joanesburgo que não deviam beber água da torneira a partir de 13 de Abril.

No entanto, uma semana depois do incidente, os residentes afirmam que não há suficientes tanques de água temporários para fornecer água potável a todas as pessoas neste município com mais de 150.000 pessoas.

"Está a fazer-se tudo o que é possível, disponibilizámos entretanto 65 tanques estacionários e 12 tanques móveis aos residentes," afirmou a porta-voz das Águas de Joanesburgo, Millicent Kabwe, acrescentando que cada um dos tanques estacionários tem capacidade para armazenar 5.000 litros.

Contudo, Scelo Shezi, líder comunitário, apontou que os tanques temporários não têm capacidade para armazenar a quantidade de água suficiente para a enorme população do município.

"Disseram-nos que não havia meios de transporte suficientes para trazer mais água para a comunidade...mas precisamos de tanques adicionais com água," afirmou Shezi.

Explicou que a paciência dos residentes estava a esgotar-se rapidamente.

"Estamos preocupados com o facto das pessoas terem de esperar numa fila durante muito tempo. É um verdadeiro problema, e esperamos que seja resolvido o mais brevemente possível," acrescentou.

Embora apenas um único distrito no município, o bairro 113, pareça ter introduzido o "sistema de uma família, um balde" após a ocorrência de brigas devido ao facto das pessoas não estarem satisfeitas com o número de baldes que cada indivíduo podia trazer para recolher a água, continua a haver mulheres e crianças com diversos baldes à espera da sua vez em longas filas.

Uma frustrada Duduzile Ngema explicou que tinha estado numa fila o dia inteiro.

"Não tomamos banho, não nos lavamos... temos um grande problema aqui em Diepsloot. Informaram-nos que a água vai regressar mas estamos à espera há muito tempo. Disseram-nos que podíamos morrer se bebessemos a água contaminada e que ela também causa doenças," queixou-se Ngema.

Segundo Ngema, a situação é degradante porque os residentes são obrigados a encontrar meios alternativos de fazer as suas necessidades. Ngeme hesitou fornecer pormenores, mas afirmou que os residentes usavam baldes e só quando os tanques de água chegavam é que eliminavam os dejectos.

"É uma situação muito difícil porque as sanitas precisam de água para a descarga, e portanto não as podemos usar, temos de usar baldes," disse Ngema, envergonhada.

Thamo Dlodlo, outra residente furiosa e desesperada, afirmou que a crise da água paralizou a vida na sua comunidade.

"Não podemos cozinhar, não podemos tomar banho, não podemos fazer nada. Não há vida sem água, precisamos de água, água potável," reclamou Dlodlo.

Explicou que os residentes têm sido obrigados a comprar água mas, como a maioria está desempregada, não a podem pagar. Diepsloot é um aglomerado informal composto por casas de tijolo com água potável e electricidade financiadas pelo governo, e também barracas - feitas de chapas de zinco e madeira - que não têm água canalizada.

As famílias nas casas governamentais têm contadores de água e pagam uma taxa subsidiada. No entanto, os residentes mais pobres não conseguem pagar a água e usam torneiras comunitárias que fornecem água gratuita em todo o bairro.

"Agora compramos a água de pessoas que têm carros, por 1.25 doláres por balde. Compramos água para que os nossos filhos possam ir à escola e também para beber. Mas não estamos a trabalhar... não temos muito dinheiro para comprar água. É tão difícil porque nem sequer temos água para tomar os nossos medicamentos," disse Dlodlo, desalentada.

Nalgumas áreas no município foi restabelecida a água potável mas as Águas de Joanesburgo afirmam que nesta altura não é possível indicar quando é que a água iria ser restabelecida em todo o bairro de Diepsloot.

As Águas de Joanesburgo foram criticadas pelo partido da oposição oficial na África do Sul, a Aliança Democrática, devido ao lento progresso no restabelecimento da água potável em Diepsloot.

No entanto, o Professor Akpofure Taigbenu, do Departamento de Engenharia de Recursos Hídricos da Universidade de Witwatersrand, afirmou que iria demorar alguns dias a restabelecer o abastecimento de água potável após de ter sido contaminada.

"Leva alguns dias a restaurar o sistema mas, na minha opinião, seis dias é exagerado. A questão principal é ter uma boa rede de tanques de água, por exemplo; a distância a pé entre o local onde as pessoas recolhem a água e esses tanques deve ser curta. Se a distância a pé for muito grande, isso exerce uma grande pressão sobre os habitantes," disse Taigbenu.

As Águas de Joanesburgo afirmam que o restabelecimento de água potável é um processo moroso.

"A complexidade do processo de rectificação desta situação e a magnitude da rede, o processo de descarga e os processos de engenharia e científicos associados implicam um certo tempo," explicou Kabwe. "As intervenções implementadas até agora que derivam destes processos demonstram uma melhoria significativa em termos de qualidade, mas por enquanto ainda não estão ao nível dos padrões nacionais."

Kabwe também atribuiu os problemas de água da cidade às infra-estruturas de abastecimento de água em mau estado.

"O envelhecimento das infra-estruturas representa na verdade um desafio. As Águas de Joanesburgo têm um programa de modernização que inclui a reposição das condutas de água e de esgotos em toda a cidade. Não é uma situação que pode ser utrapassada de uma só vez, mas as Águas de Joanesburgo estão a fazer progressos na sua abordagem de infra-estruturas críticas," afirmou a porta-voz.

Entretanto, a Ministra dos Recursos Hídricos, Edna Molewa, afirma que a África do Sul precisa de investir 71 mil milhões de doláres em infra-estruturas, serviços e gestão do consumo de recursos hídricos na próxima década. Contudo, o Ministério das Finanças tem um orçamento de apenas 44 por cento das verbas necessárias para modernizar os serviços hídricos da África do Sul.

(FIN/2012)

 
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