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Gana - Autismo "relegado para plano secundário"
Jonathan Migneault e Jamila Akweley Okertchiri

ACRA, 28 de Maio, (IPS) - À primeira vista, Nortey Quaynor, de 29 anos, parece ser igual a qualquer outro Ganês. Contudo, se alguém passar algum tempo com ele, percebe imediatamente que há algo diferente.

Ele evita o contacto visual e responde à maior parte das perguntas com uma só palavra. Às vezes cobre os ouvidos com as mãos para não ouvir os sons das crianças no parque de recreio ali perto.

Quando ainda era criança, Quaynor foi diagnosticado com autismo, um distúrbio do desenvolvimento caracterizado por interacções sociais deficientes.

"Nortey é boa pessoa mas só se compreendermos o significado do autismo," afirmou Abeiku Grant, que ensinou Quaynor no Centro de Formação, Cuidados e Sensibilização acerca do Autismo, em Acra, quando este era mais novo.

"Se não o fizermos, podemos vê-lo como uma má pessoa talvez porque, se lhe pedirmos que faça algo, ele faz algo diferente," disse Grant à IPS.

A mãe de Quaynor, Serwah Quaynor, criou o centro em 1998 porque não estava satisfeita com os poucos serviços disponíveis para o seu filho neste país da África Ocidental. O centro é um local raro no Gana onde as crianças com autismo podem receber cuidados especiais e a atenção de que necessitam.

Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) relativas a 2009, havia 150.000 pessoas no Gana com autismo. A organização também notou que só um a dois por cento das crianças deficientes que viviam nos países em desenvolvimento é que recebiam educação primária básica.

Mas Max Vardon, director executivo do Conselho Nacional do Gana para Pessoas Portadoras de Deficiência, afirmou que as estatísticas sobre as pessoas portadoras de deficiência no Gana eram muito pouco fiáveis e que o número real podia ser muito mais elevado. A sua organização pretende angariar 13 milhões de dólares para poder realizar um censo nacional sobre a deficiência.

"A deficiência foi relegada para plano secundário," disse Vardon.

Relativamente a esta questão, o autismo não é diferente de qualquer outra deficiência no Gana.

"Nunca ouvi dizer que o governo fizesse algo pelas crianças com autismo," disse Grant à IPS.

O Centro de Formação, Cuidados e Sensibilização acerca do Autismo recebe a maior parte do seu financiamento das propinas escolares. As crianças têm de pagar 300 Cedis (160 dólares) para participarem nas aulas de segunda a sexta-feira. O centro oferece às crianças autistas terapia da fala, terapia sensorial e musical. Possui um grupo de formadores que trabalham com os estudantes um-a-um para os ajudar a nível do seu desenvolvimento.

"Algumas das crianças já foram transferidas para escolas normais, referiu Baaba Enchill, um dos coordenadores no centro.

Mas os casos de sucesso no centro estão comprometidos devido à a constante falta de espaço e recursos. Só pode receber 30 estudantes e tem de rejeitar uma média de duas ou três crianças por semana. Há algumas outras instituições semelhantes no Gana mas todas elas enfrentam o mesmo problema.

Nos últimos 40 anos, a Escola Especial Novo Horizonte, em Acra, tem proporcionado um espaço de aprendizagem para crianças com a síndrome de Down, paralisia cerebral e autismo. Tal como o Centro de Formação, Cuidados e Sensibilização acerca do Autismo, a Escola Especial Novo Horizonte depende das propinas dos estudantes e donativos de doadores privados para manter as portas abertas. A maior parte dos seus 120 estudantes paga 500 Cedis (cerca de 265 dólares) por período escolar para ali estudar.

"Não recebemos nenhuma forma de apoio governamental," afirmou Vanessa Adu-Akorsah, administradora da Novo Horizonte. "O nosso director já tentou muitas coisas para convencer o governo a participar."

Adu-Akorsah acrescentou que a maioria dos seus alunos vem de lares monoparentais. "Infelizmente, quando estas crianças nascem, os pais abandonam as mães"

A escola não tem capacidade para oferecer serviços como terapia da fala e o fisioterapeuta só pode acudir os alunos que pagam o custo adicional dos seus serviços.

Adu-Akorsah afirmou que os seus professores auferem salários "baixos" e que o apoio governamental muito poderia contribuir para melhorar os serviços que a escola oferece e torná-la mais acessível às famílias com baixos rendimentos.

O Gana tem uma rede de internatos para crianças com deficiência, mas Adu-Akorsah explica que estas escolas deixam muito a desejar. Na Novo Horizonte, cada estudante recebe cuidados individuais mas nas escolas governamentais existem 12 estudantes para cada professor.

Tamba Gbessay, vice-director da Escola governamental de Necessidades Especiais de Dzorwulu, em Acra, afirmou que se têm registado progressos quanto à questão da educação especial no Gana.

"Estamos numa posição melhor por comparação aos anos 60, quando começámos," disse.

"O governo está mais envolvido e tem aumentado o seu financiamento para a contratação de trabalhadores, manutenção, veículos e formação de pessoal."

A sua escola tem 163 alunos que não pagam propinas. Mas não cuida de crianças com autismo.

"Não temos especialistas formados nessa área," disse.

Vardon explica que os serviços governamentais para pessoas portadoras de deficiência são reduzidos devido à falta de recursos.

"O governo está sensibilizado para o problema. Existe um departamento para educação especial. Mas isso é o máximo que podemos proporcionar àquelas crianças portadoras de deficiência neste momento. Não é suficiente. Nem de perto pode ser considerado suficiente," afirmou.

Devido ao esforço do Centro de Formação, Cuidados e Sensibilização acerca do Autismo, Quaynor pode percorrer um longo caminho. Trabalha numa fábrica de uma editora, pode ler e escrever e sabe assinar com as letras do alfabeto. Também ensinou ao seu formador, Grant, uma ou duas coisas.

"Ensinou-me a reconhecer que não posso atirar lixo à minha roda," relatou Grant. "Outra coisa que me ensinou foi usar o meu cinco de segurança quando me sento no carro.

Antes de poder ajudar outras pessoas como Quaynor, o centro necessita de receber um reforço do governo e de doadores privados.

"Precisamos de ajuda," disse Enchill. "Tanta quanta as pessoas possam dar."

(FIN/2012)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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