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Sul do Sudão prepara-se para um afluxo maciço de retornados
Jared Ferrie

JUBA , 28 de Maio, (IPS) - Na sequência de tensões fronteiriças, as Nações Unidas estão a transportar, por meio de ponte aérea, 12.000 Sudaneses do Ssul de uma cidade fronteiriça sudanesa para o Sul do Sudão.

Mas estas pessoas regressam a casa no meio de uma crise económica que já levou as Nações Unidas a avisar que talvez precise de fazer apelo a financiamento adicional para poder aumentar as operações humanitárias.

Justin Sana Gonugu afirmou que tinha passado 35 anos na capital sudanesa, Cartum. Decidiu regressar ao sul há um ano, quando o Sul do Sudão se preparava para a independência no dia 9 de Julho, mas só conseguiu chegar a Kosti, cidade situada nas margens do Nilo, no interior do Sudão, no estado do Nilo Branco. Kosti está localizada a 270 quilómetros de Cartum e a cerca de 930 quilómetros de Juba. Enquanto Gonugu esperava por transporte do outro lado da fronteira, vários milhares de Sudaneses do Sul do Sudão chegaram a este local nos meses seguintes à espera que o seu governo e as agências humanitárias os transportassem em barcaças ao longo do rio Nilo até Juba. Mas as barcaças só puderam transportar uma fracção daqueles que tinham chegado a Kosti, enquanto que milhares ficaram retidos naquela cidade, ao mesmo tempo que a segurança piorava ao longo da fronteira. As forçãs do Sudão e do Sul do Sudão têm entrado em confrontos intermitentes desde a separação do Sul do Sudão. Mas, no mês passado, ambos os países quase que entraram em guerra, depois do Sul do Sudão ter ocupado a área fronteiriça de Heglig, situada a 515 quilómetros de Cartum, uma zona que alegadamente estava a ser usada pelo Sudão para lançar ataques transfronteiriços. Apesar do Sul do Sudão reclamar igualmente esta área, Heglig é administrada pelo Sudão, contendo também os campos petrolíferos que produzem cerca de metade da produção de petróleo do Sudão. O Sul do Sudão retirou-se no dia 20 de Abril, dez dias depois de um pedido feito pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Mas o Sudão continuou a lançar bombardeamentos no território do Sul do Sudão e continuaram a ter lugar confrontos entre as forças terrestres. Vincent Hourver, chefe da missão da Organização Internacional para as Migrações das Nações Unidas, afirmou que a deterioração da situação de segurança convencera as autoridades que era necessário iniciar uma ponte aérea para transportar os retornados em vez de se continuar a usar as barcaças. Nas próximas semanas, a ponte aérea irá transportar para Juba as 12.000 pessoas que ficaram retidas em Kosti, aumentando para 1.000 chegadas por dia. "Estou muito cansado. Foi um ano sem alimentos, sem visitarmos o nosso povo," afirmou Gonugu depois de ter desembarcado de um dos primeiros voos na quarta-feira dia 16 de Maio. "Agora sinto-me muito, muito bem." Gonugu é um dos 375.000 Sudaneses do Sul que regressaram desde Outubro 2010, mas perto de meio milhão ainda estão no norte. Prevê-se que muitas mais pessoas regressem, especialmente devido ao aumento de tensão entre o Sudão e o Sul do Sudão nos últimos anos, o que tem causado receios que estas pessoas possam sofrer abusos por parte das autoridades sudanesas. Um grande afluxo de retornados vai exercer uma pressão adicional na rede de segurança humanitária no Sul do Sudão, cada vez mais frágil. As agências têm avisado que o agravamento da crise económica aumentará os preços dos alimentos, o que vai deixar um número de pessoas mais elevado do que o previsto a necessitar de ajuda alimentar este ano. No final de Janeiro, o Sul do Sudão decidiu suspender a produção de petróleo depois de acusar o Sudão de ter roubado 815 milhões de dólares do seu petróleo bruto. O Sudão afirmou que retirara o petróleo a título de compensação por emolumentos não pagos. Os dois países envolveram-se em negociações fracassadas sobre quanto é que o Sul do Sudão, sem ligação ao mar, devia pagar para usar os oleodutos e instalações de processamento no Sudão. O Sul do Sudão afirma que suspendeu a produção de petróleo como último recurso, mas a decisão custou ao governo 98 por cento das suas receitas. Sem receitas de praticamente a sua única fonte de exportações, o Sul do Sudão está dependente das suas reservas cambiais para gerir o país. Mas a falta de dólares a entrar na economia teve resultados previsíveis, visto que a libra do Sul do Sudão perdeu rapidamente o seu valor. A cotação oficial é 2.95 relativamente ao dólar, mas caíu para cinco libras no mercado negro, quando em Janeiro era 3.5. O custo dos alimentos e outros bens aumentou e o país enfrenta igualmente uma escassez de combustível. Lise Grande, coordenadora humanitária da Nações Unidas para o Sul do Sudão, afirmou que a organização tinha calculado que seriam necessários 760 milhões de dólares para cobrir as necessidades humanitárias este ano, mas que apenas tinha recebido 32 por cento daquele valor. Depois da decisão do Sul do Sudão de suspender a produção de petróleo, as agências das Nações Unidas deram início a uma reavaliação que deverá estar finalizada nos próximos dias. "Temos todas as razões para prever que o volume de ajuda que será necessária - se a produção de petróleo não for reatada - implique maiores solicitações da nossa parte," afirmou Grande. Antes da suspensão, o Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas tencionava oferecer ajuda alimentar a 2.7 milhões de pessoas, enquanto que as agências calculavam que cerca de metade da população do país de 8.26 milhões de pessoas enfrentaria a insegurança alimentar. Segundo Grande, prevê-se que esse número aumente, juntamanete com o custo dos alimentos. Ela explicou que os preços dos produtos básicos nas comunidades fronteiriças tinham aumentado quase 200 por cento. As áreas perto da fronteira que dependiam das rotas tradicionais norte-sul foram particularmente afectadas pelas tensões entre o Sudão e o Sul do Sudão que quase colocaram os dois países à beira de uma guerra no mês passado. O Sudão já tinha imposto restrições ao comércio transfronteiriço antes da separação do Sul do Sudão e, no mês passado, Cartum decidiu impôr o estado de emergência nas zonas fronteiriças, aumentando ainda mais o estrangulamento do comércio. Mas a falta de combustível também exerceu pressão sobre as organizações de ajuda humanitária, asseverou Helen McElhinney, analista de políticas que trabalha na Oxfam International. A agência está a distribuir água e saneamento a 37.000 refugiados no campo de Jamam, perto da fronteira com o Sudão. "Desde Janeiro que o preço de petróleo aumentou mais de 100 por cento," explicou McElhinney. "As agências vão continuar a responder às necessidades humanitárias, mas a subida de preços está a dificultar ainda mais a resposta dada, que já constituia um desafio." Os refugiados em Jamam são do estado do Nilo Azul, onde Cartum está a lutar contra insurgentes numa campanha que já desalojou mais de 100.000 residentes em toda a fronteira no Sul do Sudão e Etiópia. Os refugiados também estão a chegar ao Sudão do Sul do estado vizinho do Cordofão do Sul, onde Cartum luta contra com os mesmos insurgentes. "Muitos estão traumatizados e um crescente número de crianças está subnutrida," revelou Grande. "Os refugiados afirmam que se dirigem para o Sul do Sudão porque têm fome." Na terça-feira, dia 15 de Maio, grupos de ajuda humanitára, incluindo a Comissão Internacional de Resgate e a organização Refugiados Internacional, emitiram uma declaração conjunta avisando que a situação podia piorar ainda mais. Os grupos apelaram ao fim do conflito no Nilo Azul e no Cordofão do Sul e exortaram o Sul do Sudão e o Sudão a chegarem a um acordo de paz e a repararem as sua economias em crise. "Uma combinação tóxica de conflitos, aumento dos preços dos alimentos e de combustível, e uma grave escassez de dinheiro estão a ter um impacto devastador na população civil em ambos os países," afirmou Jon Cunliffe, Director da organização Save the Children no Sul do Sudão. (FIN/2012)

 
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