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Depois da Guerra, a Crise Económica Atinge o Sul do Sudão
Charlton Doki

Juba, 15 deJunho, (IPS) - As Nações Unidas advertiram que, apesar das medidas de austeridade impostas no Sul do Sudão para lidar com os seus problemas económicos, as agências humanitárias terão de aumentar os seus esforços para manter os pobres do país vivos à medida que a situção económica se deteriora.

"Serão as organizações humanitárias que vão prestar a assistência necessária para ajudar as famílias a sobreviver," disse à IPS Lise Grande, coordenadora humanitária das Nações Unidas no Sul do Sudão. A crise económica foi desencadeada pela decisão do Sul do Sudão de suspender a produção petrolífera, que representa 98 por cento das receitas do país, no final de Janeiro, depois de um diferendo com o Sudão sobre as taxas cobradas para usar os seus oleodutos. O governo introduziu medidas de austeridade pouco depois, que incluem cortes em áreas essencias como investimentos, redução para metade dos gastos das instituições governamentais, restrições ao crédito de forma a financiar apenas as actividades que estimulem o crescimento económico como o desenvolvimento de infra-estruturas, e intensificação dos esforços de cobrança das receitas fiscais. O governo também tem recorrido a um forte endividamento internacional, adquirindo diversos empréstimos de grande dimensão junto de bancos estrangeiros para atenuar a crise financeira. No entanto, Grande disse à IPS que, se o governo ficasse sem dinheiro para pagar os cuidados de saúde e a educação, as comunidades seriam gravemente afectadas. "Estamos todos preocupados com o facto de, quando a austeridade começar a ter um impacto cada vez maior nas famílias, terão de ser as agências humanitárias a aumentar as suas operações, a intensificar o seu apoio para ajudar as famílias a ultrapassar as dificuldades," disse Grande à IPS.

Embora os economistas e o Banco Mundial advirtam que a economia do Sul do Sudão pode entrar em colapso total antes do fim do ano, os líderes locais afirmam que esta afirmação não é verdadeira. (O jornal local, Sudan Tribune, noticiou no dia 6 de Maio que a fuga de documentos do Banco Mundial (http://www.sudantribune.com/DOCUMENT-World-Bank-Analysis-of,42534) indicava que o país iria enfrentar o possível "colapso do estado").

"O Sul do Sudão vai prosseguir o seu caminho durante o tempo que for necessário. Não temos nenhum plano para entrar em colapso como as pessoas que nos querem mal gostariam de acreditar. Não temos nenhum plano para desaparecer. Estamos aqui para ficar," disse à IPS o Ministro das Finanças e Planeamento Económico, Kosti Manibe.

Contudo, a cessação da produção pretrolífera causou uma grave falta de moeda estrangeira. Consequentemente, a moeda local caíu drasticamente contra o dólar. O câmbio oficial é 296 libras do Sul do Sudão por cada dólar, mas baixou drasticamente para cinco libras por cada dólar no mercado negro do valor de 3.5 registado em Janeiro. Numa entrevista anterior concedida à IPS, Grande afirmou que o preço dos produtos básicos nas comunidades fronteiriças tinha aumentado quase 200 por cento.

Em resultado, o combustível escasseia e o preço aumentou para cerca de 30 libras (seis dólares) por litro para o gasóleo e a gasolina, comparado com as seis libras antes da crise.

Além disso, a taxa de inflação no país saltou para 50.9 por cento em Março dos 21.3 por cento em Fevereiro, de acordo com o gabinete de estatística do Sul do Sudão. "Os tempos são difíceis. Isso é verdade, mas tomámos medidas para lidarmos com a situação e vamos (sobreviver)... da mesma forma que o fizemos durante os tempos difíceis da guerra," insistiu Manibe. O país, outrora parte do Sudão, esteve envolvido numa guerra civil desde 1983 até 2005. No entanto, Spencer Kenyi, economista ambiental e consultor do Banco Mundial sobre o sector privado no Sul do Sudão, afirmou que era errado o governo usar a capacidade do povo de suportar privações como desculpa pelo seu falhanço em resolver os actuais desafios económicos. "As pessoas sofreram durante a guerra mas não foi por quererem. Não tinham escolha. O governo precisa de criar alguma aparência de ordem não só na execução da sua política mas também na execução das políticas correctas com vista a melhorar as vidas das pessoas," observou.

Kenyi é uma das muitas pessoas que criticaram a decisão do governo de suspender a produção petrolífera, afirmando que foi tomada prematuramente sem qualquer análise prévia e sem qualquer preparação para as consequências.

Entretanto, o governo afirmou que neste momento depende das reservas que fazem parte de poupanças que afirma terem sido acumuladas nos últimos sete anos. Apesar do governo não ter revelado quanto dinheiro tem disponível, já informou que os fundos vão durar 18 meses. "Se estas reservas se esgotarem, é óbvio que a economia entrará em colapso. Já estão a aparecer alguns sinais indiciadores que o sistema está a começar a entrar em colapso. O facto de já não existir combustível nos postos de combustível demonstra que, se não fizermos algo drástico, a economia em breve entrará em colapso. A falta de combustível afecta todos os aspectos da nossa vida," disse Kenyi. O antigo Ministro das Finanças e Planeamento Económico, Arthur Akuein Chol, também criticou o governo por não ter diversificado para outras formas de produção de receitas para além do petróleo. Afirmou que a campanha do governo, lançada em Maio, direccionada para o aumento da cobrança de receitas não petrolíferas em 300 por cento nos próximos seis meses, não iria gerar receitas significativas. Contudo, Manibe afirmou que a cobrança governamental nos últimos três meses tinha quadruplicado. "Mas também vamos cobrar impostos sobre fontes não tradicionais, o que não foi feito até agora. Elas incluem áreas que anteriormente estavam sob a jurisdição do governo do Sudão e que agora nos pertencem, como a emissão de licenças. Isto inclui o licenciamento, por exemplo, das telecomunicações, licenças para concessões no campo da exploração petrolífera e desenvolvimento e licenças de exploração mineira," disse à IPS. Em Maio, o Sul do Sudão obteve um empréstimo de 100 milhões de dólares do Banco Nacional do Qatar para financiar a importação de bens essenciais e serviços, incluindo combustível, alimentos e medicamentos. Sabe-se que o governo também está em vias de obter um outro empréstimo de 100 milhões de dólares do Banco Stanbic e um outro empréstimo de 500 milhões de dólares de outra fonte não revelada. Em Abril, a China concordou conceder ao novo país um empréstimo de oito biliões de dólares que o Sul do Sudão disse iriam ser usados para financiar o desenvolvimento infra-estrutural do Sul do Sudão. Os termos exactos destas negociações ainda não foram publicados, mas sabe-se que o reembolso está ligado às futuras receitas petrolíferas. Kenyi apontou que, em vez de pedir dinheiro emprestado, o governo devia ter encetado contactos com institutições financeiras internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional e países doadores com os quais podia ter negociado acordos bilaterais acerca de subvenções. Contudo, Kenyi advertiu que a economia emergente do Sul do Sudão podia sofrer consequências graves se começasse a depender de empréstimos numa fase tão precoce na sua democracia. "Qualquer dinheiro obtido de subvenções não pode ser desperdiçado. Só deverá ser usado para prestar serviços essenciais como cuidados médicos para o cidadão comum e para realizar trabalho de desenvolvimento," afirmou Kenyi. Um relatório de 17 de Maio elaborado pelo grupo activista Global Witness apelou ao Sul do Sudão que fosse cauteloso e demonstrasse transparência total na obtenção de financiamentos apoiados pelo petróleo. O grupo pediu ao governo que publicasse os dados pormenorizados de qualquer acordo de empréstimo para impedir condições exploradoras, corrupção e má administração que podem subverter os benefícios imediatos. Entretanto, Grande afirma que as Nações Unidas farão tudo o que estiver ao seu alcance para ajudar as pessoas afectadas pela insegurança alimentar. "Vamos ajudar as pessoas com assistência alimentar conforme o período de escassez for evoluindo e quando a austeridade apertar com mais força," disse. "O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas irá fornecer ajuda alimentar a 2.7 milhões de pessoas, de um total de 4.7 milhões que precisam de ajuda alimentar este ano," acrescentou Grande. Kenyi avisou que as agências humanitárias não podem arcar todo o fardo de ajudar o povo do Sul do Sudão. "As Nações Unidas e outras organizações humanitárias só podem ajudar os refugiados e os deslocados internos. Não acredito que forneçam alimentos, roupas e cuidados médicos a toda a população," acrescentou. Mas não via muitos países a apressarem-se a oferecer ajuda: "Os países europeus têm os seus próprios problemas e é pouco provável que continuem a doar dinheiro às ONGs para que estas apoiem os Sudaneses do Sul."

(FIN/2012)

 
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