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Colorau
Dar Mais Gosto À Economia do Malawi
Claire Ngozo

Lilongwe, 15 de Junho, (IPS) - Quando se senta para ver as notícias das oito da noite na televisão, Mercy Kamphponi, da aldeia de Chamtulo, no distrito do Lago de Mangochi, parece muito eufórica. Não consegue acreditar que é a orgulhosa proprietária de uma televisão, um frigorífico e um rádio.

Estes produtos electrónicos são vistos como produtos de luxo neste país da África Austral, onde 74 por cento da população vive com menos de 1.25 dólares por dia. E são apenas uma das muito poucas coisas "exclusivas" que pertencem a Kamphoni.

Para uma mulher que vive numa zona rural do Malawi, Kamphoni é vista como alguém que vive bem. Também possui uma biciceta, uma bomba de pedal - uma bomba que funciona com força muscular humana montada em cima de um poço- para irrigar as suas culturas, e um silo para armazenar as colheitas.

Kamphoni, de 44 anos, conseguiu adquirir todas estas coisas nos últimos três anos depois de ter começado a envolver-se na agricultura comercial e de ter abandonado a agricultura de subsistência que iniciou quando se casou aos 16 anos.

Divorciada há quatro anos e com cinco filhos com idades compreendidas entre os seis e 14 anos, Kamphoni consegue enviar todos os filhos à escola e cobrir as necessidades da sua família - graças ao colorau.

"Só plantei milho porque era esse o costume. Quase toda a gente neste país planta milho e foi isso que eu e o meu ex-marido fizemos até à altura em que nos abandonou. Depois tive de procurar uma forma de sobreviver e tomar conta dos meus filhos," disse Kamphoni à IPS. "Fui apresentada a um clube de mulheres agricultoras e foi nessa altura que aprendi que uma pessoa podia ganhar dinheiro com a plantação de colorau."

De facto, ela ganha aproximadamente três vezes mais do que ganhava quando plantava o milho. Um quilo de milho é vendido por 35 cêntimos enquanto que um quilo de paprika rende a Kamphoni mais de um dólar.

"O colorau é a melhor opção para o Malawi. Dá-me um lucro quatro vezes superior ao montante que eu invisto na sua plantação," contou Kamphoni.

O Sindicato dos Agricultores do Malawi (FUM) encoraja os pequeno agricultores a diversificarem a sua actividade e a iniciarem a agricultura comercial, que afirma ser mais sustentável.

"Concordamos que a plantação de milho é boa para a vida diária das pessoas, visto que assegura a disponibilidade do milho nessas famílias. Mas as culturas comercializáveis como o colorau são ainda mais viáveis e sustentáveis porque permitem aos agricultores ganhar dinheiro, permitindo-lhes adquirir uma vasta gama de produtos," disse à IPS o Presidente do FUM, Felix Jumbe.

Além de promover colorau, o FUM também encoraja os agricultores a iniciarem a plantação de cogumelos e soja, igualmente procurados. Contudo, não há muitos agricultores que saibam que o colorau tem o potencial para ser uma fonte importante de moeda estrangeira.

O tabaco é a principal fonte de receitas no Malawi, sendo responsável por cerca de 60 por cento - ou 950 milhões de dólares - das suas divisas estrangeiras O tabaco representa cinco por cento da exportação mundial total do produto, de acordo com o Ministério da Agricultura.

No entanto, Jumbe explicou que a venda de tabaco não está correr bem, em resultado dos esforços bem sucedidos dos grupos de pressão anti-tabagistas internacionais. Em 2011, o tabaco exportado pelo Malawi ascendeu aos 210 milhões de quilos mas, de acordo com estimativas, as vendas em 2012 só deverão totalizar 151.5 milhões de quilos.

"De ano para ano temos assistido ao decréscimo das vendas de tabaco e precisamos de começar a examinar algo diferente desde que seja sustentável. Esse algo diferente é o colorau," disse.

De acordo com um relatório de 2011 emitido pelo Ministério da Agricultura sobre os ganhos potenciais que o colorau pode gerar, há um mercado para 10.000 toneladas métricas. As vendas podem chegar aos 9.4 milhões de dólares. Actualmente, os agricultores no país só exportam 500 toneladas métricas da fruta capsicum, que rende 470.000 dólares em divisas.

Gladwell Kwapata, agricultor de 51 anos no distrito central de Mchinji, é um dos poucos agricultores que optaram por abandonar o tabaco em favor do colorau.

Antes desta decisão, Kwapata plantara tabaco durante 21 anos.

"Mas a venda de tabaco tem diminuído nos últimos cinco anos, com o preço médio a baixar de 2.5 dólares para menos de um dólar por quilo. Isto estava a ameaçar o modo de subsistência da minha família e por isso decidi mudar para o colorau," explicou à IPS.

A nova Presidente do Malawi, Joyce Banda, já se apercebeu do importante papel que o colorau pode desempenhar na economia do país.

Disse ao parlamento no dia 18 de Maio, durante o discurso sobre o estado da nação, que gostaria de ver uma indústria sustentável de colorau no país.

"A agricultura desempenha um papel vital no desenvolvimento sócio-económico do país. O governo está determinado em eliminar a fome e garantir que nenhuma criança no Malawi se deite com o estômago vazio e muito menos que morra de fome," disse Banda. Cerca de uma em cada dez crianças no país morre antes de fazer cinco anos.

Acrescentou que o objectivo principal da sua administração relativamente ao sector agrícola era gerar crescimento e criar riqueza através da agricultura comercial, da promoção de mercados regionais e da diversificação de culturas. Banda afirmou que isso exigiria a introdução de novas políticas e mudanças institucionais.

Entretanto, Kwapata está a colher os benefícios da reconversão de culturas.

"Tenho plantado colorau nos últimos dois anos e já estou a gozar os frutos do meu trabalho. Consegui um lucro de mais de 1.500 dólares só no ano passado," contou à IPS.

(FIN/2012)

 
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