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Malawi
Hospitais Debatem-se com Dificuldades Devido à Falta de Água
Charles Mpaka

BLANTYRE, 15 de Junho, (IPS) - Duas cadeiras de plástico meio estragadas impedem a entrada nas casas de banho da Clínica do Município de Bangwe em Blantyre. As casas de banho não estão a funcionar porque não há água corrente - mais uma vez. E se os pacientes quiserem usar as instalações têm de correr para a porta mais próxima, na escola primária, que tem latrinas de fossa.

"Não é nada que não tenha acontecido antes," afirmou a enfermeira, falando sob condição de anonimato. "Tem sido assim há duas semanas. Muitas vezes não temos água corrente, especialmente durante a época seca. Temos duas casas de banho, portanto às vezes (como agora), temos de encerrá-las." Mas a clínica, que atende uma média de 100 pessoas por dia, precisa de água para os seus pacientes e a enfermeira retira dois baldes de água por dia de um poço de uma mesquita ali ao pé. "Só tiramos dois baldes para que os nossos pacientes tenham alguma água para beber ou para tomar os medicamentos. Estamos a ser afectados por esta falta de água. O meu trabalho não é ir à procura de água mas sim examinar e receitar os medicamentos para os meus pacientes," queixou-se a enfermeira. A estação das chuvas no Malawi acabou em Março. Agora é a estação seca mas, este ano, o volume de água é muito mais baixo. Esta situação levou a Administração das Águas de Blantyre, empresa estatal, a começar a racionar a água. A administração admite, porém, que a actual procura de água na cidade excede em muito a capacidade de abastecimento. Prejudicada pela persistente falta de energia no seu principal canal receptor de água, localizado a mais de 50 quilómetros de distância de Blantyre, e por um sistema de abastecimento de água em colapso que não é reabilitado há mais de 40 anos, a Administração está a enfrentar problemas para satisfazer a crescente procura de água. A população de Blantyre cresceu de 113.000 pessoas em 1966 para 670.000 em 2008, de acordo com o Gabinete de Estatística Nacional. No entanto, existe um projecto no valor de cinco milhões de dólares actualmente em curso para melhorar as infra-estruturas hídricas deste país da África Austral até 2013. A Administração das Águas de Blantyre afirma que o projecto vai melhorar o abastecimento de água de 78.000 metros cúbicos por dia para 96.000 metros cúbicos por dia. Isso iria permitir à Administração acabar com a falta perene de água e abastecer mais de um milhão de pessoas. Entretanto, nos municípios espalhados por toda a cidade, é frequente ver-se residentes em filas para adquirirem água nas fontes de água que ainda funcionam. Alguns chegam mesmo a usar os riachos da cidade para lavar roupas ou para tomar banho. Os hospitais não foram poupados. O Hospital Adventista de Blantyre, um dos principais hospitais privados do Malawi, não teve água durante uma semana. O Director Executivo do hospital, Kirby Kasinja, disse à imprensa local que a falta de água tem sido um problema persistente naquele estabelecimento hospitalar. Tem havido breves interrupções no abastecimento de água nos últimos meses, mas o abastecimento de água parou completamente na semana passada, dificultando as operações do hospital. "Temos roupas sujas e ensanguentadas provenientes da sala de operações e precisamos de lavá-las. (Mas) como é que as podemos lavar quando ficamos sem água regularmente? Mesmo os pacientes devem supostamente estar limpos por uma questão de higiene, mas também não temos água para (os banhos)," explicou. Desesperado para manter tudo a funcionar nos quartos, nas unidades de maternidade e noutros departamentos críticos, o hospital gasta 400 dólares por dia para contratar camiões cisterna privados para satisfazer algumas das suas necessidades de água. Mas Kasinja afirma que estes custos são demasiados elevados para o hospital. O porta-voz da Administração das Águas de Blantyre, Innocent Mbvundula, negou que os hospitais foram obrigados a racionar água. Segundo ele, há áreas prioritárias onde a água não é cortada. "Não cortamos (o abastecimento de água) aos hospitais porque são instalações cruciais," disse, atribuindo algumas dos cortes de água nos hospitais a problemas técnicos. Garantiu à IPS que a administração investiga e resolve estas questões de abastecimento logo que surgem alterações. Maziko Matemba, Director do Programa Educacional sobre Saúde e Direitos, uma organização da sociedade civil no campo da saúde, disse que a falta de água na cidade tinha um grande impacto na saúde dos residentes e dos pacientes nos hospitais. Afirmou que os pacientes precisavam de água, especialmente para a sua higiene pessoal. "(Para implementar) a prevenção de doenças é necessário ter água constantemente, visto que um ambiente não higiénico é campo fértil para a propagação de muitas doenças infecciosas. Esta falta de água pode criar uma crise de saúde," disse Matemba. Instou a Administração das Águas de Blantyre a dar prioridade ao abastecimento de água aos hospitais e a implementar programas de orientação sobre a utilização adequada de água nos hospitais, casas e lugares públicos de modo a aliviar a pressão existente sobre a rede de distribuição de água, demasiado sobrecarregada. Até isso acontecer, os residentes e as instalações mais importantes da cidade vão ter de encontrar fontes alternativas de água. Quanto à Cliníca do Munícipio de Bangwe, não há muito que os funcionários possam fazer. Quando o poço na mesquita deixa de funcionar, a clínica fica sem água. "É uma situação um pouco tolerável porque somos um hospital de consultas externas. Mas o problema é persistente. Nunca se sabe, um dia podemos ter de pedir aos pacientes que tragam água em garrafas para beber enquanto esperam pela consulta médica," disse a enfermeira. (FIN/2012)

 
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