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O Malawi Recorre a Moçambique Para Obter Energia
Claire Ngozo

LILONGWE, 15 de Junho , (IPS) - Ora aparece ora desaparece.... é esta a história do abastecimento de energia do Malawi e do projecto de interconexão que poderá acabar com as falhas de energia eléctrica mediante a importação de electricidade de Moçambique, país vizinho.

Actualmente, o consumo total de energia do Malawi é 300 megawatts (MW), mas a capacidade de produção energética do país é só 266 MW. Prevê-se que esta diferença aumente rapidamente num país onde, segundo o Banco Mundial, só oito por cento da população de 14 milhões tem acesso a electricidade. O Ministro da Energia estima que o país precise de 603 MW em 2015 e 829 MW em 2020.

A estação hidroeléctrica do Malawi no Shire, o maior rio do país, está a ser afectada pelo assoreamento e equipamento antiquado, tornando o abastecimento de energia neste país da África Austral irregular.

Os cortes de energia diários podem durar seis horas e tanto pequenas como grandes empresas têm dificuldades devido ao abastecimento variável de electricidade.

"Não posso esperar que a situação melhore. Coloco a minha esperança neste novo acordo com Moçambique," afirmou Judith Chilika, que dirige um salão de beleza e um restaurante na capital do Malawi, Lilongwe.

Ela disse à IPS que os negócios tinham sofrido muito com as constantes falhas de energia.

"Tive de encerrar o restaurante e o salão de beleza muitas vezes devido à falta de electricidade. Não tenho dinheiro para deixar ligados os geradores de reserva durante muito tempo porque o combustível é caro e também porque desde há algum tempo tem havido falta de gasóleo e de gasolina," explicou Chilika.

Contudo, está disponível muita energia de uma barragem ali perto do outro lado da fronteira, em Moçambique. A gigantesca barragem de Cahora-Bassa, que foi construída em 1974, fornece electricidade não apenas a Moçambique mas também à África do Sul.

Uma proposta de 2008, apoiada por um pacote de 200 milhões do Banco Mundial, no sentido de adquirir energia de Cahora-Bassa, tem sofrido repetidos atrasos. No ano passado, o plano parecia estar morto, após o governo do Malawi ter colocado o projecto na gaveta devido a preocupações relacionadas com o seu custo.

Mas o novo governo do Malawi, dirigido por Joyce Banda - que assumiu o poder três dias depois da morte, por doença, do Presidente Bingu wa Mutharika em Abril -, agiu rapidamente para fazer reviver o projecto. No dia 12 de Maio, o governo de Banda assinou um memorando de entendimento com Moçambique para, mais uma vez, se avançar com a ligação da rede eléctrica.

O plano de interconexão está em consonância directa com a tónica dada pela Comunidade de Desenvolvimento para a África Austral (SADC) à cooperação ao longo dos cursos de água comuns - ilustrando a cooperação a favor do desenvolvimento sustentável e ainda a promoção da agenda da SADC no que diz respeito à integração regional e redução da pobreza.

A partilha de energia é uma das estratégias que estão a ser usadas na implementação do Protocolo Revisto Sobre os Cursos de Água Partilhados [LINK: 2003 Revised Protocol on Shared Watercourses -- http://www.sadc.int/index/browse/page/159], que apoia o desenvolvimento, transmissão e armazenamento conjuntos de energia para se alcançar maior fiabilidade, poupança e partilha equitativa de custos e benefícios entre os estados ribeirinhos.

"O objectivo principal do protocolo é incentivar uma cooperação estreita e coordenada com respeito à gestão, protecção e utilização dos cursos de água partilhados e promover a agenda da SADC," disse Lopi à IPS.

Os Malawianos estão moderadamente optimistas quanto às notícias de que o acordo continua válido. "Temos esperança que viremos a desfrutar de um abastecimento de energia mais fiável que irá fortalecer o nosso trabalho industrial, ajudar a melhorar a economia do Malawi e reduzir a pobreza no país," disse John Kapito, director executivo da Associação de Consumidores do Malawi, a organização de consumidores com mais influência no país.

Kapito afirmou que as falhas de energia têm de acabar se a intenção é colocar o país no caminho da recuperação em termos económicos.

"Este acordo é a nossa maior esperança," revelou Kapito à IPS.

Mas os consumidores e empresários optimistas vão ter de esperar por informações detalhadas sobre o acordo que ainda não foi finalizado, segundo o Ministro da Energia do país, Cassim Chilumpha.

Chilumpha disse ao Parlamento esta semana que o grupo técnico ainda precisa de deslocar-se a Moçambique para finalizar o processo. "Vamos tentar, tanto quanto possível, acelerar o processo para que possamos beneficiar do novo acordo o mais depressa possível," disse.

(FIM/IPS/AF/SA/CN/TG/12)

BARRA LATERAL

As tentativas do Malawi no sentido de melhorar o seu abastecimento de energia também foram afectadas pela decisão, em Julho de 2011, da Corporação de Desafios do Milénio (CDM), uma agência governamental de ajuda internacional dos Estados Unidos, de congelar um subsídio ao sector da energia.

O subsídio de 350.7 milhões de dólares destinava-se à reabilitação e à modernização do sistema eléctrico através da preservação e estabilização da capacidade existente de produção de energia, da melhoria da capacidade da rede de transmissão e distribuição, e do aumento da eficiência e sustentabilidade da produção de energia hidroeléctrica local.

Num comunicado, a CDM afirmou que tinha tomado a decisão de reter os fundos devido ao uso da força pelas autoridades do Malawi para impedir a realização de manifestações pacíficas no dia 20 e 21 de Julho e para amordaçar imprensa. Pelo menos 21 pessoas foram mortas e 275 foram detidas durante as manifestações contra Mutharika como forma de protesto contra a falta de combustível, grande escassez de divisas externas, longos e recorrentes períodos sem electricidade e escassez de água. (FIN/2012)

 
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