África
  Mundo
  Economía
  Direitos Humanos
  Saúde
  Ambiente
  Globalização
  Arte e Cultura
  Energia
  Politica
  Desenvolvimento
  Colunistas
 
  RSS o que é isso?
   ENGLISH
   ESPAÑOL
   FRANÇAIS
   SVENSKA
   ITALIANO
   DEUTSCH
   SWAHILI
   MAGYAR
   NEDERLANDS
   ARABIC
   POLSKI
   ČESKY
   SUOMI
   PORTUGUÊS
   JAPANESE
   TÜRKÇE
PrintSend to a friend
 

Milhões de pessoas abandonadas à própria sorte por falta de fundos
Kim-Jenna Jurriaans

Nova York, Estados Unidos, 28/7/2012 , (IPS) - A ajuda humanitária sofreu no ano passado a maior perda de fundos em uma década, o que revela o fracasso da comunidade internacional em enfrentar as necessidades crescentes de um mundo em crise.


Crédito: UN Photo/WFP/Phil Behan.

A organização britânica Development Iniciatives divulgou um informe este mês destacando o volátil contexto da assistência humanitária após o terremoto do Haiti e as grandes inundações do Paquistão em 2010.

O estudo coincide com dados de meados do ano divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), que elevam as projeções das necessidades humanitárias de US$ 7,9 bilhões para US$ 8,8 bilhões este ano. As exigências da assistência humanitária diminuíram de 74 milhões de pessoas necessitadas em 2010, para 62 milhões no ano passado. Entretanto, a comunidade internacional não pôde cumprir com as menores obrigações.

As contribuições de governos e doadores privados para esta causa caíram 9%, o que fez com que 38% das necessidades humanitárias não fossem atendidas em 2011, acima dos 28% de 2007. Nesse período, os fundos para este fim aumentaram de US$ 12,4 bilhões para US$ 17,1 bilhões. Foi um ano especial para a assistência humanitária, com o terremoto do Haiti e as enormes inundações do Paquistão, pois exigiram US$ 18,8 bilhões da comunidade internacional, enquanto em 2009 foram necessários US$ 15,3 bilhões.

A brecha entre as necessidades e os recursos disponíveis aumenta, apesar de o setor ter provado possuir uma extraordinária resiliência devido à redução da ajuda oficial ao desenvolvimento, segundo Lydia Poole, autora do estudo da Development Iniciatives e responsável pelo programa de assistência humanitária global da organização. "O aspecto positivo do informe é que, por certo, o aumento do financiamento privado, que, de fato, parece muito receptivo diante das crescentes necessidades", afirmou. "Além disso, os fundos privados tampouco diminuíram tanto em 2011 como se previa", ressaltou.

O financiamento privado aumentou 70% em 2010 e, como os recursos humanitários em geral, em 2011 permaneceram acima do nível de 2009. A atenção internacional que concentraram os desastres do Haiti e Paquistão aumentou as necessidades humanitárias até níveis sem precedentes, mas também gerou uma mudança significativa na distribuição dos fundos, que deixou outros países quase sem nada. Chade e Nepal registraram cada um queda na ajuda humanitária de pelo menos 30% em 2010, o que mostra que a nova tendência destina 50% dos fundos aos três maiores beneficiários.

Nos dez anos anteriores, apenas um terço dos recursos da ajuda humanitária se concentrava nos três países com maior crise, e o restante se distribuía entre uma grande quantidade de países. De fato, o Haiti recebeu em 2010 mais que o dobro da ajuda que o maior beneficiário de 2009. "Por certo que não corresponde com os bons princípios das doações humanitárias financiar uma crise à custa de outra", apontou Poole, destacando, em especial, os efeitos no Chifre da África, que tomaram proporções devastadoras no ano passado.

Apesar dos alertas sobre a iminente seca na região, "o efeito foi que não bastaram os fundos para as dispostas organizações da região, que poderiam ter prevenido o sofrimento e salvo muitas vidas se tivessem em mãos os recursos para isso", observou Poole. Os desastres naturais e os conflitos continuam sendo os principais responsáveis pelas crises humanitárias, diz o informe da Development Iniciatives. Entretanto, apenas 4% da ajuda humanitária se destinou à prevenção e à preparação entre 2006 e 2010, bem abaixo dos 10% ideais, segundo o estudo.

O informe menciona as dificuldades das organizações locais, que costumam ser as primeiras a responder em tempos de crise, para ter acesso a fundos estatais e internacionais quando ocorre um desastre. Muitas organizações internacionais são reticentes em se associar com atores locais por medo de perderem visibilidade e, no final, doadores, disse Manisha Thomas, assessora para resposta humanitária, durante um encontro do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, patrocinado pelo governo do Haiti e pela Organização Internacional das Migrações.

"Infelizmente, se não se fizer ondular a bandeira de sua organização, muitos doadores não a financiarão", ressaltou Manisha. É necessária uma discussão por parte dos doadores sobre o financiamento de organizações internacionais para que se associem com atores locais. "Em tempos de austeridade financeira, há um argumento econômico de que as organizações nacionais e locais são muito mais eficientes em termos de custos ao responderem a uma crise humanitária", acrescentou.

Entretanto, nota-se que crescem as necessidades em 2012, quando a crise do Sahel e o conflito no norte de Mali aumentaram a quantidade de gente em situação crítica de 51 milhões para 62 milhões. Um estudo divulgado este ano pelo Procedimento de Apelação Global, do Escritório de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (Ocha) revela que este ano só foram recebidos 45% dos fundos necessários. Envolverde/IPS (FIN/2012)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
  Mais noticias
News in RSS
 Sri Lanka recorre e métodos ancestrais contra a mudança climática
 Salva-vidas afunda ainda mais a Grécia
 Ampliação de estrada atenta contra patrimônio cultural indiano
 A ignorada faceta produtiva da cannabis
 DESTAQUES: Código de barras até em colmeias
 REPORTAGEM: Estrada no Parque Nacional do Iguaçu pode acabar em impasse
 "Quando a corda da desigualdade se rompe, você tem uma crise política"
 Direitos femininos serão eixo de reunião do UNFPA em Montevidéu
 Preocupa que tensão entre Rússia e Estados Unidos afete negociação nuclear
 Trabalhadores espanhóis vítimas de disputa entre Madri e Gibraltar
MAIS>>
  Latest News
News in RSS
 U.S. Airdrops to Kobani Kurds Mark New Stage in ISIL Conflict
 History of Key Document in IAEA Probe Suggests Israeli Forgery
 Pressure Building on Obama to Impose Ebola Travel Ban
 Despite Public’s War Weariness, U.S. Defence Budget May Rise
 Ahead of Myanmar Trip, Obama Urged to Demand Extractives Transparency
MORE >>
  Ultimas Noticias
News in RSS
 Israel planea expulsión masiva de beduinos en Cisjordania
 Guerreros climáticos bloquean el mayor puerto de carbón del mundo
 Biodiversidad del Pacífico emerge en Domo Térmico de Costa Rica
 Se escribe el último capítulo de la lucha contra el VIH/sida
 El bambú es un arma poderosa contra el cambio climático
MÁS >>