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COLUNA
Restauração, o sonho republicano
Joaquín Roy*

Miami, Estados Unido, setembro/2012, (IPS) - A mensagem central do programa do Partido Republicano, composto pelas intenções e oferta de Mitt Romney, poderia ser resumido em uma única palavra: restauração.

Esta operação, que ainda tem conotações e ressonâncias das correções aplicadas na França e no resto do continente europeu em pleno Século 19, como freio aos excessos revolucionários, ficou plasmada no roteiro que os assessores do candidato norte-americano alinhavaram com retalhos desconexos, ambíguos e frequentemente contraditórios.

O balanço da longa campanha para a Presidência é que o ex-governador de Massachusetts, rico empresário e antigo bispo mórmon, ainda é um desconhecido para o eleitorado, não apenas para o de oposição e indeciso, mas também para seus eleitores naturais. Daí que tudo fique resumido a um projeto de nostalgia na crença de que todo tempo passado foi melhor.

O problema é que não se sabe muito bem o que se tenta restaurar. Se ouvirmos o candidato e os ecos mais histriônicos de seu potencial segundo Paul Ryan, em primeiro lugar o regresso urgente dos Estados Unidos é para "a cidade da colina", premiada por uma atmosfera de excepcionalidade.

Esse mítico cenário estaria regido exclusivamente pela iniciativa privada, cimentada sobre a estratégia das grandes empresas que com generosidade empregariam o excesso de mão de obra, que, por sua vez, converteria em prósperos os pequenos negócios.

Entre todos, um sistema de graciosa caridade na forma de doações, adornadas com isenções de impostos, equilibraria as desigualdades compreensíveis em um sistema selvagemente competitivo.

Ao enfatizar seus êxitos no setor empresarial, Romney parece estar falando pela boca de Charles Wilson, quando foi indicado por Dwight Eisenhower para o cargo de secretário de Defesa.

Ao ser sabatinado na tradicional e um tanto rotineira audiência do Senado sobre passar da direção de uma companhia estritamente capitalista, baseada na perseguição do lucro, para a área governamental que cuida da segurança da nação, Wilson respondeu com uma frase histórica: "O que é bom para a General Motors é bom para os Estados Unidos".

Não há questionamento desde então. O proveito de uma empresa, seja qual for sua política trabalhista e como consegue aumentar suas vendas, é um objetivo aplicável a qualquer variante de governo. "O que é bom para a Staples (uma das empresas do império de Romney) é bom para os Estados Unidos (para alguns)".

De nada adianta recordar que, desde então, a indústria automobilística, apesar de ter sido reforçada pela produção japonesa, se converteu em uma antologia de desastres e resgates governamentais.

De pouco serve meditar que, para ajustar a sobrevivência desses conglomerados, o setor (e outros) foi desprovido das proteções trabalhistas e sociais que foram a meta de décadas de ensaios social-democratas, nos quais os governos haviam preenchido a impotência da indústria privada na depressão.

Romney quer restaurar a paz familiar que - segundo o roteiro que vende - presidiu o grande século norte-americano até, pelo menos, a Guerra da Coreia.

O candidato republicano defende um código baseado em uma fé concreta de certas denominações religiosas que se consideram superiores, por serem puras e genuinamente norte-americanas.

Desconfiado de confissões com suspeitas implicações sociais e, sobretudo, de pretensas dependências estrangeiras (como a católico-romana), Romney sutilmente faz referências de seu credo mórmon, mas sem usá-lo como plataforma, sabendo que o grosso do eleitorado ainda é reticente a certas peculiaridades e certos mistérios da oferta procedente de Utah, mas que se apresenta como derivada diretamente de um criador com sabor nacional, como a Coca-Cola.

Por fim, Romney insiste uma e outra vez na conveniência de um governo reduzido que deixe o país ser governado pelos dois setores mencionados (empresas e família/fé). Seu modelo é Ronald Reagan e sua obsessão por reduzir ao mínimo a ação governamental.

A agenda republicana evita o fato de que "o sonho americano" que se tenta restaurar não foi danificado pelos quatro anos anteriores da administração de Barack Obama, nem mesmo pelos dois mandatos de Bill Clinton.

O dano foi causado pelos oito anos de George W. Bush e sua equivocada política externa e econômica, que deixou o país com um déficit que não poderia ser pago pelas duas gerações seguintes. Mas, o problema vem de mais longe.

Enquanto o republicano Richard Nixon tornou realidade a promessa kennediana de chegar à Lua, o país se decompôs em uma imoralidade generalizada que culminou com a mentira de Watergate (episódio do qual a alma norte-americana ainda não se recuperou).

Se Romney quer "restaurar" o país, então o objetivo é um Estados Unidos mitificado que teve a culminação com a generosidade da Normandia e o resgate aéreo de Berlim. Vietnã terminou de jogar por terra o sonho americano. Mas Romney não é F. D. Roosevelt nem Harry Truman, e tampouco, curiosamente, é como Teddy Roosevelt.

O melhor acerto da lamentável atuação de Clint Eastwood na convenção republicana foi recordar ao eleitorado uma dimensão da fundação dos Estados Unidos, parte ainda de seu credo nacional. Se se decidisse em referendo, uma imensa maioria dos norte-americanos escolheria estar protegida, mais do que por um governo forte, por um xerife local, pago privadamente pelos contribuintes.

O norte-americano desconfia, tem razão Romney (como Reagan), do governo opressor. Contudo, sabiamente, desde Thomas Jefferson e Benjamin Franklin, sabe que seu inato anarquismo somente pode ser corrigido mediante um sistema de leis e instituições que garantam não apenas a segurança da vizinhança, mas também proporcionem a devida justiça social e visem à agora ameaçada igualdade.

Se tivesse sido concedida a permissividade da livre iniciativa aos "empresários" escravagistas do sul, e se Abraham Lincoln tivesse conseguido a agenda de Romney, a federação norte-americana seria um sonho, que não se poderia "restaurar" porque nunca teria existido. Envolverde/IPS

* Joaquín Roy é catedrático Jean Monnet e diretor do Centro da União Europeia da Universidade de Miami (jroy@Miami.edu). (FIN/2012)

 
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