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Obrigar a agricultura a aortalecer a aegurança alimentar no Sul do Sudão
Charlton Doki

Sul do Sudão , 18 de outubro, (IPS) - A polícia no Sul do Sudão está a recrutar à força todos os jovens "sem ocupação" que encontra para fornecer mão-de-obra nas explorações agrícolas pertencentes à polícia.

O Comissário da Polícia Estatal no Estado de Bahr al Gazal Setentrional afirma que não se pode deixar os jovens beber chá e jogar às cartas durante todo o dia ao mesmo tempo que a insegurança alimentar ameaça o país. "Qualquer indivíduo que não queira cultivar será capturado e obrigado a cultivar. Quer seja soldado ou polícia ou membro dos serviços prisionais... se decidir vestir a sua melhor roupa para visitar a cidade e vadiar pelas ruas, vamos agarrá-lo e obrigá-lo a trabalhar. Quer queira quer não," disse à IPS o Comissário da Polícia Estatal, Akot Deng Akot. Um espantoso número de sudaneses do Sul do Sudão, ou 4.7 milhões de pessoas - quase metade da população - conhece a insegurança alimentar, de acordo com as Nações Unidas. "Um milhão destas pessoas está severamente afectado pela insegurança alimentar e só consegue ter uma refeição de dois em dois ou de três em três dias, enquanto que os outros 3.7 milhões de pessoas são moderadamente efectados pela insegurança alimentar, o que significa que podem pelo menos consumir uma refeição por dia," disse à IPS Lise Grande, Coordenadora Humanitária das Nações Unidas no Sul do Sudão, numa entrevista anterior. A segurança alimentar em todo o país é atribuida a uma série de factores, indluindo o défice de cereais. Segundo as Nações Unidas, este défice duplicou de 200.000 toneladas métricas em 2011 para 470.000 este ano. Além disso, o elevado preço do combustível e o enfraquecimento da moeda local contribuiram para esta situação. De acordo com a informação do Gabinete Nacional de Estatística, mais de 80 por cento das 790.898 pessoas de Bahr al Gazal Setentrional estão afectadas pela insegurança alimentar. O resultado são as medidas drásticas impostas pelas autoridades estatais que tentam encorajar a agricultura na região. Akot chegou mesmo a advertir as pessoas que não fossem aos tribunais locais que lidam com pequenos litígios. "Isto também se aplica a pessoas que decidem encher os tribunais locais com litígios sobre a posse de gado. Esses tribunais não serão autorizados a funcionar durante o cultivo dos campos (entre Outubro e Dezembro) para que toda a gente esteja nas suas propriedades rurais a produzir alimentos," referiu. De facto, já foram feitas algumas detenções. Hou Akot Hou, jornalista local no estado de Bahr al Gazal Setentrional, contou que a polícia tinha prendido dezenas de jovens sob as ordens de um chefe local, Atak Awan Anei, que também é o irmão do Governador de Bahr al Gazal Setentrional, Paul Malong Awan Anei. As detenções ocorreram em Julho em Warwar - um mercado perto da fronteira do Sul do Sudão com o Sudão. Algumas pessoas na área apoiam esta política. "O governo deve obrigar os rapazes mais velhos que são capazes de tomar conta deles próprios e que vadiam pela cidade a irem cultivar," disse à IPS Justin Ayuer, um residente local. Titotiek Chour, adolescente, concordou: "Nós, jovens, temos a energia para produzir alimentos. Temos a oportunidade de fazer mais e devemos aproveitar esta oportunidade para produzir mais alimentos e melhorar a vida do nosso povo." O estado de Bahr al Gazal Setentrional não é única região que tenta impor políticas que encorajam a produção de alimentos. Desde Abril, no Estado de Equatoria Oriental e Central, foi dada autorização aos funcionários para não trabalharem na sexta-feira e no sábado para se dedicarem à agricultura. O Governador do Estado de Equatoria Oriental, Louis Lobong Lojore, ameaçou reduzir os salários dos funcionários públicos que não utilizam o tempo livre para trabalhar nas suas explorações agrícolas. Segundo o Governador, esta medida era necessária porque alguns funcionários bebiam ou jogavam à cartas ou dominó em vez de se dedicarem à agricultura. Aqueles que continuassem com estas práticas iriam perder dois dias de salário todas as semanas enquanto durasse o programa. O Ministro da Informação de Equatoria Oriental, Felix Otudwa, disse à IPS que acreditava que a iniciativa do governo iria resultar num aumento da produção e da segurança alimentar este ano. "Agora não se vê pessoas sentadas debaixo de uma árvore a beberem chá ou a jogarem às cartas como costumávamos ver no passado. Estão todas ocupadas na agricultura, mesmo nos fins-de-semana. Actualmente, o Governador, o Ministro e outros funcionários superiores estão todos envolvidos no cultivo. Este ano, vamos todos ter colheitas consideráveis," disse Otudwa. Mas nem todos se sentem confortáveis com estes regulamentos obrigatórios. Edmond Yakani, coordenador de uma organização de direitos local, a Capacitação Comunitária para a Organização do Progresso, disse à IPS que esta política era ilegal. "Onde é que está a lei que permite prender pessoas simplesmente porque não estão numa exploração agrícola durante as horas de trabalho? Quem aprovou a lei e quando?" perguntou Yakani. Disse que ere igualmente errado o governo da Equatoria Oriental reduzir os salários dos funcionários públicos que não utilizassem os dias de folga para se dedicarem à agricultura. "Onde está a lei que permite reduzir os salários das pessoas?" perguntou Yakani. "A lei tem de ser aprovada, e só pode ser aprovada pela Assembleia Nacional do Sul do Sudão antes que seja obrigatório que todos se dediquem à agricultura," disse. Sublinhou também que o governo precisava de promover a agricultura voluntária melhorando o acesso à terra, a ferramentas e a sementes. Um funcionário estatal, que falou sob condição de anonimato, afirmou que a decisão de designar as sextas-feiras e os sábados como dias em que todos os funcionários públicos tinham de cultivar iria afectar a prestação dos serviços de saúde e afectar os pacientes que precisavam de tratamentos. Mas Isaac Woja, agricultor e especialista em gestão de recursos naturais afirmou que as iniciativas poderiam vir a ser bem sucedidas. "Penso que as pessoas estão levar a agricultura a sério em comparação aos anos anteriores. Quando viajamos podemos ver mais campos cultivados nas explorações agrícolas ao longo da estrada, e isso quer dizer que mais pessoas estão envolvidas na agricultura este ano," disse Woja à IPS. Acrescentou que só uma avaliação depois da época das colheitas é que poderia determinar se a iniciativa tinha conduzido ao aumento da produção de alimentos. O Ministro da Agricultura do Estado de Equatoria Central, Michael Roberto Kenyi, disse à IPS que a política de conceder aos funcionários públicos dias de folga estava a fazer uma diferença, sendo claro que os mesmos deviam dar um bom exemplo. "A liderança no passado indicava que a pessoa devia ter uma casa, um jardim e um celeiro. Um líder tem de ter estas coisas antes de ser considerado líder. O funcionário público tem que dar o exemplo à comunidade e não pode ser um bom exemplo se o celeiro estiver vazio," apontou. Afirmou que a avaliação seria feita pelo Estado depois das colheitas de Dezembro. "Vamos fazer uma avaliação. Vamos pedir às pessoas que nos digam o tamanho da área que está a ser cultivada, o número de hectares, o número de horas dedicadas ao trabalho, e a quantidade de produtos colhidos para se determinar se houve um aumento na produção de alimentos devido à nova iniciativa," disse Kenyi à IPS. (FIN/2012)

 
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