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Trigo Poderá Garantir a Segurança Alimentar em África
Blain Biset

Adis Abeba, 05 de novembro, (IPS) - África pode garantir a sua segurança alimentar através da produção de trigo. Os resultados de um novo estudo apresentado em Adis Abeba, na Etiópia, indica que o continente tem o potencial para ser auto-suficiente.

A procura de trigo está a aumentar mais rapidamente do que a procura de qualquer outra cultura, de acordo com as estatísticas do Centro Internacional de Melhoria do Trigo e Milho (CIMMYT). Os investigadores estão a examinar a possibilidade de transformar África num dos principais produtores de milho, visto que actualmente o continente é o maior importador de milho de todo o mundo. Prevê-se que, só este ano, África gaste 12 mil milhões de doláres para pagar a importação de 40 milhões de toneladas de trigo.

Os investigadores na Conferência do Trigo para Segurança Alimentar do CIMMYT, que se realizou em Adis Abeba de 8 a 12 de Outubro, realçam que uma maior produção no continente e menores importações irão garantir eventualmente maior segurança alimentar para a África Austral.

Em particular, os agricultores em comunidades que dependem da agricultura alimentada pela água das chuvas têm o potencial para expandir a produção de trigo, o que poderá contribuir para garantir a segurança alimentar, já que menos fundos serão gastos na importação de alimentos.

Um relatório apresentado durante a conferência centrou a sua atenção em doze países do continente africano onde tradicionalmente se produz trigo. O estudo foi feito em Angola, Burundi, República Democrática do Congo, Etiópia, Quénia, Madagáscar, Moçambique, Ruanda, Tanzânia, Uganda, Zâmbia e Zimbabwe.

Estes países têm precipitação natural suficiente para se tornarem auto-sustentáveis. O estudo indica que 20 a 100 por cento do solo arável nestes países é adequado para a agricultura lucrativa de trigo.

Nicole Mason, professora assistente no campo do Desenvolvimento Internacional do Departamento de Economia Agrícola, Alimentar e de Recursos da Universidade do Estado de Michigan, e uma das principais oradoras na conferência, disse à IPS que diversos factores estavam a impulsionar a procura do trigo.

O trigo, especialmente sob a forma de pão, massas e cereais, é o segundo produto agrícola básico no mundo em desenvolvimento. É também a principal fonte de proteínas na maioria dos países do terceiro mundo. Embora o milho ocupe actualmente a primeira posição, a procura de trigo está a aumentar na África Subsaariana.

"Constatamos que a maior acessibilidade aos produtos de trigo, o crescimento populacional e o aumento dos rendimentos são factores fundamentais dessa procura. Os consumidores urbanos tendem a gastar mais em trigo do que os consumidores das zonas rurais e, portanto, a rápida urbanização em África pode constituir outro factor fundamental.

A mudança do estilo de vida das mulheres africanas também teve um impacto considerável na procura do trigo, afirmou Mason. "Como as mulheres trabalham mais fora de casa, têm menos tempo para preparar refeições e procuram alimentos de conveniência que são mais fáceis de preparar. O pão e as massas são importantes alimentos de conveniência."

Uma vez que a urbanização é um dos principais factores subjacentes ao aumento da procura, devem ser investigadas alternativas para responder ao previsto crescimento populacional de 300 por cento em África nos próximos 40 anos.

De acordo com os investigadores do CIMMYT, se os agricultores na região aumentarem a sua produção entre 10 a 25 por cento, a agricultura seria lucrativa em termos económicos.

O Director do Programa Global de Trigo do CIMMYT, Hans-Joachim Braun, disse à IPS que África é o maior importador de trigo do mundo, embora tenha o potencial de produzir aquilo que consome.

"África é muito favorável à produção de muitas colheitas, mas tem falta de água e de adubos," apontou.

São necessários investimentos nas sementes e na tecnologia para transformar África num produtor de trigo auto-sustentável. Braun explicou que, se fosse fornecida água, incluindo barragens para irrigação, e adubos, África poderia tornar-se um celeiro para o mundo com respeito a uma série de colheitas, além do trigo.

Mas são necessárias mudanças adicionais se África quiser atingir esse objectivo. Os direitos de importação criam dificuldades ao sector agrícola. Muitas das questões que o sector enfrenta para se tornar um importante produtor de trigo têm a ver com as próprias políticas do sector, afirmou Braun. "Estas questões precisam de ser alteradas e têm muito a ver com a política. Porque a produção é extremamente baixa em África, o que também se aplica a outras culturas."

Até aos anos 80, muitos países africanos costumavam produzir trigo em grande escala. Devido às doações de toneladas de ajuda alimentar, os preços internacionais diminuíram de forma acentuada durante este perído.

Os pequenos agricultores na maioria dos países da África Subsaariana são responsáveis pela maior parte da produção agrícola. Braun salientou que muitas vezes estes agricultores necessitam de ter acesso a sementes de melhor qualidade para tornar a produção de trigo verdadeiramente viável. Acrescentou que estes factores representavam apenas a parte técnica, embora a componente relativa às infra-estruturas fosse igualmente importante. "É preciso haver uma garantia que o trigo pode ser processado e chegar aos consumidores finais."

A redução da pobreza pode ter um efeito positivo a longo prazo para os pequenos agricultores produtores de trigo, afirmou Mason. Ela disse à IPS que "se o produto dos pequenos agricultores for procurado pelas pessoas das zonas urbanas, eles ganharão mais dinheiro, o que irá ajudar a reduzir a pobreza."

Braun acredita ser necessário mostrar aos agricultores africanos que há um importante mercado para os seus produtos, sem ser preciso promover o trigo em África ou entre os agricultores. "O que importa é o que está no bolso, e proporcionar-lhes um rendimento alternativo mais elevado." (FIN/2012)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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