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Corrida Para Aumentar as Colheitas de Café no Uganda Antes da Produção de Petróleo
Fred Ojambo

KAMPALA , 08 de novembro, (IPS) - O Uganda, o maior exportador de café em África, está a correr contra o tempo para aumentar a produção das colheitas em 60.000 toneladas, ou um milhão de sacos de 60 quilos, nos próximos três anos. Mas alguns intervenientes nesta indústria acreditam que essa façanha é inatingível.

O objectivo desta nação da África Oriental é aumentar a produção anual de 3.5 milhões para 4.5 milhões de sacos de 60 quilos, e planeia conseguir fazê-lo através de um programa governamental de replantação.

Francis Chesang, director de produção da Autoridade de Desenvolvimento do Café do Uganda (UCDA), disse à IPS que tinha confiança que este país sem acesso ao mar brevemente atingiria este objectivo.

"O nosso programa de replantação está a dar resultados e vamos conseguir aumentar a produção anual em 2015...porque os novos cafeeiros de crescimento rápido e com elevado rendimento vão começar a produzir."

O Uganda, o segundo maior produtor de café depois da Etiópia, iniciou o seu programa de replantação de café em 1994, um ano depois de o país ter detectado a traqueomicose do café que devastou metade da sua reserva de cafeeiros tipo Robusta.

O objectivo do programa é "repor gradualmente os cafeeiros que estão velhos ou têm doenças por novos cafeeiros que sejam geneticamente puros e que ofereçam variedades de café altamente rentáveis ao ritmo de cinco por cento por ano para o Robusta e dois por cento para o Arábica."

Actualmente, e segundo as autoridades, o Uganda tem uma reserva global de 300 milhões de cafeeiros Robusta e Arábica.

Pelo menos 140 milhões de cafeeiros, especialmente Robusta, foram plantados nos últimos 18 anos, com o objectivo de plantar um total de 200 milhões de cafeeiros até 2015, afirmou Chesang. A replantação tem por objectivo "optimizar as receitas em divisas no país e os pagamentos feitos aos agricultores," acrescentou.

De acordo com a Autoridade de Desenvolvimento do Café do Uganda, o café é responsável por 20 a 30 por cento das receitas anuais de exportação do país, tendo o Uganda ganho 448.9 milhões de dólares da exportação de 3.15 milhões de sacos de café desde Outubro de 2010 até ao final de Setembro de 2011.

O país foi o nono maior exportador de café do mundo durante esse período, à frente da Etiópia, que ficou em décimo lugar, segundo a Organização Internacional do Café.

De acordo com David Muwonge, Vice-Director Executivo da União Nacional das Agroindústrias de Café e Empresas Agrícolas, é pouco provável que o Uganda atinja a o objectivo de uma maior produção de café, visto que as colheitas continuam a ser menores do que as potencialmente previstas porque o país ainda não substituíu todos os cafeeiros que foram destruidos pela doença da traqueomicose do café em 1993.

"Penso que vai ser extremamente difícil atingir este objectivo porque ainda temos de plantar 60 milhões de árvores," disse. "O objectivo é alcançável mas só quando todos os novos cafeeiros estiverem a produzir."

Muwonge acrescentou que o número insuficiente de cafeeiros, cafeeiros envelhecidos, métodos agrícolas ineficientes e o impacto das alterações climáticas indicavam claramente que não era viável aumentar a produção de café em um milhão de sacos de 60 quilos nos próximos três anos.

Fred Kyobe, agricultor de 64 anos no Distrito de Wakison, na Região Central do Uganda, disse à IPS que os volumes de produção demoraram a recuperar da devastação causada pela doença da traqueomicose do café, uma vez que os jovens não tinham paciência para se lançarem na produção agrícola do café. Queixou-se que o impacto da atracção pelos empregos de pagamento rápido nos centros urbanos levava os jovens a abandonar a produção agrícola do café porque demorava mais de três anos antes da colheita do café começar a dar frutos.

"Os meus filhos abandonaram a agricultura a favor de empresas de transporte em motocicletas-táxi na cidade, e a minha energia está em declínio devido à idade," lamentou. "O choque que senti quando a traqueomicose do café atacou as minhas colheitas reduziu o meu entusiasmo por esta actividade."

De acordo com a UCDA, o café é plantado pelo menos por meio milhão de pequenos agricultores, 90 por cento dos quais são proprietários de terras com 0.5 a 2.5 hectares. O sector emprega 3.5 milhões de pessoas.

"O café continua a desempenhar um papel crucial na economia do Uganda, muito contribuindo para as receitas de exportação que ascenderam a 449 milhões de dólares em 2010/11 e proporcionaram sustento a cerca de 1.32 milhões dos 3.95 milhões de famílias rurais que trabalham na agricultura," afirmou a UCDA no seu website.

Muwonge explicou que o café continuava a ser o principal produto base de exportação no Uganda, apesar da sua anterior quota de 60 por cento da receita de exportação ter baixado para os actuais 20 ou 30 por cento. "O café continua a ser crucial para a economia do Uganda, proporciona emprego e rendimento aos agricultores, assim como receitas em divisas, apesar da diminuição da sua quota nas receitas de exportação devido à diversificação das exportações," afirmou. "O aumento do investimento no sector pode dar frutos nos programas governamentais de redução de pobreza."

O Uganda reduziu a sua pesada dependência do café para obtenção de receitas em divisas através da promoção de exportações não tradicionais, incluindo peixe, produtos hortícolas, milho, cacau, couro e peles.

O Presidente do Uganda, Yoweri Museveni, salientou a importância do café na semana passada quando afirmou que qualquer pessoa responsável pela contaminação da qualidade do café devia ser detida e julgada em tribunal. No passado, alguns agricultores foram acusados de colher grãos de café não maduros e alguns comerciantes foram acusados de misturar café de baixa qualidade com marcas de melhor qualidade e de o vender como se fosse de qualidade superior.

"A vontade de colher café não maduro é causada pela pobreza, porque às vezes podem surgir necessidades urgentes antes das colheitas estarem suficientemente maduras," afirmou à IPS Sunday Mugaga, produtor de café do Distrito de Kayunga, na Região Central do Uganda.

O rendimento que Mugaga obtém do café mal é suficiente para sustentar a família, obrigando-o a vender o peixe que apanha no Rio Nilo que atravessa o distrito. A tentação de expandir a sua exploração agrícola em quase um hectare é forte, mas ele está limitado pela falta de terra disponível.

"Os meus dois irmãos e eu herdámos só quatro hectares de terra do nosso pai, o que limita a minha expansão. Mas com o tempo plantarei mais café quando adquirir mais terra," disse.

"Aprecio o café porque o rendimento dele obtido permitiu-me enviar os meus cinco filhos para a escola, embora reconheça que o dinheiro não é suficiente para cobrir as minhas necessidades," acrescentou.

Mas o Uganda ainda pode apostar no café para a maior parte das suas receitas de exportação nos próximos três anos, antes do planeado início da sua produção petrolífera em 2016, disse ào IPS Robert Kasozi, investigador independente na área de economia,.

A companhia Tullow Oil Plc, sediada em Londres, a Total SA de Fraça e a Corporação Nacional de Petróleo Offshore da China estão a desenvolver, em conjunto, os campos petrolíferos do Uganda cujas reservas foram revistas peloo governo de 2.5 milhões para 3.5 barris de petróleo.

"Uma vez que não se prevê que a produção de petróleo chegue a níveis comerciais até 2016, a produção de café ainda tem um papel significativo a desempenhar na economia do país," referiu. "O Uganda pode beneficiar com o aumento da sua produção nos próximos três anos sob a forma de mais receitas de exportação."

O país pode também beneficiar com o aumento da procura mundial, que se prevê que exceda a produção nos próximos três anos, impulsionada pela crescente procura do café no Brasil, Rússia, Índia e China, afirmou Kasozi.

Entretanto, muitos agricultores continuam a apostar no café devido aos preços elevados que recebem pelas colheitas graças à crescente procura global, disse à IPS Isaac Ntumwa, produtor de café do Distrito de Masaka, na Região Central.

"Muitos agricultores no meu distrito optaram pelo café com a esperança de terem melhores colheitas nos próximos anos," confidenciou Ntumwa. (FIN/2012)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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