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A Etiópia Traça um Percurso Chinês
Ed McKenna

Adis Abeba, 08 de novembro, (IPS) - A morte do líder etíope, no poder há 21 anos, levantou temores de instabilidade numa das nações de África não produtoras de petróleo de mais rápido crescimento, o que potencialmente poderá abrandar o investimento. O antigo Primeiro-Ministro Meles Zenawi, que faleceu em Agosto, olhava para o investimento directo estrangeiro (IDE) como chave para o seu plano de desenvolvimento da Etiópia. Esta atitude ajudou a mudar o sentido da economia da dependência total da exportação de produtos agrícolas para, por exemplo, a utilização de mão-de-obra abundante e barata com vista a começar a desenvolver uma indústria transformadora.

"Sem Meles, a Etiópia terá dificuldade em controlar a instabilidade (étnica e religiosa) que pode facilmente extravasar as fronteiras regionais," indica um recente relatório do Grupo Internacional de Crise.

Segundo o Banco Nacional da Etiópia, o IDE aumentou de 150 milhões de dólares em 2005 para 1.1 biliões de dólares em 2010. Para atrair os escassos recursos em divisas estrangeiraa, Meles canalizou o investimento para sectores orientados para a exportação como a floricultura, horticultura, téxteis e couro.

De acordo com o Ministério do Comércio, a receita externa líquida aumentou 15 por cento no ano passado, totalizando 3.2 biliões de dólares. O governo tenciona duplicar as exportações como percentagem da produção até 2015, com uma contribuição muito maior proveniente dos minerais e produtos manufacturados.

O Dr Getachew Begashaw, professor de economia no Harper College em Chicago, nos Estados Unidos, questiona até que ponto é que o investimento estrangeiro se tem traduzido na criação de postos de trabalho e melhorado a qualidade de vida dos Etíopes.

"O PIB per capita da Etiópia é o mais baixo de África (só 351 dólares), encontrando-se no grupo dos últimos quatro países em África. De igual modo, está nos últimos lugares da lista de países que foram analisados em termos dos índices de desenvolvimento humano e prosperidade (171 de um total de 178 para o IDH e 108 num total de 110 relativamente ao índice de prosperidade)," indicou à IPS.

Segundo Getachew, ao apontar a China como modelo de desenvolvimento, Meles pode ter erroneamente suposto que os investidores só estavam interessados em obter um bom retorno do seu investimento. Getachew acredita também que a continuação da abordagem repressiva governamental no futuro pode desincentivar as companhias. " O clima político no país não favorece os investimentos; o grau dos abusos de direitos humanos no país reduz o sentimento de segurança económica, a ausência de um ambiente político livre, garantido e seguro desencoraja iniciativas económicas arrojadas. As actuais incertezas na sequência da morte (de Meles) podem abrandar as decisões relativas ao investimento," disse Getachew.

Nos seus discursos, Meles traçou a sua visão sobre a forma como o capitalismo proteccionista enraizado no estado podia beneficiar a Etiópia. Apesar de ter usado o IDE para promover a transformação económica, também quis alimentar uma base produtiva competitiva, exprimindo preocupação que a economia laissez-faire poderia minar este objectivo e diminuir a possibilidade de retirar a população de 94 milhões de pessoas da pobreza.

Ao seguir este pensamento durante o seu período no poder, Meles manteve um monopólio estatal nas telecomunicações e interditou os bancos estrangeiros.

Esta abordagem indicou uma afinidade natural com os gigantes económicos estatais na Ásia Oriental. Os bancos e firmas chinesas financiaram e construíram estradas e barragens e, mais recentemente, dedicaram-se à manufactura de couro e calçado na Etiópia.

De acordo com um relatório recente do Fundo Monetário Internacional, as firmas chinesas são atraídas pelo baixo custo da mão-de-obra, grandes parcelas de terrenos e um crescente mercado de 94 milhões de pessoas.

As fábricas chinesas como a Huajian, fabricante de calçado, estão agora a transferir as suas instalações de produção para a Etiópia para escapar aos crescentes custos no seu país. Esta companhia também foi atraída por uma das maiores indústrias pecuárias em África.

A companhia pode gerar anualmente quatro biliões de dólares em exportações, de acordo com um recente relatório da Bloomberg, citando o vice-presidente da companhia. Segundo a Agência de Investimento da Etiópia, as empresas chinesas investiram 900 milhões de dólares no país.

As firmas estrangeiras também estão a olhar para os serviços. Este ano, o primeiro grupo hoteleiro europeu, o Grupo Hoteleiro Carlson Rezidor, expandiu a sua marca sofisticada Radisson Blu e estabeleceu-se na Etiópia. A companhia vê este país como a sua vanguarda na África Oriental.

Também este ano, a Schulze Global Investments, uma firma americana, anunciou a criação de um fundo de 100 milhões de dólares para a Etiópia, o primeiro programa de investimento privado exclusivamente centrado neste país do Corno de África. O fundo investirá em sectores que vão dos negócios agropecuários até ao cimento e cuidados de saúde e ainda recursos naturais.

As políticas económicas de Mele resultaram na melhoria das relações comerciais bilaterais com alguns países. O gabinete de Comércio e Indústria do Reino Unido (UKTI) na Etiópia está satisfeito com o crescimento comercial. As exportações do Reino Unido quadruplicaram para 248 milhões de libras nos últimos cinco anos, enquanto que as importações da Etiópia duplicaram para 105 milhões de libras durante o mesmo período.

A Diageo e a Heineken, empresas de bebidas rivais, fizeram um investimento combinado global de 400 milhões de dólares no ano passado em fábricas de cerveja privadas, prova sólida que as companhias ocidentais estão a começar a seguir o percurso seguido pelos chineses, indianos e firmas do Médio Oriente, afirmou Zemedeneh Negatu, sócio-gerente da Ernst and Young na África Oriental.

"O IDE está a aumentar gradualmente, e a Etiópia poderá receber anualmente1.5 a 2.0 biliões de dólares até 2015, excluindo os possíveis investimentos adicionais nos sectores do gás e do petróleo," disse à IPS.

Embora os investidores sintam problemas com os transportes dispendiosos e práticas aduaneiras complicadas, a classificação da Eiópia no inquérito anual do Banco Mundial intitulado Fazer Negócio melhorou para a 111ª posição de um total de 183 países, uma posição mais elevada do que os muito apregoados gigantes emergentes da Índia e Brazil. Quatro companhias do Reino Unido estão agora num estado avançado de exploração de ouro, gás e petróleo, de acordo com Dessalegn Yigzaw, da UKTI, estando a Nyota Minerals a planear investir 200 milhões de dólares para desenvolver a mina de ouro de Tulu Kapi logo que receba a licença de mineração ainda este ano.

Segundo um estudo recente, as reservas de ouro serão na ordem das 500 toneladas. Se os depósitos de cloreto de potássio, gás e petróleo forem descobertos por companhias como a Allana Potash Corp do Canadá, a South West Energy da Etiópia e a Tullow Oil sediada em Londres, serão necessários biliões de dólares para os desenvolver.

Uma área controversa é a promoção da agricultura comercial pelo governo. Em 2008, a Karuturi, uma companhia indiana de floricultura, arrendou 100.000 hectares numa remota província perto da fronteira do Sul do Sudão para produzir milho, arroz, óleo de palma, açúcar e outras culturas. Os críticos sustentam que um país que está dependente de ajuda alimentar não deve exportar culturas de rendimento. Mas o governo insiste que investimentos como aqueles feitos pela Karuturi criam empregos e conhecimentos e aumentam as frágeis reservas de divisas.

Na Cimeira de Investimento Etíope no início deste ano, um Meles caracteristicamente optimista anunciou aos investidores: "A Etiópia tem mais de quatro milhões de hectares de terra agrícola fértil não utilizada que tenciona disponibilizar ao sector privado," O raciocínio proteccionista de Mele continua a proibir a compra de terra.

Meles mostrou uma enorme aptidão para atrair investidores estrangeiros. Embora a nova administração tenha prometido concretizar a sua visão, é necessário que o seu sucessor, Hailemariam Desalegn, demonstre forte liderança para prossegir o notável projecto de Meles de modernização da Etiópia. Por enquanto, não há sinais da temida instabilidade ou de investidores cautelosos a abandonarem o país e a fugirem. Segundo Zemedeneh da Ernst and Young, "A Etiópia tem de continuar uma estratégia agressiva e direccionada para atrair ainda maiores quantidades de IDE, visto que há muita competição global de muitos outros países em todo o mundo, incluindo aqueles que se encontram aqui, em África." (FIN/2012)

 
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