O desenvolvimento começa pelo vaso sanitário
Thalif Deen
Nações Unidas, 19/11/2012 , (IPS) - Ativistas aproveitarão a comemoração, hoje, do Dia
Mundial do Vaso Sanitário, para reafirmar que a água
e o saneamento devem ter prioridade nas novas Metas
de Desenvolvimento Sustentável (MDS).
A diretora de sustentabilidade da organização
Wash Advocates, Jennifer Platt, disse à IPS que
este dia é uma grande oportunidade para pensar
em água, saneamento e higiene. Esses temas são
a base da saúde pública, e, portanto, devem estar
entre os primeiros a serem considerados em
qualquer iniciativa de desenvolvimento,
acrescentou.
"A água, o saneamento e a higiene sustentáveis
para todos devem, sem dúvida, ser incluídos entre
os principais MDS que serão estabelecidos para
depois de 2015", quando vencer o prazo para os
Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM),
destacou Platt. Água e saneamento não são um
desses oito ODM primários, mas estão
mencionados dentro do que propõe conseguir a
sustentabilidade ambiental. A meta para 2015 é
reduzir em 50% a proporção de pessoas sem
acesso a água potável ou saneamento.
Atualmente, mais de 800 milhões de pessoas não
têm acesso a água potável e mais de 2,5 bilhões
vivem sem saneamento adequado. A maioria dos
países do Sul em desenvolvimento fizeram
limitados progressos no fornecimento de água
potável, mas as metas sobre salubridade
continuam longe de serem alcançados. Platt
afirmou que o documento em discussão na
Organização das Nações Unidas (ONU) sobre as
MDS constitui um alarmante exemplo da contínua
omissão do tema em muitas agendas
internacionais de desenvolvimento.
Cerca de 2,5 bilhões de pessoas ainda carecem de
saneamento e, portanto, a questão não estará
resolvida da noite para o dia, segundo Platt. "Pode-
se dizer que ter água, saneamento e higiene
sustentáveis garante a eficácia de cada uma das
áreas, como emprego juvenil, eficiência energética,
segurança alimentar, cidades sustentáveis e
manejo de oceanos", pontuou. Por outro lado,
Hannah Ellis, administradora de campanhas
internacionais da organização WaterAid, com sede
em Londres, disse à IPS que a água e o
saneamento são direitos básicos que objetivam a
saúde, a educação e o sustento das pessoas. Os
problemas associados com a falta de acesso têm
impacto praticamente em todos os aspectos do
desenvolvimento econômico.
Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
expirarão em menos de três anos e, no entanto, um
em cada dez habitantes do planeta ainda não tem
acesso a água potável e cerca de 40% da
população mundial carece de acesso a serviços de
salubridade adequados, apontou Ellis. "Se
continuarem as atuais tendências, a meta de
reduzir pela metade a proporção de pessoas que
vivem sem serviços adequados de saneamento será
alcançada somente em 2165, 150 anos depois do
previsto", alertou. "Seria um bom começo fixar uma
nova meta para obter o acesso universal a serviços
básicos de água e saneamento até 2030",
acrescentou Ellis.
Nick Burn, chefe de programas da Water for
People, disse à IPS que água e saneamento têm
um papel vital no desenvolvimento socioeconômico
dos países e, portanto, devem ocupar um lugar
central nas novas metas. "Porém, quando
definimos
o êxito simplesmente por ter acesso a
infraestrutura, nos negamos a oferecer uma solução
permanente que permitiria um desenvolvimento
sustentável geral", acrescentou. Como exemplo,
alertou que apenas instalar latrinas não basta. Às
vezes quebram e ninguém conserta, ou ficam
cheias e ninguém leva seu conteúdo para fossas
sépticas.
"Esta é uma falha do desenvolvimento internacional,
pois não fornece um serviço que se mantenha no
futuro", destacou Burn. Para progredir devem ser
estabelecidos serviços de água e saneamento
duradouros. "Devemos supervisionar nossos
progressos rumo a essa meta com indicadores
claramente definidos que constatem se os serviços
fornecidos são adequados e atendem a crescente
demanda das populações em expansão", opinou.
O governo da Finlândia, o Fundo das Nações
Unidas para a Infância, a ONU Mulheres, a
WaterAid e a relatora especial das Nações Unidas
sobre o direito humano a água potável e
saneamento divulgaram um comunicado conjunto
pedindo a inclusão específica do tema na nova
agenda de desenvolvimento. Os Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio conseguiram captar a
tão necessária atenção para problemas antes
marginalizados, como defecação ao ar livre,
mortalidade materna e infantil e necessidade de
acesso sustentável a água potável.
"A comunidade internacional aprendeu com este
processo, e agora deve procurar um mais alto", diz
a declaração. Às vésperas do início das consultas
sobre as MDS, "acreditamos que o mundo deve
alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do
Milênio e construir sobre eles, mas também
elaborar 11 metas ainda mais ambiciosas. As
metas devem criar incentivos para a mudança, uma
mudança que alcance cada pessoa", acrescenta o
texto.
A declaração conjunta também afirma que a futura
agenda para o desenvolvimento deve ter a missão
de enfrentar um dos mais persistentes desafios da
humanidade: as desigualdades no acesso a
serviços essenciais. "Devemos ter um mundo
comprometido com o fim do sofrimento
desnecessário de milhares de milhões de pessoas
que continuam vivendo sem saneamento e água
potável", ressalta o texto. Envolverde/IPS (FIN/2012)
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