África
  Mundo
  Economía
  Direitos Humanos
  Saúde
  Ambiente
  Globalização
  Arte e Cultura
  Energia
  Politica
  Desenvolvimento
  Colunistas
 
  RSS o que é isso?
   ENGLISH
   ESPAÑOL
   FRANÇAIS
   SVENSKA
   ITALIANO
   DEUTSCH
   SWAHILI
   MAGYAR
   NEDERLANDS
   ARABIC
   POLSKI
   ČESKY
   SUOMI
   PORTUGUÊS
   JAPANESE
   TÜRKÇE
PrintSend to a friend
 


As Latrinas São Cruciais Para Manter as Crianças na Escola no Sul do Sudão
Andrew Green

JUBA, 29 de novembro, (IPS) - Antes da escola primária Bor B ter construído latrinas no seu recinto há dois anos, as crianças abandonavam a escola logo depois do primeiro recreio e regressavam a casa. A maioria não regressava à escola até à manhã seguinte

Os professores terminavam as aulas cedo porque também não tinham acesso a latrinas. Tinham de visitar a povoação mais próxima e pedir autorização para usarem as casas de banho de um dos hotéis antes de regressarem e juntarem novamente os alunos que tinham ficado na escola. O vice-director da escola na capital do estado de Jonglei, Madin Chier, afirmou que a qualidade da educação na escola tinha sido afectada. Mas agora que 16 latrinas tinham sido instaladas, "não havia mais problemas," acrescentou. A construção de um sistema de ensino funcional no Sul do Sudão exige mais do que a instalação de latrinas. Menos de metade das crianças que deviam assistir às aulas estão efectivamente na escola. O país não tem salas de aulas, professores e equipamentos escolares básicos suficientes para educar todas as crianças. As crianças mais novas competem com adolescentes a lugares disponíveis nas aulas da escola primária devido ao facto de a esses adolescentes ter sido negada a oportunidade da educação durante a guerra de décadas. A maioria das aulas tem lugar ao ar livre ou debaixo de árvores, o que significa que, quando chega a época das chuvas, há um intervalo de seis meses até que terminam as tempestades. Mas para aqueles alunos que conseguem entrar na escola - mesmo aquelas que funcionam debaixo de uma árvore - o acesso às latrinas é crucial para os manter nelas. De acordo com Emily Lugano, a assessora técnica de educação da organização Save the Children no Sul no Sudão, isto aplica-se especialmente às raparigas. A organização Save the Children construiu ou renovou instalações sanitárias em 71 escolas em sete estados do país, incluindo estações de lavagem de mãos. Lugano explicou que faz parte dea iniciativa desta ONG melhorar o ambiente de aprendizagem. Mas também é uma precaução de segurança dirigida às alunas.

No Sul do Sudão, é mais provável ver-se raparigas de 15 anos grávidas do que na escola. Lugano disse que, quando vão à escola, muitas vezes estão sujeitas a assédio e intimidação, situação exacerbada nalgumas das escolas onde a organização Save the Children funciona. Em muitos locais espera-se que as raparigas partilhem as latrinas com os rapazes ou que utilizem algum campo próximo da escola. "São abusadas e assediadas quando partilham as latrinas com os rapazes," disse Lugano. E "nenhuma rapariga não se sente nada segura quando tem de usar o mato para as suas necessidades... É uma questão crucial para as raparigas na escola." Durante os períodos menstruais, as raparigas recusam ir à escola, onde não a sua privacidade não é respeitada. Chier explicou que todos os meses algumas raparigas na sua escola não apareciam durante uma semana ou mais, levando-as a ficar cada vez mais atrasadas em relação ao resto da turma. "Em todos os países em desenvolvimento," disse Lugano, a falta de acesso a latrinas privadas "contribuía para que muitas raparigas tivesem um mau desempenho escolar porque perdiam parte do programa de estudo." Devido ao facto de ser uma escola, há também uma componente educacional que acompanha a questão das latrinas e das estações de lavagem de mãos e que vai além das diferenças do género. Chier afirmou que a sua escola utiliza estas instalações para ensinar os alunos sobre a higiene básica, o que ajuda a reduzir as doenças. A iniciativa tem sido popular na Bor B, levando os alunos a criar um Clube de Saneamento e Higiene. Recentemente, Simon Peter Maiur, aluno de 20 anos da 7ª Classe, aderiu ao Clube. Tem estado a aprender as cantigas e histórias do clube, que encorajam os estudantes a lavarem as mãos e a terem cuidado com a sua higiene pessoal. Também ajuda a fazer patrulhas responsáveis pela recolha de lixo no recinto escolar. "O Clube ensina-nos como devemos limpar o corpo do mesmo modo como limpamos a escola," disse. Parte do conceito subjacente ao clube é transformar os alunos em professores e levar as mensagens acerca da higiene básica às suas próprias comunidades. "As práticas de promoção de higiene não são eficazes neste país," disse Lugano. A maioria das cidades e áreas rurais não tem serviços básicos como água corrente, mas os alunos podem ajudar a "transmitir a higiene básica às comunidades." Maiur afirmou que parte da missão do seu clube consiste em partilhar informação com os amigos e a família. Acrescentou que, com o seu encorajamento, a família faz o melhor que pode para praticar melhor higiene, como a lavagem de mãos. Mas estes esforços só funcionam em zonas onde há um sistema de ensino estruturado. O governo do Sul do Sudão atribuíu menos de seis por cento do orçamento de 2011 para a educação. Segundo Lugano, a grande maioria desse montante é usado para pagar os salários dos professores. Em geral, parece que o financiamento que o governo disponibiliza para a educação vai ser reduzido, visto que o encerramento do oleoduto do país eliminou 98 por cento das suas receitas. Em Bor B, Chier deixa os alunos da 8ª Classe regressarem a casa mais cedo porque as salas foram todas ocupadas pelos alunos mais novos, algumas delas com mais de 150 estudantes. Compete então às ONG, como a Save the Children, continuarem a financiar o desenvolvimento de infra-estruturas e entregar materiais básicos, como manuais escolares, aos alunos. Embora os programas que visam melhorar o saneamento e a higiene nas escolas possam ter um impacto de grande alcance na saúde e segurança fora do recinto escolar, Lugano explicou que estes esforços só seriam eficazes se existirem escolas para os aplicar. *Andrew Green em reportagem no Sul do Sudão com uma bolsa do Projecto Internacional de Notícias, um programa de jornalismo independente localizado em Washington, D.C. (FIN/2012)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
  Mais noticias
News in RSS
 Sri Lanka recorre e métodos ancestrais contra a mudança climática
 Salva-vidas afunda ainda mais a Grécia
 Ampliação de estrada atenta contra patrimônio cultural indiano
 A ignorada faceta produtiva da cannabis
 DESTAQUES: Código de barras até em colmeias
 REPORTAGEM: Estrada no Parque Nacional do Iguaçu pode acabar em impasse
 "Quando a corda da desigualdade se rompe, você tem uma crise política"
 Direitos femininos serão eixo de reunião do UNFPA em Montevidéu
 Preocupa que tensão entre Rússia e Estados Unidos afete negociação nuclear
 Trabalhadores espanhóis vítimas de disputa entre Madri e Gibraltar
MAIS>>
  Latest News
News in RSS
 ISIS Complicates Iran’s Nuclear Focus at UNGA
 Surprisingly Equal, Surprisingly Unequal
 OPINION: Fighting ISIS and the Morning After
 Nuclear Deal with Iran Likely to Enhance U.S. Regional Leverage
 U.S. Ground Troops Possible in Anti-ISIS Battle
MORE >>
  Ultimas Noticias
News in RSS
 El azúcar cubano adquiere protagonismo energético
 Gestión marítima de Barbuda se olvida de los pescadores
 ONU insta a reafirmar derechos reproductivos en agenda post-2015
 Solo los locos y los economistas creen en el crecimiento sin fin
 Compensación ambiental avanza en América Latina entre polémicas
MÁS >>