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Gana: Pai Luta para Salvar Filha da Mutilação Genital Feminina
Berlinda Chochoe Nortey e Jonathan Migneault

Acra,, 29 de novembro, (IPS) - Quando Jack Sabadgou deixou o Gana e partiu para a Suiça há 10 anos, deixou a filha bebé com a mãe dele. Agora quer a filha de volta mas está a ficar sem tempo para impedir que a filha seja submetida à prática tradicional de mutilação genital, que é proibida.

A filha de Sabadgou, Yuma, tem agora 13 anos e vive na aldeia de Bawku, no norte do Gana, onde as pessoas ainda seguem as práticas tradicionais, incluíndo a mutilação genital feminina. Depois da avó de Yuma ter sido diagnosticada com cancro da mama, atribuíu a doença a maus espíritos, que, segundo ela, decidiram castigá-la por não ter ainda mutilado a sua neta.

"É uma questão de doença," disse Sabadgou na sua casa na Suiça, acrescentando que a mãe não compreende que o cancro nada tem a ver com maus espíritos ou com a neta. "Não quero perder as duas," afirma, lutando contra as lágrimas. "Gosto das duas." A mutilação genital feminina foi criminalizada no Gana em 1994. As Nações Unidas e a Organização Mundial de Saúde (OMS) condenam esta prática que implica a remoção da parte externa dos orgão sexuais femininos, incluindo o clítoris e os lábios da vagina. A OMS refere que a prática não tem benefícios para a saúde e só causa problemas. Pode levar a infecções recorrentes na bexiga e no tracto urinário, quistos e infertilidade. Mas em aldeias como Bawku, a prática continua em segredo. O desespero de Sabadgou para salvar a filha é palpável, mesmo à distância de um continente.

Sabadgou regressou ao Gana no início de Fevereiro para obter a guarda jurídica da filha para poder levá-la para um lugar seguro na Suiça. Preencheu a documentação necessária e falou com os líderes em Bawku sobre as suas preocupações relacionadas com a mutilação genital feminina, mas os seus apelos caíram em orelhas moucas. Desde então regressou à Suiça. Nas regiões do norte do Gana a mutilação genital feminina é geralmente praticada entre Dezembro e Fevereiro. Sabadgou acredita que a filha tem até Dezembro antes da sua vida mudar irreversívelmente para pior. Florence Ali, presidente da Associação do Bem-Estar das Mulheres do Gana, uma ONG, foi a única aliada de Sabadgou no Gana. Antes de dedicar a sua vida a favor da luta contra a mutilação genital feminina, Ali foi parteira. As mulheres e os nascituros ao seu cuidado morriam devido a complicações causadas pela mutilação genital feminina. Uma mulher não conseguiu dar à luz devido às cicatrizes vaginais. Ali não estava preparada para fazer um parto por cesariana e a mulher e o bebé faleceram. Mariama Yayah, directora do Departamento das Crianças do Gana, disse que a mutilação genital feminina é praticada no Gana para impedir que as mulheres tenham prazer sexual e assim permanecerem fiéis aos maridos. Muitos nas regiões do norte do Gana consideram a prática como uma parte normal da feminilidade, apontou. Sabadgou planeia regressar a Bawku em Dezembro para dizer às raparigas locais que a prática não é aceitável. "Vai haver uma luta," disse. "Não vai ser fácil." Asseverou que ninguém na sua aldeia apoia a sua posição contra a mutilação genital feminina. Mas é uma convicção pela qual está preparado para morrer. No Gana, as pessoas que praticam esta prática proibida podem apanhar entre cinco a 10 anos de prisão se forem a tribunal. Mas as autoridades não fazem o suficiente para impedir a prática, queixou-se Sabadgou. A OMS calcula que 92 milhões de raparigas em África com mais de 10 anos foram sujeitas à mutilação genital feminina e refere que só existem 22 países no continente que aprovaram leis contra esta prática. O Mali, por exemplo, não tem nenhuma lei que proíba a mutilação genital feminina. Em 2008, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou uma resolução que proíbe a mutilação genital feminina. Ali disse que, em 2011, a assembleia dos líderes africanos em Malabo, na Guiné Equatorial, apoiou uma proposta de resolução durante a 66ª Sessão Ordinária da Assembleia Geral a favor da proibição da mutilação genital feminina em todo o mundo. "Esperamos que na próxima reunião da Assembleia Geral tenhamos uma proibição a nível mundial contra a mutilação genital feminina," afirmou. Para Sabadgou, a luta contra a mutilação genital feminina no Gana começa com a sensibilização. "Precisamos de falar acerca deste assunto," disse. "Precisamos de começar agora." Afirmou que os meios de comunicação no país ainda não fizeram o suficiente para denunciar este costume e que os ministros das regiões do norte do Gana deviam discutir a questão no parlamento. O Departamento das Crianças do Gana já levou a cabo acções de sensibilização sobre este assunto mas os seus recursos são limitados. A organização de Ali ainda tem ainda mais problemas orçamentais. Ela tem um escritório minúsculo ao lado do pátio de uma escola em Acra. Centenas de crianças jogam no campo de futebol no exterior enquanto ela levanta a voz para discutir a sua luta contra a mutilação genital feminina para poder ser ouvida por cima do barulho ambiente. "Não é fácil combater a mutilação genital feminina mas continuamos a lutar para expulsar esta prática do sistema," disse Ali. "Ainda temos um longo caminho a percorrer na nossa luta contra a mutilação genital feminina. Toda a gente tem um papel a desempenhar." (FIN/2012)

 
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