África
  Mundo
  Economía
  Direitos Humanos
  Saúde
  Ambiente
  Globalização
  Arte e Cultura
  Energia
  Politica
  Desenvolvimento
  Colunistas
 
  RSS o que é isso?
   ENGLISH
   ESPAÑOL
   FRANÇAIS
   SVENSKA
   ITALIANO
   DEUTSCH
   SWAHILI
   MAGYAR
   NEDERLANDS
   ARABIC
   POLSKI
   ČESKY
   SUOMI
   PORTUGUÊS
   JAPANESE
   TÜRKÇE
PrintSend to a friend
 

A utopia verde deixa o Magreb
Julio Godoy

Berlim, Alemanha, 17/12/2012, (IPS) - Quando a Iniciativa Industrial Desertec, uma aliança de 21 corporações europeias, anunciou sua intenção de instalar uma rede de usinas termossolares, fotovoltaicas e eólicas no Magreb, no norte da África, para gerar eletricidade, foi saudada como uma "utopia verde".


Crédito: Green Prophet1/CC-BY-2.0
A iniciativa industrial Desertec prevê instalar uma rede de usinas termossolares, fotovoltaicas e eólicas no Magreb.
E parou por aí. O projeto, que previa gerar 100 gigawattas até 2050, consumiria 400 bilhões de euros (US$ 521 bilhões).

Em um estudo divulgado no verão boreal, a Desertec previu que um sistema de energia integrado para Europa, Oriente Médio e norte da África permitiria à Europa reduzir suas emissões de dióxido de carbono (CO2) em 95%, importando 20% de eletricidade do Magreb e economizando 33 bilhões de euros (US$ 43,2 bilhões) por ano.

A iniciativa permitiria aos países do Oriente Médio e do norte da África cobrirem suas necessidades energéticas, graças à abundância de recursos como sol e vento, e reduzir as emissões de CO2 em 50%, apesar do grande aumento da demanda. A região se beneficiaria de uma indústria de exportação que chegaria a 63 bilhões de euros (US$ 82,4 bilhões) ao ano.

Entretanto, três anos depois do anúncio, o sonho Desertec continua sem se concretizar. A euforia se transformou em duras críticas, que vão de acusações de incompetência até carências na governança corporativa. Nas pautas do projeto, a Desertec Industrial Initiative (DII) diz: "O potencial econômico de longo prazo da energia renovável da Eumena (Europa, Oriente Médio e do norte da África, em inglês) supera de longe a demanda atual, e o potencial de energia solar apequena todas" as outras alternativas.

Baseando-se em dados de institutos de pesquisa alemães e do Clube de Roma, o estudo estima que, "para cada quilômetro quadrado de deserto, pode-se obter 250 gigawatts de eletricidade ao ano com a tecnologia que concentra a energia termossolar". De fato, cada quilômetro quadrado de terra no Oriente Médio e no norte África da "recebe uma quantidade de energia solar equivalente a 1,5 milhão de barris de petróleo. Uma central termossolar do tamanho do Lago Nasser, no Egito, de seis mil quilômetros quadrados, poderia gerar tanta energia quanto a atual produção de petróleo do Oriente Médio".

Marrocos, onde começaria o projeto-piloto, tem particular interesse em que se concretize a empresa, devido ao enorme impacto que terá na economia local, especialmente na criação de emprego no setor de energias renováveis. A confirmação das dificuldades foram comunicadas aos especialistas no dia 7 de novembro, em Berlim, durante a apresentação oficial das primeiras centrais termossolar, fotovoltaica e eólica, que seriam instaladas na província marroquina de Uarzazate, e que, se previa, estaria gerando eletricidade em 2014.

Os planos de construção teoricamente foram acordados, mas dependem da aprovação da Espanha, principal sócio do projeto, para que a eletricidade gerada seja transportada para a Europa. Madri, atribulada com a grave crise econômica, não pôde confirmar seu apoio, uma situação que pouco provavelmente mude, já que a Espanha é um exportador de eletricidade para o Marrocos, e não desejará reverter isso, segundo especialistas ouvidos pela IPS. A aliança DII compreende o alemão Deutsch Bank e a operadora e transportadora espanhola TSO Red Eléctrica.

"O negócio para um projeto de referência da Desertec, preparado por nós e pela agência solar marroquina Masen, foi amplamente discutido nos últimos dois anos com empresas espanholas, a TSO Red Eléctrica e a Comissão Europeia, e foi declarado factível", afirmou, na apresentação de Berlim, Paul van Son, diretor-geral da DII.

O primeiro projeto no Marrocos, encabeçado pela gigante alemã do setor energético RWE, terá capacidade instalada de 100 megawatts de energia fotovoltaica e eólica. Um segundo projeto, de energia termossolar, será supervisionado pela ACWA Power International, da Arábia Saudita, e terá capacidade instalada de 160 MW. A previsão é de que os dois projetos estejam operando em 2014.

"Foram encontrados investidores, os subsídios iniciais estão disponíveis e a indústria quer participar", confirmou Son. No entanto, a Espanha se negou a enviar representantes a Berlim e ainda não assinou o projeto do Marrocos. Son está convencido de que "os outros sócios, do Marrocos e da União Europeia, poderão convencer a Espanha", já que o próprio governo deste país se beneficiará com esta iniciativa.

Outra dificuldade deste projeto apareceu no final de outubro, quando a Siemens, gigante alemã do setor eletrônico, anunciou sua retirada da aliança, embora seja um membro contribuinte da DII desde 2009. O fato foi interpretado por muitos como uma prova de que a Desertec é um fracasso.

Para Friedrich Fuehr, membro fundador da junta de diretores da Fundação Desertec, a DII "segue uma estratégia equivocada". Fuehr, advogado alemão e consultor de negócios, disse à IPS que a principal responsabilidade, desde 2009, era conceber um mapa do caminho para superar todas as dificuldades de coordenação internacional e resolver questões como a forma de implementar subsídios e impostos.

"Uma coalizão de companhias privadas tão poderosas e capazes como Deutsch Bank, UniCredit, RWE e SCHOTT Solar deveriam em três anos poder formular um marco político necessário para que a Desertec funcione", acrescentou Fuehr, lamentando, porém, que "ainda estamos esperando por isso. Por outro lado, a DII se concentrou em lançar um único projeto-modelo", em Uarzazate. Fuehr também afirmou que a revolução energética que o mundo precisa para enfrentar a realidade do aquecimento global "está ocorrendo sem a participação da Desertec". Envolverde/IPS (FIN/2012)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
  Mais noticias
News in RSS
 Sri Lanka recorre e métodos ancestrais contra a mudança climática
 Salva-vidas afunda ainda mais a Grécia
 Ampliação de estrada atenta contra patrimônio cultural indiano
 A ignorada faceta produtiva da cannabis
 DESTAQUES: Código de barras até em colmeias
 REPORTAGEM: Estrada no Parque Nacional do Iguaçu pode acabar em impasse
 "Quando a corda da desigualdade se rompe, você tem uma crise política"
 Direitos femininos serão eixo de reunião do UNFPA em Montevidéu
 Preocupa que tensão entre Rússia e Estados Unidos afete negociação nuclear
 Trabalhadores espanhóis vítimas de disputa entre Madri e Gibraltar
MAIS>>
  Latest News
News in RSS
 U.S. to Create National Plan on Responsible Business Practices
 Militarising the Ebola Crisis
 Iraq Looking for an ‘Independent’ Sunni Defense Minister
 Zero Nuclear Weapons: A Never-Ending Journey Ahead
 Championing Ocean Conservation Or Paying Lip Service to the Seas?
MORE >>
  Ultimas Noticias
News in RSS
 La militarización de la epidemia del ébola
 Vaca Muerta, la nueva frontera del desarrollo argentino
 EEUU desarrolla plan de prácticas empresariales responsables
 La próxima despensa global en la cuerda floja
 Conflictos privan a las mujeres de atención médica en India
MÁS >>