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Salvar as crianças mais pobres da Tanzânia
Kristin Palitza

DAR ES SALAAM, 16 de janeiro, (IPS) - Meio adormecido, Anuary está deitado, exausto, numa cama do Hospital de Amana em Dar Es Salaam, a capital da Tanzânia.

A mãe, Mariam Saidi, está sentada na beira do colchão e olha fixamente pela janela. De vez em quando vira-se para limpar a testa do filho de 18 meses.

Quando trouxe Anuary para o hospital no dia anterior, ele tinha febre alta, tinha contraído diarreia vírica, estava gravemente desidratado e tinha perdido os sentidos quando foi hospitalizado. Os médicos salvaram-lhe a vida mas agora ele enfrenta um processo de recuperação lento.

"A diarreia vírica e as infecções respiratórias são muito comuns nas crianças aqui," disse à IPS o Dr. Meshack Schimwela, director do hospital. "Ambas as doenças são as principais causas de morte das crianças com menos de cinco anos na Tanzânia."

A hospitalização de Anuary coloca Saidi, mãe solteira que trabalha como cabeleireira no bairro de lata de Buguruni, nos arredores de Dar es Salaam, sob forte pressão económica. Cada dia que passa ao lado da cama do filho é um dia em que não ganha nada.

Nesta altura, ela já tem dificuldades em pagar as despesas com o seu baixíssimo salário de quatro dólares por dia que, segundo ela, só dá para pagar uma refeição diária. "Só Deus sabe como vamos viver," disse esta mulher de 21 anos à IPS. "É muito difícil."

A doença de Anuary poderia ter sido facilmente evitada se tivesse sido vacinado contra o rotavírus que causa diarreia aguda, popularmente conhecida como "gripe intestinal". Mas actualmente a vacina ainda não está disponível através do sistema de saúde pública deste país da África Oriental.

A situação é idêntica em muitos outros países no continente. Cerca de 20 por cento das crianças africanas - ou cada quinta criança - não estão vacinadas, de acordo com a Save the Children, instituição internacional de caridade infantil.

"São sempre as crianças mais pobres que não têm acesso a serviços de vacinação," afirmou Kirsten Mathieson, responsável pela política de saúde e investigação junto da Save the Children. "É necessário fazermos muito mais para chegarmos à 'quinta criança'."

Na Tanzânia, pelo menos, esta situação poderá mudar em breve. Através do co-financiamento da Aliança Gavi - uma parceria pública-privada mundial para vacinas e imunização que negoceia preços de vacinas mais baixos para os países mais pobres - o governo poderá integrar o rotavírus, assim como vacinas pneumocócicas, no seu programa público de vacinação de rotina a partir de Janeiro de 2013.

"As crianças nos países em desenvolvimento têm 18 por cento de probabilidade acrescida de morrer antes de fazerem cinco anos (comparado com as que vivem em países desenvolvidos). A vacinação pode fazer uma grande diferença," disse à IPS Helen Evans, Directora Executiva Adjunta da GAVI.

A Drª. Mtagi Kibatala, pediatra interina principal no Hospital de Amana, concordou: "Muitas crianças nas nossas enfermarias de pediatria não estariam onde estão agora se tivessem tido acesso às vacinas contra o rotavírus e antipneumocócica."

A vacinação de todas as crianças neste país com mais de 885.000 quilómetros quadrados, quase quatro vezes superior ao tamanho do Reino Unido, vai demorar tempo. Será particularmente difícil chegar às famílias nómadas e àqueles que vivem em áreas rurais remotas ou em pequenas ilhas", disse a Drª. Kibatala à IPS. Prevê que demore "pelo menos um ano" antes que se veja uma melhoria da saúde das crianças e uma redução das taxas de mortalidade.

Outro obstáculo é a grande escassez de trabalhadores da área da saúde na Tanzânia. Cerca de 40 por cento dos cargos nas instituições de saúde pública na Tanzânia estão vagos, segundo o Ministério da Saúde. Sem pessoal suficiente, será difícil disponibilizar cuidados de saúde a todas as crianças, apontou o Dr. Schimwela.

O impacto que as vacinas podem tern a saúde das crianças "é muito claro", explicou o Dr. Schimwela. A Tanzânia tem assistido a uma diminuição constante da mortalidade infantil desde que começou a oferecer vacinas, através do seu sistema de saúde pública, que protegem contra a poliomielite, tétano, tuberculose e difteria.

Consequentemente, a mortalidade infantil das crianças com idade inferior a cinco anos baixou de 155 por cada 1.000 nados-vivos em 1990 para 76 por cada 1.000 nados-vivos em 2010, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância.

Embora a introdução da vacina do rotavírus tenha chegado demasiado tarde para Anuary - as crianças têm de ter menos de 15 semanas para que a vacina seja eficaz - milhares de crianças na Tanzânia vão conseguir ter uma vida mais saudável mas também mais feliz.

Uma dessas crianças é Rosemary Julius, de seis semanas.

A mãe, Janet Julius, está sentada pacientemente numa cadeira de plástico azul em frente da clínica de Buguruni e afasta o calor sufocante do rosto com um abano, com a Rosemary aconchegada no colo.

A Rosemary é uma das sete crianças que foram escolhidas pelo pessoal da clínica para receber a vacina dupla contra o rotavírus e antipneumocócica. Apesar das vacinas só estarem disponíveis a partir do próximo mês, o departamento de saúde decidiu vacinar um pequeno grupo de bebés para celebrar o lançamento das novas vacinas.

Julius, uma dona de casa de 22 anos que foi informada desta oportunidade durante um exame médico pós-parto, disse estar muito feliz com o facto de Rosemary ficar protegida contra a pneumonia e a diarreia vírica. Disse à IPS: "Já vi bebés ficarem muito doentes e morrerem. A vacina vai ajudar a minha filha a crescer saudável." (FIN/2013)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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