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País com petróleo sem serviços básicos e sem estradas
Charlton Doki

JUBA, 16 de janeiro, (IPS) - O Sul do Sudão poderá ter recebido um pouco mais de 10 mil milhões de dólares de receitas do petróleo entre 2005 e Janeiro de 2012, quando foi encerrada a produção de petróleo, de acordo com funcionários governamentais e o Banco Mundial

Mas peritos em desenvolvimento instaram o governo a começar a investir no país e na população, visto que os serviços sociais básicos continuam a ser escassos.

O Sul do Sudão encerrou a sua própria produção petrolífera depois de um diferendo com o Sudão, país vizinho, sobre as tarifas de trânsito no início do ano passado. Mas a produção deverá ser retomada nos próximos meses, depois de ter sido alcançado um acordo entre os dois países em Setembro.

No entanto, o Dr. Leben Moro da Faculdade Para a Paz e Estudos de Desenvolvimento da Universidade de Juba, disse à IPS que o governo precisava de reservar parte das receitas petrolíferas para construir as infra-estruturas necessárias para impulsionar o desenvolvimento desta nação centro-oriental de África.

"O dinheiro do petróleo deve ser usado de forma que beneficie o país inteiro e não só algumas pessoas com ligações ao Ministério das Finanças," afirmou.

Embora o governo ajude a financiar o ensino primário e secundário do país, assim como os serviços de saúde em hospitais nalgumas capitais dos estados, a sua contribuição para esses serviços é minima.

Nalguns hospitais, os salários dos trabalhadores e os medicamentos são pagos por organizações não governamentais e, às vezes, as organizações não lucrativas são os únicos fornecedores de manuais escolares e de outros artigos de papelaria usados nas escolas do país.

"O governo precisa de adoptar novas formas de gerir as receitas do petróleo para que o dinheiro seja usado em projectos de desenvolvimento que beneficiem todo o país," apontou o Dr. Moro.

"Sabemos que, embora muitas regiões do país sofram de insegurança alimentar, há locais como Yei (o Condado de Yei no Estado de Equatoria Central) e o Estado de Equatoria Ocidental que produzem muitos alimentos. É necessário construir estradas que cheguem aos locais onde são produzidos os alimentos," afirmou.

O Sul do Sudão tem apenas 110 quilómetros de estrada alcatroada na capital, Juba, e uma única estrada que ligr a cidade à fronteira do Uganda. Além disso, muitas áreas só são acessíveis por via aérea.

O Dr. Moro afirmou que o governo precisava igualmente de priorizar o ensino e prestar serviços básicos como cuidados de saúde.

"Temos muitos jovens que precisam de aprender competências. O governo deve assegurar que os jovens aprendam competências que lhes permitam encontrar trabalho."

"Para que as pessoas possam trabalhar arduamente e desenvolver o país precisam de ser saudáveis. Mas para isso é necessário que as pessoas tenham acesso a serviços de saúde eficientes no país," explicou o Dr. Moro.

A maioria dos cerca dos nove milhões de pessoas no Sul do Sudão não tem acesso a qualquer forma de cuidados de saúde.

Segundo o Ministério da Saúde, actualmente o Sul do Sudão tem 120 médicos, pouco mais de 100 enfermeiras registadas e 10 parteiras qualificadas.

Nalgumas áreas rurais os pacientes têm de caminhar dois ou mais dias para chegar ao centro de saúde mais próximo.

O Sul do Sudão tem um dos piores indicadores de saúde a nível global. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a População, a taxa de mortalidade materna é a pior do mundo, com 2.054 mortes por cada 100.000 nados-vivos, em grande parte porque 90 por cento das mulheres dà à luz longe de instalações médicas formais. Os hospitais têm falta de medicamentos, equipamentos e trabalhadores especializados. Além disso, estão superlotados.

Kenyi Spencer, economista especializado em questões do meio ambiente e também consultor do Banco Mundial sobre desenvolvimento do sector privado, disse à IPS que, devido ao facto do petróleo ser um recurso não renovável, os fundos resultantes desse sector deviam ser usados para desenvolver outros sectores, como a produção agrícola.

"A agricultura vai ser o verdadeiro impulsionador da economia do Sul do Sudão no futuro, mas o governo tem de tomar medidas para desenvolver este sector," afirmou Spencer.

Encorajou ainda o governo a priorizar o ensino, defendendo que a elevada taxa de analfabetismo no país estava a criar obstáculos aos esforços de desenvolvimento. Em 2011, o governo anunciou que a taxa de analfabetismo no Sul do Sudão era 73 por cento.

Este país tornou-se a mais nova nação de África em Julho de 2011. Mas as décadas de guerra com o Sudão fizeram com que apenas um número reduzido de pessoas tenha frequentado a escola.

"O que é realmente necessário aqui é um ensino técnico, em vez de teórico. Para o país se desenvolver é necessário haver canalizadores, electricistas, mecânicos, carpinteiros e assim por diante. O dinheiro devia ser investido nessas actividades," disse Spencer.

Entre as elevadas expectativas existentes, há a esperança que, quando recomeçar a produção petrolífera, o governo vai pôr fim às actuais medidas de austeridade que foram introduzidas em Fevereiro. As medidas, que incluem um corte nos salários dos funcionários públicos, foram implementadas pouco depois do encerramento da produção petrolífera, que representa 98 por cento do PIB total do país.

Muitas pessoas não estão satisfeitas com os cortes obrigatórios neste país sem acesso ao mar. No dia 7 de Setembro, no Condado Central de Rumbek, no Estado dos Lakes, um grupo de 30 polícias atacou e disparou sobre o Tenente-Coronel Mangar Kajeny Kamich, Inspector da Polícia, que ficou ferido no braço. Os polícias estavam insatisfeitos com os cortes salariais.

No dia anterior, funcionários responsáveis pela fauna selvagem no mesmo estado espancaram o seu superior imediato, depois de ter sido anunciada uma redução dos seus salários, de acordo com uma notícia do jornal local, Tribuna do Sudão.

O Dr. Moro afirmou que o governo precisava de aumentar os salários dos funcionários públicos logo que o país começasse a produzir petróleo.

"Muitos funcionários públicos foram afectados por estas medidas. Nas universidades. alguns trabalhadores perderam 75 por cento do seu rendimento. Quando a produção de petróleo recomeçar, torna-se inevitável que o governo tenha de resolver a questão dos salários," explicou.

O Presidente do Sul do Sudão, Salva Kiir, prometeu em Novembro que, logo que a produção petrolífera recomeçasse, mais recursos seriam atribuídos à prestação de serviços.

"A nossa segurança física e alimentar está no topo da lista de serviços prioritários que queremos prestar ao nosso povo. Vamos utilizar o dinheiro proveniente do petróleo para melhorar a agricultura, disponibilizando sementes, ferramentas e melhor acesso aos mercados aos agricultores," prometeu. (FIN/2013)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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