Um olhar sobre a bola de cristal energética em Abu Dhabi
A. D. McKenzie
Abu Dhabi, Emirados Árabes Unido, 18/1/2013, (IPS) - Tentar prever o setor da energia é como adivinhar o
clima em Londres nesta época de aquecimento global.
Mas foi isso que fizeram os delegados na Cúpula
Mundial sobre a Energia do Futuro, encerrada ontem
nesta capital dos Emirados Árabes Unidos.
 | Parque eólico em Zafarana, Egito.
|  | Entre muitas possibilidades, preveem a emergência
de novos líderes mundiais no setor, o
desenvolvimento de formas inovadoras de
armazenar a energia renovável e a criação de super-
redes para transportá-la, tudo isso em meio a uma
série de "enormes" desafios, nas palavras de um
dos delegados.
O encontro em Abu Dhabi aconteceu durante a
Semana da Sustentabilidade, que começou no dia
14 e termina hoje, que também inclui a Cúpula
Internacional da Água e a assembleia geral da
Agência Internacional das Energias Renováveis.
"Nunca reconhecemos aquilo que muda as regras
do jogo até que, efetivamente, o faça", disse Morten
Mauritzen, presidente da ExxonMobil em Abu
Dhabi. Mauritzen prevê um dia em que os Estados
Unidos se converterão em exportador de energia
graças à sua tecnologia em fratura hidráulica
(injeção de substâncias químicas que destroem as
rochas) para extrair gás de xisto.
Como representante da maior companhia de
petróleo e gás do mundo, Mauritzen afirmou que,
em um "conjunto de soluções integradas", será
necessário atender as necessidades da crescente
população mundial, que, segundo estimativas,
estará em torno dos nove bilhões até 2050. Para
ele, os combustíveis fósseis são parte inevitável da
futura mescla energética. Porém, muitos outros
delegados veem outras possibilidades,
especialmente a de um aumento no número de
países que se voltarão às fontes renováveis.
"Não precisamos esperar nenhuma tecnologia
inovadora. Podemos começar já", afirmou Bjorn
Haugland, vice-presidente executivo e chefe do
escritório de tecnologia e sustentabilidade da Det
Norske Veritas (DNV), uma fundação norueguesa
de gestão de riscos. Nos últimos três anos, a DNV
incrementou suas atividades contra a mudança
climática, e Haugland anunciou a criação de uma
nova unidade de pesquisa na Holanda sobre "redes
inteligentes" e "super-redes". Para ele, a tecnologia
das baterias e das super-redes de energia é chave
para se ter êxito no desenvolvimento das fontes
renováveis.
"O armazenamento tem a ver com a eficiência",
afirmou Haugland ao TerraViva. "A demanda de
energia cresce e cresce, por isso, para sermos
eficientes, devemos ter a capacidade de armazená-
la quando a temos em quantidade suficiente e usá-
la quando quisermos", acrescentou. Mas a
tecnologia de armazenamento está ficando
atrasada em relação a outras áreas do setor
"verde". As baterias ainda são muito caras e seu
transporte continua sendo uma preocupação dos
ambientalistas, explicou.
É aqui que entram as redes inteligentes. "Estas
serão essenciais para a energia renovável nos
próximos 20 anos", opinou Haugland. "Vemos as
super-redes se desenvolvendo na Índia, China e em
alguns lugares da Europa", acrescentou. As super-
redes serão usadas para transportar grandes
quantidades de energia por longas distâncias, e
isto revolucionará o setor verde, porque a energia
solar produzida em uma região poderá ser levada
para outra, enfatizou. Envolverde/IPS (FIN/2013)
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