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Entrevista
Pôr as Sanitas na moda
Fatima Asmal-Motala

DURBAN África do Sul, 23 de janeiro de 2013, (IPS) - Fatima Asmal-Motala entrevista JACK SIM, fundador da Organização Mundial de Casas Sanitas

Quando o fundador da Organização Mundial de Sanitas, Jack Sim, fez 40 anos. começou literalmente a contar os dias de vida que lhe sobravam e sentiu a necessidade urgente de fazer algo com significado durante o resto da vida. "Imaginem alguém que chega a este mundo e passa a vida a ajudar-se a si próprio? Quando essa pessoa morrer, a sua vida não teve qualquer sentido, portanto qual é a razão de estar aqui?" perguntou.

Homem de negócios bem sucedido, Sim voltou a sua atenção para uma área que achou estar severamente negligenciada.

"A sanita foi completamente negligenciada em Singapura (o seu país de origem). Percebi que a situação era igual em todo o mundo. As pessoas sentiam-se constrangidas. Agora quebrei o tabu e dei legitimidade a esta questão, com 12 anos de verdadeiro activismo neste campo. Tenho orgulho em dizer que quebrei o tabu relacionado com a questão do saneamento. Seguem-se excertos da entrevista:

P: Porque é tão importante ter um bom saneamento? R: Para que um país se desenvolva, é necessário haver pessoas saudáveis. É melhor impedir que as pessoas fiquem doentes do que tentar curá-las depois de estarem doentes. A sanita é a melhor medicina preventiva do mundo. O saneamento apropriado, juntamente com a lavagem das mãos com sabão, reduz a prevalência de doenças entre 50 a 80 por cento. Muitas doenças - diarreia, parasitas e outras doenças - ocorrem basicamente devido ao alastramento de organismos patogénicos provenientes de fezes, transmissão através dos dedos, pés, moscas e fluídos. Se se quebrar esta cadeia, as pessoas tornam-se saudáveis. Precisamos de sanitas cobertas aonde as moscas não possam chegar, que as pessoas não possam pisar, que as chuvas não possam arrastar e espalhar, e ainda um local onde se possa lavar as mãos. Para se conseguir isto é necessário educar - por que motivo uma casa de banho é algo positivo para as pessoas - fazer dela uma moda em vez de uma obrigação. Se for moda, as pessoas irão segui-la. As sanitas também precisam de donos. Se não tiverem um dono, ficam disfuncionais muito rapidamente. Se alguém comprar uma sanita, essa pessoa sente que ela lhe pertence. Se não lhe pertencer, será necessário incutir um sentimento de posse. As pessoas devem ser ensinadas a limpá-las e a guardá-las. Se não houver sanitas, haverá pessoas infelizes e pouco saudáveis - resultando em baixa produtividade e baixos rendimentos. Será então necessário incorrer em despesas devido a doenças, o que pode enfraquecer a sobrevivência baseada na subsistência, criando um novo ciclo de pobreza que se transforma num problema politico. As boas condições sanitárias podem impedir a deflagração de todas estas bombas-relógio.

P: Que progressos se fizeram no continente africano em termos de saneamento? R: A boa notícia é que actualmente África vive um dos seus períodos mais tranquilos na história recente. Por esse motivo, o seu crescimento económico é em média mais rápido do que o crescimento asiático. Quando as pessoas têm um pouco mais de dinheiro, têm expectativas mais elevadas. Portanto torna-se mais fácil desenvolver a procura de sanitas. No continente africano tem-se registado algum progresso em termos da abordagem ao saneamento integral vinda da comunidade, levando as pessoas a cavar as suas próprias fossas, encorajando-as desse modo a terem as suas próprias sanitas rudimentares. Através desta abordagem, as pessoas rapidamente compreendem a necessidade de uma sanita adequada. Começam a cavar um buraco e a visitar o mesmo local para defecar. Esta acção já é uma grande mudança de comportamento - repentinamente sentem que são disciplinados, sentem a necessidade de privacidade, de proteger os vizinhos. Portanto, a primeira fase é a visita ao mesmo local e a cobertura da fossa. É muito rudimentar, mas sempre é melhor do que estar exposto na rua, onde as mulheres podem ser molestadas. Na segunda fase, as pessoas são encorajadas a comprarem sanitas, que custam entre 50 a 100 dólares. Depois de as possuírem, começam as invejas e as comparações - e ninguém gosta de ser menosprezado.

P: Actualmente, qual é a "procura" em África? R: O que precisamos de fazer é transferir a sanita para um nível mais elevado na lista de prioridades pessoais - tão elevado como o telemóvel. A maioria das pessoas no continente tem dado prioridade à televisão, seguida do telemóvel, mas não à sanita. O que precisamos de fazer é tornar moda possuir uma sanita - transmitir a mensagem que quem não tem uma sanita vive numa situação animalesca.

P: E o que se passa do lado da oferta - é fácil uma pessoa ter acesso a uma sanita? R: É preciso disponibilizar sanitas, através do governo ou tornando-as acessíveis em termos de preço para as pessoas que as querem comprar, com tratamento no local, saneamento seguro, pessoal de limpeza para as manter, pessoal esse que também receberá formação professional como técnicos. E também devemos ensinar as comunidades a cuidar das sanitas para que possam continuar a usá-las. Por outras palavras, do lado da oferta, o esforço exige uma combinação de pessoas, governo e sector privado.

P: E a respeito da África do Sul? Tem havido algum progresso aqui? R: Um pouco. Mas o crescimento dos bairros de lata está a criar muitas dificuldades, não só a nível da disponibilização de sanitas mas também onde colocá-las. Não se pode colocar uma estrutura permanente em terra ilegal. Contudo, as pessoas precisam de sanitas. É necessário haver uma reforma a nível da política legislativa que autorize sanitas permanentes. Porque é que ela precisa de ser móvel? Por vezes uma sanita móvel está demasiado afastada para se ter acesso confortável a ela. Além disso, as pessoas têm o hábito de defecar ao ar livre - portanto existe a barreira da alteração de de um hábito. As pessoas podem perguntar porque é que têm de usar sanitas que não estão em bom estado de manutenção, que estão sujas, mal cheirosas e cheias e que nem sequer podem ser usadas? O governo também não é suficientemente rápido quanto à sua disponibilização, mas penso que está interessado em acelerar o programa porque sabe que não é possível ter uma nação de pessoas doentes.

P: Qual é o envolvimento da Organização Mundial de Sanitas na melhoria do saneamento em África? P: Fizemos uma parceria com a Unilever para o lançamento de uma academia. Vamos às escolas para encorajar as crianças a começarem a usar as sanitas mais cedo; quando utilizam sanitas na escola, promovendo desse modo a respectiva utilização em casa. O fonecimento de sanitas no continente africano ainda não acompanha a procura. Esta academia vai formar pessoas no fabrico de sanitas em fábricas muito pequenas, fazendo delas empresários que podem produzir produtos a preços assíveis com lucros, vendendo-os nas próprias comunidades. O que acontece agora é que o saneamento ultrapassa a saúde e a higiene; quando uma mulher tem uma fonte de rendimento, tem mais poder em casa, pode usar o seu dinheiro de forma prudente erm benefício da família, a sua voz tem mais peso quando se dirige à sogra e ao marido. Portanto, estamos a promover a igualdade do género e a sustentabilidade. Tivemos sucesso no Camboja. Em três anos foram produzidas 24.000 sanitas, gerando 48.000 dólares para os vendedores. Aguardamos com expectativa o dia em que cada pessoa em qualquer parte do mundo tenha acesso a uma sanita limpa e segura em qualquer altura que precisar de a usar. (FIN/2013)

 
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