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Ventos da Primavera Árabe chegam a Bangladesh
Peter Custers

Daca, Bangladesh, 6/3/2013, (IPS) - O que acontece em Bangladesh? Por acaso se trata de processar um obscuro legado (o trauma pelo genocídio ocorrido durante a guerra de libertação em 1971) ou se trata de algo mais?

Membros da Rede de Ativistas Online e Blogueiros ocuparam, no dia 5 de fevereiro, um dos principais cruzamentos no centro da capital, conhecido como Shahbag, e protestaram contra veredito do Tribunal de Crimes Internacionais (criado no país em 2010 para julgar pessoas acusadas de crimes contra o direito internacional durante a guerra de 1971) no caso de Abdul Quader Mollah, importante dirigente do Jamaat-e-Islami, principal partido fundamentalista de Bangladesh.

Segundo o veredito, Mollah, entre outros, participou de forma ativa do massacre de uma enorme quantidade de civis, cometido em uma localidade perto de Daca no começo da guerra de libertação. Na época integrava o ramo estudantil do Jamaat-e-Islami. As vítimas morreram quando suas casas foram incendiadas. Essa foi a segunda sentença pronunciada pelos juízes do tribunal, e os ativistas a consideraram pouco severa e pedem a pena de morte.

A reação pública à ocupação de Shahbag foi tão esmagadora e o avanço do movimento de tal amplitude, que talvez surpreenda observadores estrangeiros não acostumados à política nacional. O pedido da pena capital se espalhou de tal forma por todo o país, que obrigou o governo da Liga Awami a acelerar a marcha e reforçar seu compromisso de que haja justiça para as vítimas de 1971.

A reclamação central do protesto passou a ser rapidamente a proscrição do Jamaat-e-Islami, considerado o partido que carrega o legado dos crimes de guerra. O protesto não nasceu de nenhum dos partidos políticos do país, nem de nenhuma das forças que no passado serviram para moldar a opinião pública em torno dos julgamentos por crimes de guerra. O papel de protagonista é de ativistas independentes, estudantes e jovens em geral.

Das manifestações participaram pessoas de diferentes meios, mas foram universitários e estudantes secundários que saíram em massa às ruas. Houve certas atividades principais, como a grande concentração de dezenas de milhares de pessoas no Shahbag no dia 8 de fevereiro, três dias depois do início do protesto; três minutos de silêncio observados no dia 12 em todo o país por pessoas que formavam correntes humanas, e uma manifestação à luz de velas na noite do dia 14.

Também foi muito impressionante ver a bandeira nacional hasteada em milhares de instituições de ensino de todo o país no dia 17. Os jovens de Bangladesh são a principal força por trás das mobilizações. Mostram um interesse por acontecimentos que não viveram, mas que levaram à independência, há 42 anos. Porém, ao analisar o fenômeno, se observa uma polarização política do protesto. E em primeiro lugar se destaca o objetivo contra o qual os jovens se levantam.

Eles não protestam apenas contra a indulgência do veredito ou somente insistem para que todos os dirigentes políticos que ajudaram o exército do Paquistão a implantar sua política de extermínio sejam castigados com a pena de morte. No dia 10 de fevereiro, também apresentaram ao presidente do parlamento uma demanda de seis pontos. Uma das cobranças da Ativistas Online e Blogueiros é que o Jamaat-e-Islami seja proscrito e tenha seu patrimônio confiscado.

Há, certamente, provas de sobra de que os dirigentes desse partido ofereceram em 1971 seus serviços ao exército do Paquistão, criaram forças paramilitares e esquadrões da morte que assassinaram uma enorme quantidade de intelectuais e membros da minoria hindu, entre outros civis. Além disso, não só seus dirigentes deixaram de pedir perdão pelo papel que desempenharam em 1971, como, desde o começo dos julgamentos por crimes de guerra, esse partido fez todo o possível para obstruir o processo.

Inclusive, nos últimos meses, partidários do Jamaat-e-Islami enfrentaram em várias oportunidades a polícia em protestos contra a existência destes julgamentos. Também se atribui a esse partido o assassinato do ciberativista Rjib, cujo corpo foi encontrado perto de sua casa no dia 15 do mês passado. E o que faz o governo encabeçado pela filha do fundador deste país, xeque Mujibur Rahman?

Muitos dirigentes da governante Liga Awami não receberam permissão para falar sobre Shahbag. Embora a principal demanda dos manifestantes coincida, de certa forma, com a política oficial, os protestos maciços são uma expressão da frustração das pessoas pela forma como as autoridades manejam os julgamentos por crimes de guerra. Contudo, não se pode dizer que o governo de Bangladesh não tenha respondido às inquietações dos jovens. Inclusive, o primeiro-ministro, xeque Hasina, saudou publicamente os manifestantes do Shahbag, e vários ministros se dirigiram a esse lugar para expressar solidariedade com a causa.

Igualmente significativo é o fato de, apesar de o governo não ter se mostrado muito favorável à proscrição do Jamaat-e-Islami, o parlamento, dominado pela Liga Awami, aprovou em 17 de fevereiro um projeto de lei que habilita o Tribunal de Crimes Internacionais para julgar esse partido, de forma semelhante ao que os Julgamentos de Nuremberg fizeram com o partido nazista da Alemanha, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

É possível considerar que exista uma ligação dinâmica entre o levante popular de Bangladesh e a Primavera Árabe no Oriente Médio e no norte da África. Como a maioria da população é muçulmana, é natural que esta siga as mudanças ocorridas no Egito e na região em geral. Pela forma como ocorreu a concentração em Shahbag fica claro que os ativistas de Bangladesh aprenderam alguma coisa com seus pares egípcios. No entanto, a agenda do protesto neste país vai mais além dos movimentos democráticos da maior parte do Oriente Médio.

Neste país existe um movimento que não só têm uma relação incômoda com os partidos islâmicos como, desde o começo, o levante popular de Bangladesh expressou seu secularismo e sua tolerância, e sua oposição à política fundamentalista. Na verdade, este país da Ásia meridional não só revive seu próprio legado histórico, a saber, o espírito secular que impregnou a luta independentista, como, talvez, esteja a caminho de dar um exemplo ao mundo muçulmano e ao Ocidente. Envolverde/IPS (FIN/2013)

 
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