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Gasotudo entre Paquistão e Irã carregado de energia e desafios
Richard Heydarian*

Manila, Filipinas, 18/3/2013, (IPS) - Após quase três décadas de negociações ininterruptas e dois anos de intensa oposição dos Estados Unidos, o demorado e controvertido gasoduto entre Paquistão e Irã foi inaugurado oficialmente e bem encaminhado para estar totalmente em operação dentro de 15 meses.

Em uma demonstração das crescentes dificuldades energéticas do Paquistão, o presidente Asif Ali Zardari decidiu ignorar a forte oposição externa e visitar o Irã no dia 27 de fevereiro, para finalizar um acordo que poderia converter as relações entre os dois países em uma associação estratégica. Zardari e o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, inauguraram, no dia 11, o gasoduto, cujo custo de construção é de US$ 7,5 bilhões.

Quando estiver totalmente concluído, o que está previsto para meados de 2015, o gasoduto de 1.881 quilômetros poderá transportar diariamente 21,5 milhões de metros cúbicos de gás natural. Sairá do condado de Asaluyeh, no sul do Irã, e percorrerá 1.100 quilômetros pela província paquistanesa do Balochistão e da vizinha Sindh, para se conectar à rede existente. O Irã tem quase terminadas as obras em seu território, mas o Paquistão teve que buscar fundos para completar sua parte do acordo.

Após se reunir com autoridades iranianas em Teerã, Zardari pôde selar um acordo final para terminar as obras em território paquistanês, ao custo de US$ 1,5 bilhão. Pelo acordo, o Irã aportará US$ 500 milhões em forma de empréstimo brando. Um consórcio binacional formado pela companhia iraniana Tadbir Energy e a paquistanesa Interstate Gas Company estará à cargo da construção do gasoduto no Paquistão. Está previsto que as obras estejam totalmente terminadas em dezembro de 2014, segundo um acordo prévio de compra e venda de gás.

"Os dois países têm relações consolidadas e de mútua confiança apesar dos esforços dos que tentem arruinar os vínculos entre Teerã e Islamabad, bem como impedir nossa cooperação", declarou o presidente paquistanês após a assinatura do acordo na capital iraniana. "A construção deste projeto é muito benéfica para as duas partes e apoiamos o trabalho realizado até agora", acrescentou. Por sua vez, Ahmadinejad disse que "Irã e Paquistão estarão juntos com uma perspectiva estratégica". Acrescentou que o acordo é um golpe diplomático contra a crescente pressão externa para isolar Teerã por causa da questão nuclear.

Antes da visita de Zardari, um comitê do gabinete paquistanês, integrado por personalidades dos ministérios de Finanças, Justiça e Petróleo, encabeçado pelo ministro das Finanças, aprovou investimento de US$ 1,5 bilhão. Nesse sentido, a visita de Zardari objetivou ajustar detalhes do acordo, em particular os termos da contribuição iraniana, a participação na construção e os preços do gás, pois a burocracia paquistanesa já estava totalmente a favor desta iniciativa.

Porém, a viagem marcou um giro drástico na política externa de Islamabad, pois Zardari desafiou a pressão internacional e arriscou um afastamento irreversível de Washington, que promoveu de forma incansável uma via alternativa de fornecimento. Tratava-se de uma tubulação começando no Turcomenistão e que passava pelo Afeganistão, conhecido como gasoduto TAPI (Turcomenistão, Afeganistão, Paquistão e Índia).

Antes da viagem de Zardari, a agora ex-secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton, havia advertido o Paquistão em uma declaração feita no congresso dos Estados Unidos. "Iniciar a construção desse gasoduto, seja um projeto iraniano ou conjunto, violará nossas sanções contra o Irã", afirmou.

No entanto, do ponto de vista do Paquistão, o Ocidente não é sensível aos seus interesses nacionais. O Paquistão sofre uma crise de energia e cortes de energia já prejudicam a indústria e enfurecem as pessoas. As relações entre Islamabad e Washington se esfriaram e estão cheias de controvérsias, gerando eventuais golpes diplomáticos no marco da tensão bilateral causada pelos ataques de aviões não tripulados e operações contra o terrorismo em solo paquistanês.

Em um momento de crise de segurança no Afeganistão, devido à redução da presença militar do Ocidente, apesar da pressão implacável do Taliban contra o frágil governo em Cabul, o gasoduto TAPI, promovido por Washington, está longe de ser uma alternativa viável e oportuna. O Irã é um fornecedor de energia a preços acessíveis e em tempo útil, o gasoduto vai ajudar a cobrir 20% da produção de eletricidade do Paquistão.

O acordo é um subtexto de tendência do Irã de fazer pesar suas enormes reservas de hidrocarbonos para gradualmente atrair aliados dos Estados Unidos desesperados por energia, como a Turquia, o maior cliente de gás natural iraniano e um forte crítico das "segundas sanções" do Ocidente para parceiros do Irã.

Paquistão e Irã, junto com a Turquia, foram membros fundadores da Organização de Cooperação Econômica, e por décadas exploraram várias maneiras de melhorar as relações bilaterais e a integração econômica regional. Inicialmente, o gasoduto estava programado para chegar na Índia, com o potencial de se estender até a China. Mas a combinação de problemas de segurança, a pressão externa e desacordos de preços reduziu o projeto aos dois vizinhos de fronteira. O gasoduto servirá de base para a criação de um corredor de energia transnacional, no qual o Irã ocupará um lugar central.

Durante seu encontro, os dois governantes discutiram acordos de cooperação estratégica, especialmente sobre a insurgência e a instabilidade no Balochistão, uma grande ameaça para o gasoduto, bem como o futuro do Afeganistão. Devido às sanções impostas pelo Ocidente ao setor energético e financeiro do Irã, as conversações bilaterais também ofereceram uma base para a concretização de substanciais acordos de intercâmbio. O acordo final representa um novo capítulo nas relações entre Irã e Paquistão, pois pode resolver as dificuldades energéticas deste último, mas também destaca a limitada capacidade do Ocidente em isolar completamente o Irã, rico em recursos. Envolverde/IPS

* Richard Heydarian é especialista em política e Oriente Médio. (FIN/2013)

 
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