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A Espanha tem excesso de transgênicos, mas não sabe onde estão plantados
Inés Benítez

MÁLAGA, Espanha, 25 de março de 2013, (IPS) - (Tierramérica).- A Espanha, o país com mais plantações transgênicas da União Europeia, não tem um registro público sobre sua localização.


Crédito: Amigos da Terra
Campo de milho geneticamente modificado na Espanha
A Espanha é a primeira na União Europeia (UE) em matéria de plantações em grande escala de sementes geneticamente modificadas. Segundo a quantidade de experimentos e a extensão das terras cultivadas, a Espanha responde por 42% dos ensaios experimentais de cultivos modificados ao ar livre do bloco, segundo dados do Centro Comum de Pesquisa da Comissão Europeia.

"Está sendo realizado um experimento em grande escala sem se conhecer suas consequências na saúde, no entorno e no futuro da agricultura", disse ao Terramérica a ecologista Liliana Spendeler, diretora da Amigos da Terra Espanha. Esta organização promove a campanha Únicos na Europa: a Televenda dos Transgênicos para informar a sociedade sobre estes cultivos.

Os organismos geneticamente modificados são aqueles aos que foram incorporados em laboratório genes de outras espécies, vegetais ou animais, para produzir características desejadas, como resistência a pragas ou a climas adversos. Não há estudos concludentes sobre a inocuidade destes transgênicos para a saúde humana e o meio ambiente. Por isso a Organização Mundial da Saúde recomenda estudar cada caso de forma individual.

Em 2012, a Espanha contava com pouco mais de 116.300 hectares de milho transgênico MON 810, da corporação biotecnológica transnacional Monsanto, 20% mais do que em 2011, segundo o Ministério de Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente, com base em dados de venda de sementes. Ecologistas criticam que esses dados sejam estimativas imprecisas e que não exista um registro público sobre a localização dos terrenos plantados com transgênicos.

Quando cultivos ecológicos ou orgânicos certificados são "contaminados" com variedades transgênicas, os agricultores perdem essa certificação e não podem processar o dono das plantações modificadas porque não existe o registro, nem reclamar indenização por danos, pois não está prevista nas legislações espanhola e europeia, explicou Liliana.

Na Espanha, como em toda a UE, só se permite cultivar milho transgênico. A soja e o algodão modificados são importados de Argentina, Brasil, Canadá e Estados Unidos. "Os alimentos transgênicos produzidos em países em desenvolvimento enchem os estômagos de vacas e porcos dos países industrializados", disse ao Terramérica o responsável pela campanha sobre este tema no Greenpeace Espanha, Luís Ferreirim.

"Entre 1996 e 2011 os cultivos biotecnológicos contribuíram para a segurança alimentar, a sustentabilidade e (para a resposta) a mudança climática", afirma um informe de 20 de fevereiro do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agrobiotecnológicas (ISAAA). Segundo este órgão, no ano passado foram plantados 170,3 milhões de hectares de vegetais transgênicos em todo o mundo, 6% a mais do que em 2011. Os Estados Unidos são o maior produtor, seguidos do Brasil.

Apesar da melhoria na produtividade, eficiência e redução do uso de pesticidas, defendidas pelos defensores dos transgênicos, um número importante de países europeus os proíbem, pontuou Luís. Na Europa, há 11 Estados que dizem não aos transgênicos, oito deles na UE, após a entrada da Polônia em 2013. E em 2012 só foram cultivados em Portugal, Espanha, Romênia, Eslováquia e República Checa, acrescentou. Destas plantações da UE, 95% se concentram na Espanha (88%) e em Portugal (7%).

A maior parte do milho modificado é destinada à elaboração de ração animal. "Como a pirâmide de alimentação se inverteu e cada vez demandamos mais proteína animal, isto chega diretamente aos nossos pratos", observou Luís. A legislação europeia obriga a indicação no rótulo de um alimento se seus ingredientes contêm ou foram elaborados a partir de transgênicos, salvo nos casos em que essa presença não supere 0,9% do ingrediente. A ração animal comercializada na Espanha mistura milho transgênico e convencional, o que constitui um "grave atentado ao direito de escolha" do pecuarista por uma ração não modificada para seus animais, destacou Liliana.

A ativista Carmela San Segundo, da organização Ecologistas em Ação, na cidade de Málaga, sul da Espanha, destaca o "grande poder" exercido pelas corporações agroquímicas que vendem sementes modificadas. Esta organização não governamental conseguiu que uma dezena de povoados malaguenhos se declarassem Zonas Livres de Transgênicos, figura legal reconhecida pela UE. "É preciso trabalhar muito: conversar com associação de moradores, agricultores e membros da municipalidade. Não é um problema que preocupe, porque as pessoas o desconhecem bastante", detalhou Carmela ao Terramérica.

Na Espanha a cultivo de milho transgênico começou em 1998 para enfrentar a repercussão econômica das pragas, segundo o Ministério da Agricultura. Mas hoje se ignora a incidência real da praga da broca que afeta o milho. "Justifica-se o uso desta tecnologia sem contar com dados concretos sobre as perdas causadas pelas pragas?", perguntou Luís. O ativista explicou que a variedade de milho transgênico Bt, da companhia norte-americana Monsanto, evita o uso de veneno contra pragas porque produz em suas flores uma bactéria tóxica para os insetos.

Embora nem sempre haja ameaça de pragas, este milho libera constantemente esse gene que, após a colheita, fica no solo prejudicando sua fertilidade, ressaltou Luís. "Foi comprovado em cultivos transgênicos de vários países que com o tempo começam a aparecer pragas secundárias, o que obriga a usar outros pesticidas", advertiu. Uma pesquisa publicada em 2010 pela União Europeia mostra que 53% dos espanhóis eram contra introduzir genes de outras espécies nos alimentos, enquanto apenas 27% estavam de acordo.

* (FIN/2013)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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