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Água, água por todo o lado - e sem um sstema de aviso prévio à vista
Ignatius Banda

GWANDA, Zimbabwe, 15 abr 2013, (IPS) - Muzeka Muyeyekwa, da aldeia de Mapfekera, na provincia zimbabweana de Manicaland, pondera o que dar aos três filhos para o almoço.

Os alimentos básicos da família acabaram e agora não os podem repor visto que a ponte que atravessa o rio Nyadira, que liga a aldeia ao resto do mundo e ao centro comercial de Watsomba, foi destruída em Janeiro durante as cheias repentinas que se espalharam por todo o país. A província de Manicaland, que faz fronteira com Moçambique, é das províncias mais seriamente afectadas uma vez que recebeu mais de 1 metro de chuva desde meados de Janeiro. Contudo, alguns aventureiros na aldeia têm utilizado o desastre para fazerem dinheiro rapidamente, atravessando o rio a nado com abastecimentos - e cobrando o triplo do preço ou mais pelos produtos básicos. "Não podemos atravessar o rio para irmos ao moinho ou para obtermos os alimentos básicos," disse Muyeyekwa à IPS. "Os únicos alimentos que chegam aqui são os artigos dispendiosos trazidos pelos aventureiros." Outros aldeãos afirmam que os seus alimentos estão a acabar e estão preocupados com o facto de as autoridades não estarem a actuar com a celeridade necessária para reparar a ponte. Mas o presidente do conselho distrital local, George Bandure, disse à IPS que o conselho está a mobilizar recursos para a reconstrução da ponte que foi destruída. A comunidade de Mapfekera não é a única com dificuldades para fazer face às pesadas chuvas fora da época aqui. De acordo com último relatório sobre o Zimbabwe do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação das Questões Humanitárias, as intensas chuvas que tiveram lugar em Janeiro em todo o país afectaram 8.490 pessoas, "das quais 4.615 necessitam de assistência humanitária sob a forma de abrigos de emergência e outros produtos não alimentares." A Unidade de Protecção Civil do governo calcula que cerca de 5.000 pessoas em todo o país perderam as suas casas devido às cheias, enquanto que a polícia afirma que cerca de 100 pessoas morreram afogadas - tudo isto tendo acontecido desde o final do ano passado. Perto de 2.000 alunos nos distritos de Chiredzi e Mwenezi, na província de Masvingo, têm aulas ao ar livre visto que as chuvas torrenciais destruíram as salas de aulas em 28 escolas. Clifford Tshuma, um pequeno agricultor na zona rural de Gwanda, na província de Matabeleland do Sul, observa o efeito de uma inesperada e forte chuvada sobre o seu campo de milho. A chuva destruíu as espigas de milho e deixou as plantas arruinadas. "Não sabia que isto ia acontecer," disse Tshuma à IPS. Os peritos em questões do clima nesta país da África Austral afirmam que a difícil situação das populações rurais piorou ainda mais com a falta de um número suficiente de sistemas de monitorização do clima que forneçam indicações antecipadas sobre os níveis de pluviosidade. "Por vezes o Zimbabwe está menos equipado para prever, e pouco preparado para planear e dar uma resposta às cheias," afirmou à IPS Sobona Mtisi, um climatologista do Programa da Política de Recursos Hídricos junto do Instituto de Desenvolvimento Estrangeiro. O Instituto iniciou uma parceria com o governo do Zimbabwe para formular uma mudança de política em matéria de alterações climáticas. "Os sistemas de aviso prévio que centram a sua atenção nas cheias ainda não estão bem desenvolvidos, especialmente a nível local. Estes factores contribuem para garantir que o país é sempre apanhado desprevenido." Desde meados de Janeiro que as fortes chuvas têm atingido o Matabeleland do Sul e do Norte, assim como a província de Masvingo, que eram tradicionalmente zonas secas. De acordo com os Serviços de Meteorologia do Zimbabwe, as províncias de Matabeleland do Sul e do Norte têm recebido chuvas de 300 milímetros desde o início do ano - valor pelo menos três vezes mais elevado do que as chuvas previstas para estas províncias. "É um valor muito mais reduzido que nas outras províncias," disse à IPS Tich Zinyemba, director dos Serviços de Meteorologia do Zimbabwe, referindo que a província de Manicaland, que faz fronteira com Moçambique, registara 1.000 milímetros de chuva durante o mesmo período. "Mas (a chuva em Matabeleland) é invulgarmente elevada para este tipo de regiões áridas."

Ajustamento à nova realidade Até ao início das chuvas em meados de Janeiro, as províncias de Matabeleland do Sul e do Norte estavam a sofrer uma seca. A publicação online local, Bulawayo 24 News, noticiou que entre Julho e Dezembro de 2012, cerca de 9.000 cabeças de gado na região do Matabeleland do Sul tinham morrido devido à seca contínua. Segundo esta publicação, agora estão a morrer devido às cheias que ocorreram. "As cheias são um fenómeno recente no Zimbabwe, pelo que o país ainda está a adaptar-se a esta nova realidade," afirmou Mtisi, explicando depois que as cheias começaram a ocorrer na região em 2000 quando o Ciclone Eline passou pela Africa Austral. Mtisi disse que a ocorrência de fortes chuvas, que deixam a destruição atrás de si, se tornaram mais previsíveis na última década. Acrescentou que, com uma preparação adequada, estas perdas podiam ser evitadas ou minimizadas. "De 2000 a 2010, o Zimbabwe passou por quatro cheias, algumas das quais foram causadas por ciclones, como o Ciclone Eline (em 2000) e o Ciclone Japhet (em 2003). Isto quer dizer que temos uma cheia de dois anos e meio em dois anos e meio," asseverou Mtisi. "O problema é que o Zimbabwe não tem recursos suficientes, particularmente recursos técnicos e financeiros, para prever, preparar-se e gerir as cheias. Penso que os departamentos de monitorização meteorológica e hídrica da Autoridade Nacional da Água do Zimbabwe, do Departamento de Meteorologia e do Departamento de Protecção Civil não têm fundos suficientes para iniciarem actividades adequadas de preparação e de gestão de cheias," disse. Mitsi afirmou que, apesar dos esforços das agências de ajuda internacional no sentido de reduzir o impacto destas perdas, muito mais teria de ser feito. "Embora estejam em funcionamento diversos sistemas de monitorização de informação hidrológica e meteorológica geridos por instituições regionais e internacionais como a Rede dos Sistemas de Aviso Prévio Contra a Fome e o Sistema de Observação do Ciclo Hidrológico da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, são insuficientes," referiu Mtisi. Seria útil que o Zimbabwe desenvolvesse uma rede extensa de estações hidrológicas e meteorológicas para monitorizar os níveis dos rios e as cheias, monitorização essa que, segundo ele, podia ser realizada através de agências como os Serviços de Meteorologia do Zimbabwe e a Autoridade Nacional da Água do Zimbabwe. Actualmente estão a ser instalados sistemas de alta frequência nas áreas do país mais sujeitas a cheias, a fim de garantir que as pessoas nessas zonas consigam comunicar com as diferentes unidades de gestão de catástrofes, que as devem avisar da ocorrência de pluviosidade elevada e potenciais desastres. A questão agora é assegurar que estes sistemas estejam operacionais e em pleno funcionamento, disse Tapuwa Gomo, especialista em desenvolvimento que trabalhou com agências de ajuda internacional nalgumas áreas do Zimbabwe mais atreitas a cheias.

*Notícias adicionais de Nyarai Mudimu na província de Manicaland (FIN/2013)

 
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