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ISLÂNDIA
Jogando com a natureza
Lowana Veal

Reykjavik, Islândia, 25/4/2013, (IPS) - Desde que a represa do projeto hidrelétrico Karahnjukar, no oriente da Islândia, começou a funcionar, em 2006, a situação do lago Lagarfljog piorou muito, segundo informação colhida pela empresa estatal de energia Landsvirkjun, responsável pelo projeto.


Crédito: Pétur Elísson/IPS
O lago Lagarfljot antes de começar a construção da represa Karahnjukar
Algumas das mudanças são irreversíveis, dizem os cientistas. A informação divulgada pela Landsvirkjun procede de um rascunho de informe que foi apresentado ao conselho municipal da região.

O lago Lagarfljog tem 92 quilômetros de comprimento. Trata-se, na realidade, de uma série de lagos atravessados por um rio. Os moradores das proximidades o usam com fins recreativos, e outrora também serviu para pesca. Como parte da obra de Karahnjukar consistiu em desviar um rio de geleira para o lago, o volume de água aumentou significativamente, e as ribeiras em um trecho de 50 quilômetros sofreram erosão, prejudicando a terra agrícola no processo.

Pétur Elísson preside a associação de proprietários cujas terras limitam-se com o lago. A Landsvirkjun manteve uma reunião com a associação e com um engenheiro logo depois de ter começado a construção, contou à IPS. "Eles disseram que o nível da água aumentaria levemente e que não haveria erosão ou outros impactos nas ribeiras do Lagarfljog. Além disso, o efeito do sedimento suspenso não causaria muitos danos à biodiversidade, mas, se isso ocorresse, o advogado da Landsvirkjun disse que eles compensariam os danos".

Atualmente, as existências de salmão praticamente desapareceram e a população de trutas diminuiu 80%. A cor do lago mudou e ficou muito mais escura devido a todos os sedimentos, incluídos os emanados do rio de geleira que agora desemboca nele. A capacidade de fotossíntese das algas e outras plantas diminuiu, já que é muito pouca luz que penetra nas águas, também por culpa dos sedimentos. E a biodiversidade vegetal diminuiu em geral. Além de diminuir a população de peixes, algumas aves também foram afetadas, pois já têm menos alimento porque seu habitat está destruído. A maior parte destas mudanças foi prevista em 2001, quando a represa fez sua avaliação de impacto ambiental.

A Agência de Planejamento, que naquela época determinava se uma obra podia seguir adiante ou não, afirmou que as consequências ambientais da represa de Karahnjukar eram tão grandes e incertas que não permitiria que terminasse de ser construída. Dois dos muitos motivos que deu foram os efeitos negativos que teria sobre o lago e a grande incerteza em relação aos impactos ambientais sobre muitos outros aspectos. Entretanto, a decisão da Agência de Planejamento foi revogada pelo ministro do Meio Ambiente da época, Siv Fridleifsdóttir, para indignação de muitos ambientalistas.

Como disse Arni Finnsson, da Associação da Islândia para a Conservação da Natureza, o país "joga os dados com sua própria natureza". "A decisão do ministro é um exemplo de má governança em que um político nega descobertas científicas para impor uma política de governo", apontou.

Em 2001, o governo da Islândia era de direita e estava ansioso por construir uma indústria intensiva em matéria de energia. Agora, alguns apontam defeitos no estudo de impacto ambiental. Uma dessas pessoas é Finnsson. "Atualmente, está claro que o Lagarfljog está quase morto porque o derretimento da geleira Vatnajökull é muito rápido", afirmou. Esta calota de gelo cobre 8% da superfície terrestre da Islândia, e está integrada por uma série de geleiras que estão diminuindo em grande velocidade. Tanto o volume da água como a quantidade de sedimentos são maiores do que o previsto nos modelos usados pela avaliação de impacto ambiental.

"Naquele momento, a Landsvirkjun não estudou que impacto poderia ter o aquecimento global quando um rio de geleira entra em outro rio", apontou Finnsson, referindo-se ao aumento de 30% no volume das águas desde que o rio Jokulsa a Dal foi desviado para o lago. Os proprietários estão extremamente irritados. "Como um ministério que deveria cuidar dos assuntos de biodiversidade emite uma permissão para destruir completamente um ecossistema tão grande? Que direito tem de arruinar nossa propriedade? Em minha opinião, esta é a maior catástrofe ambiental na Europa e inclusive mais além", protestou Elisson.

Algumas pessoas se preocupam com as implicações mais amplas do caso Lagarfljog. Em Bjarnaflag, norte do país, pode ser construída uma central geotérmica para alimentar uma proposta fábrica de silicone e outra indústria não longe dali. Há cerca de dez anos foi feito um estudo de impacto ambiental para a central, mas agora se exige sua atualização, já que desde então vieram à luz muitos novos assuntos relativos a estes projetos.

Algumas pessoas afirmam que é preciso considerar as lições do projeto Karahnjukar no lago Myvatn, o que inclui a enorme incerteza sobre os impactos ambientais, tanto do projeto Karahnjukar como do Bjarnaflag. Por sua variedade de aves, o lago Myvatn, um dos principais pontos turísticos do Norte da Islândia, é declarado "sítio Ramsar", ou seja, é um mangue de importância internacional designado pela Convenção de Ramsar.

No final do ano passado, as organizações conservacionistas Landvernd e BirdLife Islandia escreveram à secretaria da Ramsar para manifestar suas preocupações sobre o efeito que o projeto possa causar no lago. "Os problemas ambientais se relacionam com a contaminação derivada das operações da central, que incluem águas residuais, mudanças na temperatura do fluxo de água subterrânea no lago e um sulfeto de hidrogênio transportado por ar", escreveu Gudmundur Ingi Gudbrandsson, diretor gerente da Landvernd.

Se diminuir a temperatura da água subterrânea, será transportado menos silício para o lago, e o silício é um elemento fundamental do ecossistema do lago Myvatn. Também ocorre que os impactos sobre a saúde originados por uma maior contaminação com sulfeto de hidrogênio não são plenamente compreendidos. É preciso avaliar estes assuntos em um novo estudo de impacto ambiental para o projeto. Há muita coisa em jogo", concluiu Gudbrandsson. Envolverde/IPS (FIN/2013)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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