África
  Mundo
  Economía
  Direitos Humanos
  Saúde
  Ambiente
  Globalização
  Arte e Cultura
  Energia
  Politica
  Desenvolvimento
  Colunistas
 
  RSS o que é isso?
   ENGLISH
   ESPAÑOL
   FRANÇAIS
   SVENSKA
   ITALIANO
   DEUTSCH
   SWAHILI
   MAGYAR
   NEDERLANDS
   ARABIC
   POLSKI
   ČESKY
   SUOMI
   PORTUGUÊS
   JAPANESE
   TÜRKÇE
PrintSend to a friend
 

Mulheres, as mais afetadas pela escassez de milho em Malawi
Mabvuto Banda

Lilongwe, Malawi, 30/4/2013, (IPS) - Esnart Phiri, viúva e com cinco filhos, dormiu vários dias seguidos do lado de fora do mercado estatal de venda de milho da capital de Malawi, chamado Admarc, para poder conseguir o apreciado alimento.


Crédito: Mabvuto Banda/IPS
Pessoas fazem fila em dependências estatais de venda de milho, algumas delas há vários dias.
As filas nunca acabam nos Admarcs, porque milhares de pessoas são forçadas a esperar durante dias por este produto primordial na dieta deste país de mais de 14 milhões de habitantes.

Phiri contou à IPS que durante as noites coloca seu filho mais velho na fila para não perder o lugar, enquanto ela e os outros filhos dormem em um corredor do escritório que fica do outro lado da rua. "O mercado se tornou meu lar temporário porque não tenho forças para ir e vir caminhando todos os dias. Prefiro dormir aqui e esperar pelo milho", afirmou. Phiri vive em Chinsapo, a 40 quilômetros de Lilongwe.

Malawi sofre uma escassez de milho devido a dois períodos seguidos de seca. Este alimento representa 90% da ingestão calórica neste país, seguido de mandioca, batata-doce e sorgo. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a produção de cereal no período 2011-2012 caiu 7% em relação à safra anterior. Cerca de dois milhões de pessoas carecem de alimentos suficientes este ano devido à prolongada seca e à alta dos preços dos alimentos, o que elevou o preço ao consumidor em 36,6%, segundo dados de março.

Todos os dias, antes do amanhecer, Memory Jamesi, grávida de quatro meses, se levanta e caminha 40 quilômetros até o Admarc de Lilongwe. Há algumas semanas, Jamesi, que tem outros três filhos, desmaiou enquanto esperava na fila. "Me senti fraca e cansada, tive fortes tremores enquanto estava na fila, e não sei o que aconteceu depois", contou à IPS em um quarto da lotada ala de mulheres do Hospital Central de Kamuzu. E sua situação não é única.

Aproximadamente cinco em cada dez pessoas ouvidas pela IPS em Chinsapo disseram que seus filhos passaram fome nos últimos meses. Mas isto não se deve apenas à escassez de milho, porque quando ele existe não dá para pagar seu alto preço. Uma saca de milho de 50 quilos custava cerca de US$ 13, mas agora esse valor mais do que dobrou, muito acima da renda das pessoas pobres, que vivem com menos de US$ 20 por mês, e não podem pagar os US$ 30 que está custando.

Nesse país, onde as mulheres representam 70% da mão de obra agrícola e são o sustento da família, elas e as crianças ficam com a pior parte da alta do preço dos alimentos. A situação alimentar ficou mais crítica nos últimos dois meses, depois que aproximadamente 30 mil toneladas de milho das reservas estratégicas apodreceram.

Segundo o secretário principal do Ministério de Agricultura e Segurança Alimentar, Jeffrey Luhanga, o milho perdido era suficiente para alimentar quase 400 mil dos dois milhões de pessoas que necessitam de assistência alimentar. "Agora tivemos que importar 50 mil toneladas de Zâmbia para cobrir a falta", acrescentou. É a primeira vez em seis anos que Malawi se vê obrigado a importar milho de seu vizinho.

Entre 2006 e 2011, o país conseguiu uma abundante colheita de milho graças ao sucesso de um programa de subsídio de fertilizantes. Dentro dessa iniciativa, lançada em 2005 e que funcionou muito bem, os camponeses pobres se beneficiavam de uma redução de 40% no preço de fertilizantes e sementes. Além disso, em 2003, adotou o Programa Integral de Desenvolvimento Agrícola da África, que objetiva eliminar a fome e reduzir a pobreza.

Mas a prolongada seca e a corrupção na rede de distribuição e fornecimento de fertilizantes do programa de subsídio reduziram a abundância de colheitas e afetaram a produção. "Nos últimos dois anos de governo do (falecido) presidente Bingu wa Mutharika, houve corrupção no programa de subsídio aos fertilizantes e as famílias-alvo não foram beneficiadas pelo desvio de insumos. Além disso, as duas secas, especialmente no cinturão de produção de milho, prejudicaram as colheitas", ressaltou Luhanga.

Porém, o ministro de Agricultura e Segurança Alimentar, Peter Mwanza, declarou à IPS que espera que a próxima colheita seja importante graças às abundantes chuvas. "Nossas primeiras estimativas revelam que a colheita ficará em torno de 3,5 milhões de toneladas, mais do que o colhido no ano passado", acrescentou. As previsões indicam que a produção vai superar o consumo nacional de 2,8 milhões de toneladas. Envolverde/IPS

(FIN/2013)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
  Mais noticias
News in RSS
 Sri Lanka recorre e métodos ancestrais contra a mudança climática
 Salva-vidas afunda ainda mais a Grécia
 Ampliação de estrada atenta contra patrimônio cultural indiano
 A ignorada faceta produtiva da cannabis
 DESTAQUES: Código de barras até em colmeias
 REPORTAGEM: Estrada no Parque Nacional do Iguaçu pode acabar em impasse
 "Quando a corda da desigualdade se rompe, você tem uma crise política"
 Direitos femininos serão eixo de reunião do UNFPA em Montevidéu
 Preocupa que tensão entre Rússia e Estados Unidos afete negociação nuclear
 Trabalhadores espanhóis vítimas de disputa entre Madri e Gibraltar
MAIS>>
  Latest News
News in RSS
 Yakama Nation Tells DOE to Clean Up Nuclear Waste
 World Cuts Back Military Spending, But Not Asia
 The Iranian Nuclear Weapons Programme That Wasn’t
 U.S. Blasted on Failure to Ratify IMF Reforms
 Developing Nations Seek U.N. Retaliation on Bank Cancellations
MORE >>
  Ultimas Noticias
News in RSS
 ONU niega que esté actuando con desidia en disputa EEUU-Irán por visa
 Sospechosos de terrorismo ante aterrador sistema judicial de EEUU
 Gobierno de Sudán del Sur aprieta la mordaza
 Ruanda se atreve a tener dulces sueños, y con sabor a helado
 Uruguay no es “pirata” por legalizar la marihuana
MÁS >>