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COLUNA
Entre o Pacífico e o Atlântico
Joaquín Roy*

Miami, Estados Unidos, junho/2013, (IPS) - O presidente nicaraguense, Daniel Ortega, convidou seu colega norte-americano, Barack Obama, a desafiar os investidores de seu país a aderirem ao projeto de construir um novo canal que uniria as duas costas da América e competiria com o do Panamá, imerso em uma multimilionária ampliação.

Por outro lado, quatro países com costas no Oceano Pacífico (Chile, Colômbia, Peru e México) reforçaram sua aliança, que já atrai a atenção da Costa Rica e do Uruguai como observadores, com o interesse insólito da Espanha.

O assunto tem os sintomas de uma epidemia. Está se instalando tenazmente. O Oceano Pacífico ocupou os meios de comunicação e aparece em persistentes declarações de políticos e comentaristas. Tudo se encaixa na também incontrolável febre de construção de esquemas regionais, que com doce alegria se chama de "integração". Calma.

Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que se tem sérias dúvidas quanto à sobrevivência do euro, da própria União Europeia (UE) e - por que não dizer também, catastroficamente - da mesmíssima Europa, são alardeados experimentos que como carta de apresentação são agregados à genealogia de se inspirar no modelo de integração desse bloco.

Assim, por exemplo, agora se comemora meio século da existência da União Africana, admirável ideia que desaparece quando uma crise séria se instala em dois ou três de seus componentes. O último "êxito" foi o de Mali, obtido pela Legião Estrangeira da França.

Do outro lado da Europa ainda não se decifrou o que é a União da Euroásia, além de uma farsa da Rússia nostálgica de seu passado soviético para dominar seus vizinhos descarrilados. Se estes pudessem escolher livremente entre Moscou ou Bruxelas, a decisão seria uma emigração maciça para a Grande Place. O vergonhoso é que o governo russo vende essa ideia de "integração", seguindo o modelo da UE. Sejamos sérios.

Entretanto, com certa resignação e aplicação os países do istmo centro-americano se colocaram minimamente de acordo para assinar um Acordo de Associação com a UE. Nesta peculiar corrida superaram os gigantes da Comunidade Andina (CAN) e o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

Enquanto isso, no norte do Atlântico, se levanta o projeto de um ambicioso acordo de livre comércio (e de investimentos) entre a UE e os Estados Unidos, que se fará sentir como um imenso ímã no Canadá e no México.

Portanto, se todas as previsões se cumprirem, pelas leis darwinianas da integração restará somente a ampliação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte para a Europa e a Aliança do Pacífico. Desaparecerão só restos do Mercosul afundado por desavenças internas e pelo vírus do populismo interior e procedente da chavista Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) em queda, e da CAN.

Entretanto, também restará o Brasil, que não se casará com ninguém, se não tiver garantida a liderança. Tudo isso é "integração" seguindo a inspiração da UE?

Cabe esclarecer o que (apesar das dificuldades, dos desafios e das ameaças) se deve entender como integração no caminho da UE, e o que simplesmente deve ser considerado como cooperação econômica e inclusive política de diversos graus.

Em primeiro lugar, se deveria assumir a consideração da tradicional escala que começa com uma zona de livre comércio, seguida de uma união aduaneira, reforçada com um mercado comum e, já em um golpe de audácia, se apoiar em uma união econômica/monetária, para, finalmente, no paradoxo do entusiasmo se sublimar em uma união política.

Nenhum dos esquemas mencionados supera, nem mesmo no plano teórico, o rigor do "mercado comum".

O Mercosul está cheio de "perfurações" tarifárias, a CAN é incapaz de apresentar uma simples frente comum ao exterior além do admirável edifício jurídico, e a Alba não superou a estratégia da troca e das dádivas (interesseiras) da Venezuela.

Nenhum responde ao mandato das quatro "liberdades de movimento": bens, capitais, serviços e pessoas. A livre circulação da força de trabalho é um sonho, excepcionalmente respeitada.

Agora, o mistério reside na atuação da Aliança do Pacífico, apoiada pela necessidade de responder aos desafios asiáticos. Observe-se que, precisamente, são os Estados Unidos o país que mais presta atenção ao novo cenário, como se procurasse concentrar sua frota em uma Pearl Harbour segura.

No entanto, com o renovado vínculo com a Europa, guarda zelosamente a roupa enquanto nada nas incertas águas enganosamente "pacíficas".

Então, destes esquemas, o que continua tendo a base mais solidamente ancorada pela história, pelo comércio, pelas línguas, pelo direito, pelas migrações e pelo desejo de futuro é o triângulo formado por Europa, Estados Unidos/Canadá e América Latina.

É o único bloco que, cimentado por seu passado, pode enfrentar o incerto futuro dos desafios apresentados por outras regiões e coalizões de países emergentes e continentes sem amálgama. Daí que o entusiasmo da Nicarágua por um canal ser simbólico de um desejo centro-americano de servir de vínculo entre os dois oceanos, sem perder de vista o caminho para o Mar do Caribe que aponta para a Europa. Envolverde/IPS

* Joaquín Roy é catedrático Jean Monnet e diretor do Centro da União Europeia da Universidade de Miami (jroy@Miami.edu). (FIN/2013)

 
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